quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Arquipélago Fernando de Noronha




Ai, ai, realizei um grande sonho da minha adolescência, tempos de que me lembro escutar meus pais falarem deste paraíso natural. Um mar azul turquesa, com água límpida que dá para ver o fundo. Animais marinhos. Muito verde. Sempre me deslumbrei com as cores do mato e das águas. Quando me mudei para Natal, criei o hábito de pensar constantemente: estou vivendo no ponto mais próximo da ilha e ainda não fui lá! Um sentimento de desejo quase realizado.
Quando a Sarah me veio com idéias de viagens pelo Brasil, pensei logo em ir pra Noronha. Ela veio com a idéia de ir para Belém se enfiar no meio do mato. Ver bichos e índios. Pessoal de fora adora essas coisas, e eu que moro aqui, fazia tempo que não pensava neles. Sempre quis conhecer o Mercado do Ver-o-Peso, aquele cheio de coisas estranhas e diferentes, vindas de um mundo mais palpável que o meu. Gostei da idéia, mas a ilha brilhava na minha cabeça.
Fomos ver os preços. Belém, sem nada só avião e hotel, dava uns 1500 reais para 4 dias. Noronha deu 1200 com avião, hotel e um passeio de barco. Pareceu mais interessate a ilha. E também deu um medinho de ir pra Belém nessa época de muita chuva. Depois que conversamos em Pipa com uns estrangeiros que estão viajando pelo Brasil, chegamos à conclusão de que talvez a ilha de Fernando de Noronha fosse a melhor idéia mesmo, porque todo mundo pega o barco de Belém até Manaus e é aí que se sente a selva. Iamos voltar frustradas de não poder ir mais longe. Além disso, eu fiquei com medo, confesso aqui, das doenças e das histórias que ouvimos sobre lá. Essa vai ser nossa próxima viagem. Daqui 1 ou 2 anos. Daqui pra lá eu vou ganhando a coragem!
Chegamos de Noronha ontem a noite. 4 dias e 3 noites numa pousada muito boa, que a Tania conseguiu pra gente. O nome: Simpatida da Ilha. Na Vila dos Remédios, perto das praias: da Conceição, Central e do Cachorro.
A operadora que recebeu a gente era a Atalaia. A Sarah e eu programamos a nossa tarde. "Chegamos no aeroporto às 13h, até chegar na pausada meia hora estourando e tchau: biquini e praia!!!". Começamos a perceber o movimento da ilha nessa hora. Nos levaram para uma empresa de mergulho e passeios de barco. Passaram um vídeo sobre o arquipélago. Passaram mil e uma opções de passeios e pacotes. A Sarah e eu saímos da sala e esperamos os outros pra pegar o ônibus. 1h já tinha passado. E o pessoal comprando passeio. Temos que esperar todo mundo??? Sim, sim. Esperamos indignadas. Quase pegamos carona. Às 15h30 chegamos enfim na pousada. Mortas de fome, fomos em direção à praia, procurando um restaurante. Achamos um ideal, entre a Praia Central e a Praia da Conceição. Sentamos de frente para o Morro do Pico. Morro este que não se pode mais subir, para minha infelicidade. Para driblar os preços calientes dos pratos, montamos o nosso próprio menu: porção de arroz, de felijão, de farofa, uma salada sortida e bananas fritas (sem o empanado) deliciosas. Total: 38 reais. Depois de encher a pança, corremos pra praia da Conceição. Avistamos uma rede de volei. Oba, esporte! Andamos até onde deu, por causa da maré. Entramos no mar. Que maravilha! Transparente, límpido e fundo. Foi perfeito o sol mergulhando no mar. De noite comemos crepe e fomos dormir. Ainda estávamos cansadas de Pipa.
Cedinho o ônibus da operadora foi buscar a gente e outros turistas nas respectivas pousadas em direção ao porto. Nosso passeio de barco. Fomos de cabo a rabo do Mar de Dentro. Vimos do mar as praias tão famosas: Cacimba do Padre, Boldró, Baía do Sancho, Baía dos Golfinhos. Fizemos apnéia na Baía do Sancho, mas não nos deixaram ir para a beira da praia. Um dia depois eu descobri o porquê. O mar tava meio sujo, deu pra ver uma tartaruga e um polvo, fora os peixes de muitas formas e tamanho. Fom bom o passeio. Mas ainda não estava impressionada com a ilha. Será que é verdade que quando a gente espera muito uma coisa, a gente acaba se decepcionando? Por que superestima? Imagina demais? Fantasia muito?
De tarde, depois de comer num self-service à 32 reais o quilo, descemos na Praia do Cachorro. E lá conhecemos o Little Dog. De nome Jeferson, mas conhecido na cidade como cachorrinho (o pai que é o Cachorrão), foi simpático desde o primeiro minuto. Combinamos com ele de fazer um passeio pela ilha no outro dia, um ilha tour alternativo. Ele conseguiu um buggy por 80 reais. Enchemos o tanque com 40 reais. A gasolina lá custa 3,78 reais.
Começamos pela Praia do Leão, que fica no Mar de Fora. A visão é mais fria. A cor do mar é intensamente azul, pendendo pro Turquesa. Um vento forte do Oceano. Nosso guia apontou as pedras gigantes em frente: Viuvinha e do Leão. O nome vem de uma história de que encontraram um leão marinho morto nessa praia. E a pedra em frente tem o formato de um leão marinho. Vimos a praia de Sueste. Linda também. Desistimos da Atalaia. Queríamos ver o máximo, e lá íamos perder tempo esperando a vez de entrar. O lugar habita recifes e piscinas de um joelho de profundidade. Não se pode tocar em nada, tem que boiar. Fica pra próxima. Visitamos os arredores do porto, o museu do tubarão. De lá tem uma paisagem linda, quando se olha em direção ao Buraco da Raquel. Raquel era a filha do militar que comandava a ilha. Era para esse buraco que ela ia namorar com os soldados. Rebeldia adolescente. Terminamos a manhã passeando pela praia do Boldró, no Mar de Dentro, e nadamos na Praia dos Americanos. Por que americanos? Parece que foram os americanos que começaram a tomar banho pelados ali. A praia é pequenininha, aconchegante e deserta. O banho foi ótimo. Com ondas grandes e fortes quebrando no raso. Um cardume enorme de peixes nadava ao nosso lado. Sardinhas. A água é transparente. Isso me impressionou muito naquelas praias de Noronha. Não me lembro quando foi a última vez que consegui ver meus pés dentro do mar. A praia dos Americanos recebeu seis, e não cinco, estrelas da Sarah. Linda! Amanhã temos que voltar.
Almoço em outro por quilo, um pouco mais barato. A bateria da máquina acabou e fomos atrás de um carregador na Vila dos Remédios. Achamos, demos uma carga pequena e continuamos o passeio até a Cacimba do Padre e a Baía dos Porcos. Mergulhamos na última. O mar estava mais alto. Ondas fortes e algumas pedras. Vimos uma tartaruga, peixes. É louco quando coloco a cabeça dentro da água e olho um mundo novo. Normalmente só vejo o espelho refletindo o mundo daqui de cima, sem me dar conta que em baixo dele existe um mundo impressionante. Eu respeito.
O próximo destino foi o Mirante dos Golfinhos. Para chegar lá tivemos que percorrer uma trilha no mato. Já gostei. Assustamos três lagartões (não lembro o nome, seria Juá?). Vimos uns bichinhos que pareciam meio coelhos, meio esquilos (também não gravei o nome). Na entrada do Mirante uma pedra da minha altura, presa à ela uma placa homenageando o Sarney por ter aprovado o projeto de estudos do golfinho rotador. Quando a paisagem se abriu na nossa frente, ninguém falou. Eu fiquei extasiada com aquilo. Tinha barulho de lugar selvagem, intocado. Pássaros voavam calmamente pelo céu. Nem precisamos ver golfinhos. O horário era perfeito: 4h. O sol já estava baixando, a luminosidade muda nessa hora. Fica mais rosa e suave. Sentamos ali nos bancos de madeira protegidos por duas árvores centenárias. Meditamos. Eu mesma não consegui. Estava tão interessada em observar os movimentos da natureza que não consegui me concentrar. Foi o momento mais lindo da viagem para mim.
Passamos por mais uns três mirantes dando em cima das praias que vimos do barco um dia antes. E descemos pelo meio da pedra uma escada de incêndio, bem apertadinho. Depois se desce escadas talhadas na pedra e pronto: bem-vindo ao Jardim de Eden. Adão e Eva fariam loucuras por ali. A praia mais romântica. Ali me acendeu a vontade de ter alguém em quem pensar. De novo as máscaras e snorkeling. Ai! Entramos pelo lado direito da praia. Tinhámos que passar como por um corredor entre duas pedras: uma comprida pra cima e outra pro lado. A Sarah entrou sorrateira. Enquanto eu ainda criava coragem, ela já estava chegando no final do corredor. Falei pro guia que estava achando que o mar estava subindo. Ele me tranquilisou dizendo que se subisse a gente saía na hora. Quando o mar aumenta, se prepare para uma série de cinco ondas caprichadas. Eu entrei e consegui ir até o final do corredor. Mas era olhando pra baixo e pro lado a cada 30 segundos. Estava desconfiada do mar mudar de uma hora pra outra. Tava na cara. Queria vencer o medo. Dei umas duas braçadas para depois da pedra, olhei pro lado do horizonte e vi a formação da onda. Ai meus Deus! Cadê o Jefferson? Tava do meu lado. Menos mal. Quando a onda chegou em nós ele disse: busca areia! Hein? Lavagem de roupa. Quero sair agora pelo amor de Deus! Ele devia estar achando graça. Fomos mais pro fundo pra poder pegar a onda antes de quebrar. Ela quebra inteirona, com som de trovão. Depois que saí, olhei pro mar e não vi a Sarah. Tinha até esquecido. Lá estava ela, batendo perna tranquilamente com a cara enfiada na água. Só que ela não percebeu que estava no cume da onda. Quando vi, já era tarde para gritar. Levou um rola. Saiu bêbada de dentro da água, sorrindo.
Pegamos o caminho de volta. Já estávamos exaustos, mas queríamos ver o pôr-do-sol de um pico legal. Tentamos e não conseguimos chegar a tempo para ver o sol se por no Mirante do Padre. De noite fomos pro forró do Bar do Cachorro. Foi a primeira noite que saímos.
Último dia. O buggy ainda estava com a gente. Cada uma escolheu o seu lugar favorito e seguimos destino. Primeiro fomos para a praia dos Americanos. Tentamos tomar banho peladas, mas uma raia bastante grande rapidamente nos fez chispar da água. Tomamos sol, meditamos, tiramos fotos. Quando cansou, fomos para o Mirante dos Golfinhos. Tinha duas meninas do Ibama observando o movimento dos golfinhos. Um grupinho apareceu. Nos despedimos. Fomos para a pousada, arrumamos as coisas e fomos comer no restaurante do primeiro dia.
Cansadas, com vontade de ir embora, desgostosas com o tratamento das pessoas da ilha, nos alegramos de termos visto o que deu vontade. E só o que foi possível. Voltarei para ilha pela natureza, pelos lugares que não conheci, para o mergulho também. Mas o pessoal que trabalha na ilha precisa de algum tipo de instrução de como fazer com que as pessoas queiram voltar também por eles. Se a ilha virou ponto turístico, as pessoas precisam aprender a lidar, ajudar e entender o turista. Foi lindo! Valeu a pena. Sonho realizado! Estou pronta para uma nova aventura!

terça-feira, 14 de julho de 2009

Fria! Eu?


Lendo o romance da Fernanda Young, "Carta Para Alguém Bem Perto" (RJ : Objetivo, 2001), me identifiquei demais com a personagem principal: Ariana. Não que a vida dela seja igual à minha (mas os seus pensamentos...). Ela é casada com um cara podre de rico, dono de uma rede de supermercados - Lisboão - que adora ela do jeito que ela é. Tem uma filha, que tem um cachorro chatinho. A narrativa se desenrola, no geral, em duas épocas diferentes, intercaladas assim, ao longo das 383 páginas. Tem também uns capítulos nos quais ela, Ariana, escreve num diário, ou cartas para um amante platônico que tem o escritório na frente da sua escolinha de balé. Isso mesmo: balé. Na parte em que ela está em São Paulo, ela tenta ocupar o tempo. Porque ela não tem nada pra fazer. Vive sozinha em seu apartamento duplex enorme e perfeito, enquanto seu marido trabalha e sua filha vai para a escola. Em casa, os empregados fazem tudo. Ela fica no ócio de não sabe o que fazer. Suas atividades são: ir ao balé (por querer dar sentido à sua vida) e encontrar-se com o analista (que no final, ela manda para aquele lugar). Não se conforma ter que pagar alguém pra ficar ouvindo suas lamúrias sem resolver nada! Ela não vê a análise como um trabalho à longo prazo. Quer resultados imediatos. Resolve voltar a fumar maconha. O marido acha a idéia estranha, mas não contraria a esposa. Sabe que ela é excêntrica. E adora isso.

A outra parte da história acontece na Europa, onde ela encontra com o amigo gay do marido, Bruno, que tem Aids e está com os dias contados. Resolvem viajar para aproveitar o momento, como uma despedida feliz. Eles alugam um carro e rodam a Côte d'Azur, Italia, Suiça, Alemanha em alguns dias. Ao som de fitas-cassetes de músicas cafonas, ou antigas, o que intensifica o espírito consumista de Ariana. Ela só pensa em ouvir o barulho da maquininha do cartão de credito! Os dois descobrem que se amam. Amor daqueles que se sonha. Enfim.

Teve um trecho no qual Ariana, pensando com seus botões, revela idéias que não são só minhas! (sic). Acredito, agora, que muita gente deve ter essas "crises" de pensamentos. Ou não? Segue um pedacinho do devaneio abaixo:

"Não pode ser. Não posso ser assim. Estar dessa forma, existir. Por quê? Será que todo mundo sente isso? Essa esquisitice enquanto respira? Todo mundo pensa enquanto respira? Pensa em cada bocado de oxigênio que entra e que sai, depois, já estragado, já gás carbônico? Eles sentem assim, da maneira que eu sinto? Gostaria de saber se as pessoas ficam pensando sobre o ar ou se apenas o respiram, de forma simples e vital. Queria saber se é mais agradável ser outra pessoa. Se é bom sentir-se outro. Num corpo mais gordo - será mais macio existir dentro de 90 quilos? O gosto da boca, a sensação de estar vivo, seria diferente? Porque há sabor de vida dentro da cavida bucal. Há microorganismos vivos por todos os cantos da gente. Alguém aí sente isso? Como eu sinto, desde menina, cócegas estranhas, que me inquietam e agoniam, por causa desses seres viventes, que têm funções biológicas que nunca entendi. Quantas bactérias carrego comigo? Por que, afinal, essa complexidade toda? Essa chatice indagativa existencial?
Por que não sou burra? Por que eu não sou uma mesa? Simples como uma mesa. Óbvia como uma mesa. Prática. Aceitável. Necessária."

Bom, Ariana sofre de depressões e euforias descontroladas. É meio louca. E quem não é? Ela não mede palavras e faz o que quer. Mesmo assim, se sente vazia. Até que alguma coisa importante - e trágica - acontece. Sua vida muda o curso. Ela assume uma nova atitude. Assume o papel de uma outra mulher. Em cada mulher, acredito, são tantas personalidades. Temos que escolher qual cai melhor para determinada situação. Tô mentindo? Ela toma as rédeas e assume sua nova vida. Não vou contar o que acontece no final. Odeio quando me contam o final! Quem se interessar, que leia o livro! Eu adorei.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Onde foram parar os xavequeiros???


Na noite quente de Natal encontro todo tipo de gente. Caretas, carecas, cacetes! E tem também os doidos, desvairados, desmiolados. Confesso que atraio mais gente da segunda que da primeira categoria. Até porque me enquadro melhor nesse grupo. Mas já não me sinto tão ligada assim à uma loucura irresponsável de fazer o que dá na telha. Meço melhor meus passos, para não pisar em falso e quebrar o pé. Torcê-lo já é suficiente pra eu acordar, hoje em dia. E como as coisas mudaram desde minha juventude inocente!

Verdade que nunca tive como foco da balada sair catando homens por aí. A primeira coisa que penso quando vou sair é que quero curtir o som e me divertir. Se rolar alguma coisa rolou. Vai saber onde e quando você vai encontrar a tampa da sua panela, né? Mas, estranho muito quando vejo que os papeis se inverteram na noite (e no dia também, as vezes), e que são as mulheres que escolhem e marcam - igual cachorro esguicha postes e arbustos - aqueles caras que já são delas, porque elas escolheram, viram primeiro, e tem vontade da pegar, mesmo que não seja nesta noite, mas numa futura. E as outras tem que dar o fora, fugir dele. Questão de respeito. Pessoalmente, acho isso muito falso e egoísta. Quem é que queremos enganar?

Pois bem, pegar, para aqueles que não sabem, significa, muitas vezes: agarrar, dar uns amassos, levar pra cama (nem sempre) e depois tchau! Acho triste.

Elas andam à sua volta perguntando se você vai pegar, ou não. E no final das contas, quando vêem que o cara tá afim mesmo da outra e não dela, para não dar o braço a torcer, chegam no ouvido e dizem: "Pode pegar! Já pegou? Depois me conta!". Um saco. Me pergunto sempre: o que será que eles acham disso? Será que percebem esse joguinho indecente? Viraram objetos de desejo e possessão. Centros de intrigas e fofocas. Homens! Elas espalham tudo por aí: tamanho, performance e qualidade. Inverteu, não inverteu? E os homens (não todos, eu espero!) estão mais frouxos, fracos ou sem coragem. Esqueceram como fazer. Já faz muito tempo que não levo uma cantada decente... O que eles conseguem fazer pra mostrar que estão afim de você, é colocar a mão na sua cintura, ou então no seu ombro, tentando te proteger de um perigo inexistente. Aí eles esperam um momento no qual você vira pra ele, pra comentar qualquer coisa sobre a festa, e bah!, tentam te lascar um beijo! É muita falta de artifícios. Eu não beijo, viro a cara mesmo! Qual é?

Onde é que foi parar o Homem com H maiúsculo? Um macho de respeito, que sabe tratar a mulher como mulher, e ser homem como o homem deve ser. Nascer homem, ou nascer mulher, na minha opinião, já é muita diferença, é como se fossem criaturas de dois planetas diferentes, e cada um tem seu jeito de ser. Então por que há essa inversão de atitudes? Pode ser que eu esteja andando com a turma errada. Ou que eu esteja equivocada quanto a tudo o que disse acima, que esse seja apenas um caso particular, não sei. Mas já faz tempo que eu não encontro um homem que possa me interessar, que me deixe com as pernas bambas e o coração acelerado. Faz muito tempo!

Tá certo que nós, mulheres, adquirimos independência, somos mais livres, podemos escolher o par que nos convém; trabalhamos, estudamos e assumimos cargos cada vez mais altos. Competimos, votamos, participamos da sociedade ativamente. Mas será que a mulher tinha também que assumir essa postura de macho?

Sempre achei que o homem gostasse de caçar, de ter desafios. Conquistar uma mulher deveria ser como subir uma montanha, árduo e desafiador, mas, quando se consegue atingir o topo, a sensação de prazer, felicidade e satisfação é enorme. Mágico! Lindo! Quem já subiu uma montanha de verdade, sabe do que eu estou falando. A conquista é importante, tem quem diga que é a melhor parte, o jogo do homem e da montanha, cedendo e tirando, até o fim. Muito romântica? Acho que não. Hoje em dia pula-se todas as etapas direto pra cama. E acho incrível depois não entender aquela sensação de vazio... Nada contra o sexo casual. Tô reclamando da falta de criatividade dos homens e mulheres, do espírito nada esportivo, sei lá. As pessoas estão conformadas: já que vamos terminar mesmo na cama, por que não irmos direto pra lá?! Porque não! Muito sem graça.

As mulheres (muitas, mas não todas) se tornaram caçadoras também, os homens estão meio perdidos e não sabem mais como fazer. Estão inseguros. Eu sinto isso. Aí, como eu não tenho nada de caçadora (acho que sou romântica mesmo), sou muito mais espreitadora, segundo o Castañeda, fico aguardando um homem de verdade cruzar meu caminho. Será que ele ainda existe? Ou estão todos sob a mira feroz das mulheres fogosas, de cios eternos? Espero que não.

domingo, 28 de junho de 2009

Domingo

Adoro o domingo! Me estranha as pessoas não gostarem desse dia.Pelo menos eu o vejo como o dia de se sentir livre.Livre para fazer o que bem entender.Se bem que hoje, nem todo brasileiro é tão livre assim.Não há improviso, pois é a final da Copa das Confederações, lá na Africa do Sul.Qualquer sujeito o pouquinho inclinado que seja para o futebol, está a essa hora, por volta das quatro da tarde, sentado na frente de alguma televisão, escutando o rádio, ou na internet, ligado nos passes e chutes da nossa seleção, que joga contra os States. Eles já sabem o que fazer, se programam, este é o domingo deles. O dia gira em torno da expectativa, euforia, sufoco, alegria ou derrota. Todos esses sentimentos estarão presentes no antes, durante e depois dos 90 minutos de jogo.Mas quem não liga pra futebol, escolhe outras coisas.Domingo é o dia da preguiça ou da atitude.Posso ficar vendo filme estirada no sofá incomunicável; posso arrumar o guardaroupa caótico de meses sem ser organizado; e posso também fazer um prato especial à la maison.Mas posso escoher o oposto: sair por aí em busca de aventura.Ou então ficar entre amigos. O legal é que dá pra escolher!

Outra coisa boa é como a cidade se acalma.Conseguimos quase ouvir o ruído do vento.Aquele tormento da semana silencia e dá lugar ao canto perdido de um passáro, um alarme de carro distante, o som espaçado de carros que passam na rua, uma cadeira puxada no andar de cima. E só.Parece que até nós nos acalmamos. Domingo é:Um dia sem obrigações, há menos que se tenha filho pequeno.Um dia sem trabalho, há menos que trabalhe no comércio.Um dia sem estudo, a menos que esteja fazendo prova de concurso.Pode se dizer que domingo é um dia de irresponsabilidade, no bom sentido,um dia livre pra se fazer o que bem quiser.Bancos, prefeitura, universidades, secretarias, consultórios médicos, enfim, tudo que está relacionado à serviços fecha e ajuda a cidade a reduzir a marcha do ir e vir. Mesmo que tenhamos algo para resolver, uma conta em atraso, um processo em andamento, uma dor no joelho, a apresentação de um trabalho, nada disso pode ser feito no domingo! Você se dá ao luxo de não pensar no assunto até segunda-feira pela manhã. É um dia livre de preocupações rotineiras. Assuntos burocraticos são colocados de escanteio até que a semana comece. E pronto.
Domingo é uma delícia! Por isso eu gosto.Vou dar uma volta. Até mais!

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Bye-Bye diploma!

Jornalistas do país inteiro,
agarrem logo seus empregos!
Nosso querido dinheiro,
nos tira todo o sossego.
Sempre mais e mais:
poder, glória, dominação.
E vai ficar nos anais
da história, a nossa indignação.
Tiraram a obrigação do diploma?
Só pode ser broma!
Mas não é não,
não é especulação.
Votaram sério e certeiro,
agora que os caras do dinheiro
não vão querer abrir mão.
Pensem bem na manipulação,
agora a mídia perde de vez a credibilidade.
Qualquer um pode ser,
e serão escolhidos em desvantagem,
pelos homens de poder.
Pra dizer o que eles querem,
o que lhes traz vantagem.
Mas que puta sacanagem!
Será que pode piorar?
Que situação a nossa,
estamos mais afundados na bosta
do eu poderia imaginar.
Somos artistas, escritores e poetas,
é o argumento que se faz entrever.
Ou seria apenas a máscara
para um golpe difícil de crer?
Fica a pergunta no ar,
com esse exemplo singelo, dentre tantos:
quanto podemos ainda suportar?
Calados, insensíveis e sem espanto,
assistimos as mazelas atrozes, outras ridículas,
de nosso tempo, e o jeito?
Com a técnica avançada,
tecnologia de ponta,
orgulhosamente ostentadas,
mantemos nossas mentes ocupadas.
Assim jogamos os ideais na sarjeta,
e esquecemos nosso espírito na gaveta!


sábado, 13 de junho de 2009

Debaixo do Cajueiro


À sombra do grande Cajueiro,
o tempo descansa.
Quem cansa é o pensamento solto,
o pássaro afoito em busca do fruto.
O sol estala no céu azul claro,
e o vento, voa!
Debaixo do Cajueiro, só calma.
Nada se mexe, aparentemente.
A parte as formigas que nunca param,
e a cigarra que não se cansa de cantar.
Folhinhas soltas caem levemente sobre a relva.
As flores rasteiras não se movem, comovem-se,
respeitosas ao silêncio tão sutilmente imposto pela árvore majestosa.
A sombra convida ao sonho.
Uma rede se estende entre os galhos contorcidos.
Viola no colo,
chapéu na cabeça,
sorriso largo na boca,
de papo pro ar.

sábado, 6 de junho de 2009

Afinidade


É vontade de mais e mais.
Parece que flui: pensamentos, falas, sensações e sentimentos.
Cresce o querer.
Fui para a magia da India e não sei de que maneira voltar à realidade fria.
Vou conseguir. Nós podemos tudo!
Diante do palácio-tumba erguido por amor,
Quero sentir Taj Mahal.
Where is the love?
Faz dias que ouço a mesma trilha sonora "Mélange",
organizada pela minha mãe com músicas de Isaishi, Enia, Villa-Lobos...
É tranquilizante.
O Universo corre nas veias, ódio e amor da humanidade.
Mais ódio, menos amor.
Como podemos ser tão maus e irresponsáveis?
A água varre de mim a desesperança, assim como a música e os gatos deitados no sofá.
E tem o sol, o canto dos pássaros, o verde da mata, o mar...
Sou parte desse universo organizado com perfeição,
mas que tornamos tão complicado.
Somos como as cordas do violino, devemos estar sempre afinados com a orquestra para que de nós saia o melhor e mais belo som.
Eu afino, estico, me dedico à melodia da vida, dolorosamente sometimes, mas sempre feliz de estar aqui.