Hoje em dia, quase tudo pode ser descartável. Se pensarmos na construção cívil, por exemplo, o material mudou, a qualidade caiu e um aparamento comprado novo hoje tem uma duração muito menor do que aquele que foi construído 10 anos atrás. Usou, venceu, jogue fora! Substitua! Essa é a regra.Plástico para todos os lados. Eletrodomésticos produzidos com prazo de válidade, pilhas, baterias, carros, etc., os fabricantes fazem de propósito, para que o mercado continue crescendo. Consumo, consumo e consumo. Somos influenciados por belas e bem elaboradas propagandas. Por que o mercado publicitário funciona tão bem? Porque funciona. Quem não se imgina numa Land Rover, aventurando-se pelos 4 cantos do globo? É achar que preciso daquele produto para ser feliz. Será?
Infelizmente, e de certa forma, esse tipo de pensamento também vem alimentando as relações humanas. As pessoas também estão descartáveis. Sentimentos são rapidamente atirados no lixo diante do primeiro contra-tempo. Estava lendo em Barthes que pode acontecer (e acontece com frequência, pare pra pensar!) de uma pessoa amar mais o amor do que a pessoa "amada". Esta última pode ser trocada; o importante é manter aceso esse sentimento que tenho em mim, o de que amo. Não quero aqui generalizar os relacionamentos. Mas vamos pensar no geral. Li uma reportagem no jornal Le Monde falando do Dating e dos sites de relacionamento. Você já ouviu falar? Na matéria, encontramos depoimentos de homens e mulheres que se filiam a agências ou sites de relacionamentos que a partir do seu perfil selecionam as pessoas mais adequadas para você! Nossa, como ficou fácil!?! Basta você seguir os passos bem direitinho, sem trocar as pernas nem se jogar loucamente no abismo, que no final, o casamento está garantido! Mas e o amor? O coup de foudre? O enroscar-se? O que não é ensaiado, mas sentido? Eu não me conformo. Que tipo de fenômeno social é esse que leva as pessoas a darem mais valor ao virtual que ao olho no olho? E a tradição permanece...Como professora, observo os jovens vidrados em seus modernos telefones celulares, que quase falam, e ficam ali hipnotisados, entre uma página na internet, uma mensagems de texto, um telefonema, pastas de música etc., etc., etc. É uma loucura. Posso parecer retrô. Mas não sou. Gosto da tecnologia, de estar escrevendo num blog, de poder pesquisar, falar com amigos distantes, enviar uma "carta" e saber que ela vai chegar para alguém em um simples clique. Mas também sei que não é a mesma coisa que receber uma carta pelo correio (romantica?), ou sentar num bar e conversar pessoalmente com um amigo. Conhecer naturalemente uma pessoa sem ter sido um encontro programado, sem aquele peso do "tem que dar certo", porque os perfis combinam.
Quando digo Recicle! é para reavermos o sentido dos verbos querer, amar, adorar, dividir, entre tantos outros, que hoje estão associados a uma mercadoria descartável. "Mãe, quero isso!", "Amo chocolate", "Adooooooro!", "Gosto daquilo", "Vocês dividem em quantas vezes?", até um novo ataque da moda e da publicidade. O que você quer, ama, adora, divide nessa vida?
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