quarta-feira, 8 de julho de 2015

Que viagem!

Fico ansiosa quando decido viajar. Decidir é fácil. Depois vem a parte estressante: a busca pelo voo perfeito, a reserva de um lugar maravilhoso, gastar menos grana possível, tornar a viagem agradável para todos que vão comigo. Isso me dá uma ansiedade GIGANTE. Depois que está tudo organizado, fico na expectativa do dia D. Percebo logo que todo o planejamento escorre feito água ralo afora e nada sai como pensei. Então, pergunto: Por que planejar? 
Poderia pensar a mesma coisa para a preparação de uma aula. Como ensino Didática na universidade sempre friso a importância de um bom planejamento, mesmo sabendo que aquele documento, fruto de algum tempo reflexivo e de pesquisa minuciosa, não passa do esboço de um futuro improvável. As coisa nunca saem tal qual planejamos. E isso cabe perfeitamente para uma viagem, assim como para tudo na vida. Por que eu surto? 
Tenho receio de beber o rio da vida e ele não sair obviamente como planejado; flutuo sobre ele tentando encontrar um lugar onde molhar os pés, mas não tenho coragem. O que fiz até hoje foi me agarrar nas coisas que tenho certeza: estudar sempre, juntar gatos, cultivar a família. 
Observei  a vida toda meus pais arriscarem novos caminhos incertos e alcançarem júbilo e sucesso. Teria eu essa coragem? Não sei. Sempre quis controlar. Em alguns âmbitos, até que sou eficaz; em outros, nem me arrisco, fico de fora vendo a vida passar. De medo em medo as histórias não acontecem. Na viagem é onde eu encontro liberdade de ser sem medo, afinal, é a vida entre parênteses, onde tudo pode acontecer, ou nada, não importa, só sei que naquele hiato maravilhoso perco a ilusão do controle e me jogo pro que tiver de ser.
Minha busca é ser assim no cotidiano, mas como ? 
O simples fato de perceber que estou começando a gostar de alguém já me parece errado. Não me reconheço, me sinto vulnerável.

domingo, 25 de maio de 2014

Qual cheiro tem o seu céu?



Sabe aquelas noites que você não espera nada? 
Só queria sair, dar uma volta. Pintou um convite. Legal. Foi sozinha pro bairro onde funcionam diversas casas de shows e boates. Combinou chegar as vinte horas e chegou. Os amigos chegaram uma hora depois. Não se importou. Ficou lá, do lado de fora do samba, conversando com o cara que lhe vendera a cerveja e o cigarro. Conversa vai, conversa vem. Ele pediu pra ela cuidar do carrinho dele. Ficou sentada num banquinho improvisado pastorando a cerveja do moço. Quando ele voltou, um pessoal foi se achegando e um maroto perguntou: "Quantas você já vendeu?". "Por enquanto, estou só comprando.", foi sua resposta. "Não seja por isso, o que você quer beber, eu compro de você".
Tomaram uma cerveja do lado de fora esperando ainda seus amigos. Pelo r carregado soube logo que era carioca, daqueles da gema. Ele ficou com ela até os amigos dela chegarem, entrou com eles, encontrou seus amigos já lá dentro e colocou todo mundo junto em volta de uma mesa. Agrupou o pessoal. Quando menos espera, o tal a tira pra dançar, samba a dois! Como assim? E quando deu por si, já estava rodopiando pelo salão. Como dançou naquela noite sem promessas! Além de dançar, ria. Não cabia em si. Há quanto tempo não dançava. Que delícia! Dançar é, definitivamente, uma porta para a felicidade. Para coroar a noite, ele pergunta assim de supetão: "Qual cheiro tem seu céu?". E aquilo soou tão Marguerite Duras que ficou sem palavras. Como pode?

O céu dele tem cheiro de corrida na praia de manhã cedo. De mergulho com arpão pra caçar o peixe que vai assar na fogueira. De cochilar de tarde na rede e fazer amor vendo o sol se por. 

Até agora, não sabe o cheiro do seu céu... Se Duras brinca com nossos sentidos, principalmente no cinema, querendo que ouçamos as imagens e vejamos os sons, lhe parece muito peculiar essa ideia do céu ter um cheiro, cheiro seu, particular. 

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Meu céu tem cheiro de liberdade, de horizonte à vista, de mar azul e clima quente. Meu céu tem cheiro de gato e chamego, de amor, de família, de horta e terra molhada. Tem cheiro de mato e caminhada na trilha. Meu céu tem cheiro de trabalho feito com paixão, criatividade e responsabilidade. Meu céu é um cavalo a galope com cheiro selvagem e forte. O cheiro que quero é de boas lembranças e de coisas novas, gostosas e felizes. Meu céu tem cheiro de água e vento,  de lenha queimando e panela fervendo. Gosto de cheiro de biblioteca, daquelas que ocupam todas as paredes com uma espreguiçadeira no meio e uma luminária bem elegante e eficiente. Meu céu tem cheiro de risada e música boa. No meu céu tem silêncio.

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Te amo, te odeio

Calo a boca, fico em silêncio.
Não consigo dizer o quanto te amo e te odeio, quase ao mesmo tempo.
Enroscada a você, a noite me penetra.
O dia contudo me traz a punhalada do desprezo.
Presente você é, quando presente.
Quando longe, deixa de existir, desaparece.
Não se importa, ocupado demais com seu umbigo.
Sempre pronto a ajudar quando requerido.
Se não pedem, não levanta um dedo.
Deixa a vida se encarregar de tudo, lentamente.
Nenhuma atitude. Sabe esperar e o devagar é quase sempre.
Ao contrário de você sou eu. O oposto atrai?
Senti um amargo estes dias, como vai, dormiu bem?
Dormi. Ponto final.
Nada.
É chocante, dá uma revolta. Parece desconsideração.
É seu jeito. Curto e grosso.
Mesmo assim não me conformo.
Então porque insistir no que não me faz bem?
No que você deixa o tempo levar eu quero controlar.
Quero presença, mesmo ausente.
Você é um vazio, inexistente.
Já senti saudade.
As vezes penso; cada vez menos.




domingo, 14 de abril de 2013

Por que não?


Até onde vai a minha racionalidade? Vermelha pulsação tange a massa cinza. Certamente vai além dessa dicotomia. A razão se vai a noite e volta pela manhã com gosto de guarda-chuva e estrelinhas nos olhos. O que é isso gente? Toda noite isso, por que controlar o que eu não quero controlar? Eu gostaria de fazer, mas talvez não deva. Consequências pairam sobre minha cabeça.

Racionais e controladas são as pessoas. No entanto, acredito que no âmago todos somos loucos, cheios de vontades e curiosidades soterradas violentamente pelos dogmas morais e éticos, e a tão idolatrada razão.

Gosto de simplicidade, inocência. Quando o corpo pede, por que não dizer: “sim”? Porque isso é errado, não pode, é feio. Poxa! Mas não tem problema nenhum. As vezes me passa pela cabeça que ser inocente, ingênuo, viver sem escudos é algo terrível, pois más intenções podem me assolar. Quais são as suas intenções? Nunca saberei senão o tempo. Mas o tempo passando eu não vou ficar sentada em uma cadeira diante da janela assistindo o vento açoitar nuvens. Enquanto o tempo passa tenho que ir vivendo e experimentando mesmo se for para tatear as paredes dessa casa até achar um interruptor. Se achar. Como viver de outra forma? Vivemos perigosamente. Como diz Riobaldo em Grande Sertão, “Viver é muito perigoso... Porque aprender a viver é que é o viver mesmo... Travessia perigosa, mas é a da vida. Sertão que se alteia e abaixa... O mais difícil não é um ser bom e proceder honesto, dificultoso mesmo, é um saber definido o que quer, e ter o poder de ir até o rabo da palavra.” Gênio Rosa.

Quem é que vai? Eu não sei. Não exatamente. Experimentos. Sinalizar o que quero. Como? Se não sei. Não dou, não vejo. Iluminados dias de flores coloridas; uma sombra cobre a gente feito nuvem carregada de chuva. Como faz frio de vez em quando. Quentura danada desse inferno terrestre. Deus existe! Se existe? Como ficar parada diante do movimento do mundo? De pé menina que a terra não para de girar por sua causa! Levanta e sacode a poeira, música boa essa, levanta defunto. Dores e amores. Doce amora. Vam'bora! já sei o que quero: cerejeiras em flor.


sexta-feira, 29 de março de 2013

Deste ano eu não passo! (um minuto)


Deste ano eu não passo! Minha cabeça está girando, ou melhor, o mundo está girando em volta de mim. Me segura que eu não quero cair de cara. Já pensou? Uma velha assim, estatelada no chão? Não dá, por isso que eu não saio. Piscina nem pensar. Aquele chão escorregadio... Você é nova, cheia de saúde e energia. Eu sou doente. Mas vó, o que é que você tem? Como assim o que eu tenho??? Você me faz cada pergunta! Estou velha! Dói tudo, tenho medo de cair e a depressão... Eu tenho depressão sim! Você acha que é mentira, não é não! Então vamos dar uma volta pra ver se você dá uma levantada. Não. Quero ficar aqui no meu canto. Outro dia eu vou. Outro dia é muito longe vó. Hoje não quero, estou com gripe, atchim!

E por aí vai um discurso que por vezes me deixa triste, outras, me faz rir. O que é viver senão um momento? A cada segundo de vida tudo pode acontecer. Quem sabe a vontade dela de ir embora não venha mesmo este ano e aí, fim. Se resguardou tanto com medo de morrer querendo a morte. É contraditório. É. Por vezes estamos tão adestrados ao nosso cotidiano que não percebemos os momentos. Um riso aqui, uma conversa aparentemente sem importância acolá. Pintar o sete!

Eu adormeço ao tic tac das horas, cumpro meus deveres como cidadã, respeito as regras sociais, morais e éticas. O compasso do tempo me embala num ir e vir, do trabalho pra casa, da casa pro trabalho. Uma corrida aqui, um copo de vinho acolá. Estuda, estuda, estuda sem parar. E podem me perguntar onde ficam os momentos nesta história banal de vida adulta? Eu acredito que o momento está na meninice. Ter a criança dentro de mim. Cliché, sim. Quando penso nos meus aprontos, fugindo um pouco destas regras taxativas, sorrio feliz de ter em mim aquela que já fez muita coisa "errada". Prometo, não prejudico ninguém. Fujo apenas, só um pouquinho, das amarras impostas e me sinto viva, mais viva! quando faço uma destas brincadeiras com gosto de coisa errada, mas que na verdade não têm nada de mais.

Até agora rio de correnteza. Escuridão de luz. Um oceano de palavras, tão belas, tão fracas. Ó vida de banho de mar. A lua espia o dia. Ventamos alegria. O tempo voou, e veio me dizendo que é pra eu continuar a achar. E achando ir vivendo de novos banhos de luar.

A lua de ontem me deixou completamente apaixonada. 

quinta-feira, 28 de março de 2013

A lua


Li está frase hoje no livro Ravissement de Lol V. Stein de Marguerite Duras e como ela se encaixou bem a nossa belíssima noite de hoje: 

"l'étandard blanc des amants dans leur premier voyage flotte toujours sur la ville obscurcie."
(tradução literal: o estandarte branco dos amantes em sua primeira viagem continua a voar sobre a cidade escurecida) 
Por Raoni Kunkler

Alguém acompanhou a lua crescente estes últimos dias? Majestosa, flutuando no céu anuviado, da mesma forma como ela muda as marés, ela também me transforma. 

Lá vai ela, alta no céu agora, tive a sorte de dar com ela ainda perto do horizonte. Assisti seu movimento ascendente de dentro d'água, hipnotizada. Tenho duas opções: acreditar ou não na magia da lua, na sua influência, assim como a de outros planetas sobre minha pessoa e sobre o mundo. Prefiro acreditar e observar. 

Boiando, fiquei cara a cara com o universo. Contei estrelas. Vi nuvens passarem açoitadas pelo senhor vento. E ela, estandarte branco dos amantes, iluminou a minha noite. Boa noite. 

domingo, 30 de setembro de 2012

Novo mundo colorido

Ela sentia-se, naquela manhã de quinta, estranhamente atraída pelo ator. O mundo artístico sempre a encantou, nunca sentiu-se inteiramente parte dele, mas sempre gostou de ali estar de alguma forma. Não sabia muito bem o que era, misto de curiosidade e engano. Obssessiva, pensa nele, para não pensar no fim do mundo.

A vida coloriu-se com esse novo mundo que se apresentou diante dela; já faz um ano que se cruzam nos corredores da biblioteca, mas foi depois de começarem a fazer um trabalho juntos que ela o percebeu. Um mundo alegre, risonho, estressado e falante que chegou chegando, sem saber que mexeria com a imaginação dela. Quem poderia imaginar: ela sempre na dela, séria e calada. Pensou-se até que era antipática, grosseira. A cada encontro, foram se aproximando. A vontade de tocá-lo a surpreendeu. Apenas roçar-lhe o braço, tocar suas costas num gesto de amizade, olhar nos seus olhos, rir de suas piadas. Nos dias que não se vêem, imagina o que ele faz. Será que pensa nela? O tempo corre e não pensamos em nada além de nossas vidas miudas. São tantos afazeres e nos envolvemos sempre mais.

Olharam-se, caminhavam lado a lado num corredor ilumidado pelo sol da tarde, tentou beijá-la. Ela afastou-se, encabulada. Que ousado! riu seu pensamento. Gosta do jogo da sedução, gosta de flertar, é uma brincadeira saudável. A paquera a alimenta de forma tal que se sente criança. Seu problema é quando a relação se estabiliza: ela enjoa. Num enfado monumental, quer fugir a qualquer preço e busca loucamente uma falha de carater ou de atitude para pular fora. Nem sempre consegue simplesmente sair da relação porque não quer mais. Sofre um pouco e deplora o tempo perdido. A fase da conquista é a melhor para ela. Se ao menos alguém conseguisse manter nela essa energia sempre acesa, não cansaria nunca. O grande problema está na entrega. Quando o faz, sente-se automaticamente atrelada ao sujeito como se fosse para sempre. Acorrenta-se. É uma auto-prisão. E então, queda livre; tédio e angústia até mandar tudo pelos ares. 

Teria ela algum problema psicológico? As vezes pensa em ter relacionamentos leves e livres, sem cobranças, com vários caras. Ir experimentando como certas amigas fazem. Pura diversão e prazer. Porém, quando encontra alguém por quem se interesse, aposta todas as fichas acreditando que dessa vez achou o tal, e algum tempo depois, vê que se enganou (como não?) Frustra-se. Busca, incansável, uma forma de melhorar essa dualidade que a mantém só durante a maior parte de sua vida.

Passou uma noite tranquila. Almoçou italiano e tomou quase uma garrafa de chardonnay californiano. Pensou nele. Estava tudo delicioso. Entorpecida e alegre, fumou um cigarrinho pra encerrar a refeição copiosa. Divagações passaram pela sua cabeça. Correu para a frente do computador e entrou na página de relações para olhar a vida alheia. É para isso que servem essas páginas, não? Sente uma vontade louca de  dançar. Liga o rádio e coloca um sambinha animado. Pisoteia o chão de sua sala, gira em torno de seu eixo, ri sozinha. Amanhã quero sair. Sente que a vida voltou depois de uma semana de baixo astral.
Uma nova história a anima: acaba de sair de um relacionamento longo. Passou pelo menos dois meses para conseguir realmente desfazer as amarras e agora se sente leve e com vontade de embarcar em novas histórias, conhecer pessoas, dançar. Alegrias e aventuras é o que quer. Amor, desejo, tesão: tudo num prato só.

De tarde foi para a aula de cinema. O professor a encanta pela sua calma, timidez e modo pausado de falar. Ela o deseja. Pena que o vê somente uma vez por semana. As conversas que têm são sempre boas e deixam aquela sensação de que ainda há muito mais a dizer. Quando ele se despede, sai tão rápido que mal dá pra responder o até logo. Ela não entende: ele parece interessado, mas tem horas que ela realmente não sabe: ele é distante, e não fica perto dela nos intervalos. Pode ser discrição... Sorri pensando na tarde com o professor.

Voltando para casa viu a lua nascer atrás das dunas verdejantes. Linda! O céu cor de rosa e o verde da mata contrastando. Entusiasmou-se: Vou sair, ver gente, conversar e rir. Ainda tentou se segurar, ficar em casa seria mais prudente. Mas que nada. Fez uma ligação, passou a mão na bolsa e saiu. Foi no aniversário de um boêmio. Tomou copos de cerveja e fumou cigarros. A conversa estava boa. Atenta, escuta o pessoal mais experiente do que ela. Tocou uma música de anos atrás que adora. Ela se levantou para dançar: viva a juventude! gritou o aniversariante. A festa acabou cedo. Dispensou a carona, preferiu voltar a pé. Andando pra casa, alegre, meio arrependida dos cigarros (vício maldito que nunca sairá de mim?), conversa com a lua, que já vai alta no céu marinho.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Meu dia

A Internet é uma ferramenta assustadora. Conseguiu me manter 5h ligada em mil assuntos, sem parar. Quando cansava de um passava pra outro e assim ao longo dessas horas... Li sobre guerra, principalmente sobre o Iraque, poxa, preciso entender o que se passa por trás dessa história. Li o Globo, a Folha, London Times , New York Times, Le Temps, Le Monde, e parei. Teve uma ou outra coisa que mudou, mas no geral fiquei na mesma, sem entender nada. Continuo achando que os States invadiram o Iraque para controlar o petróleo. O ruim é provar. Quantas pessoas já não falaram sobre isso? Mas eles continuam lá, impunes, e já estão de olho na bacia de Santos, podem apostar. Enfim, depois de muito ler sobre isso, já desgastada com a história dessa guerra, resolvi procurar instituições que protegem o meio ambiente, e principalmente os animais. Por acaso achei um link num desses jornais que estava lendo. Não me lembro o nome da instituição... Sei que eles protegem os animais selvagens. Ah, foi no Le Monde, tinha uma matéria legal falando que não adianta mais apenas deixarmos os animais selvagens viverem livres. O aumento demográfico da humanidade cresce tanto que temos que criar reservas para proteger os bichos, senão o homem vai acabar derrubando tudo pra caber no mundo. É, realmente o planeta tá ficando pequeno. E como o homem é egoista e ganancioso, antes ele que os bichos e a natureza. Um horror. Vi várias fotos de bichos, tinha uma pintada linda e ameaçada de extinção! Programas de estudos sobre impactos ambietais, o degelo dos polos, o que vai ser dos ursos brancos? Até mandei um email para o relações públicas desse centro, ai qual o nome mesmo? perguntando se existe possibilidade de trabalhar pra eles aqui no Brasil. Disse: "sou jornalista e amo os animais acima de tudo". É uma grande verdade, prefiro bicho a gente. Depois de fuçar bastante, lembrei que precisava fazer uma pauta sobre desenvolvimento regional pro Gazeta Comunitária. Pesquisei um pouco no site do Governo do RN e logo me veio a idéia de falar sobre turismo, o Bê reclamou ontem que ninguém fala de turismo, então vou falar, e melhor ainda, turismo de aventura e ecológico! Tem coisa melhor? Espero que a pauta seja aceita! Terminei de escrever agora pouco. Agora estou no meu momento Blog!

domingo, 15 de julho de 2012

O jeito gato de ser

Gatos são criaturas espetaculares, mistériosas e interessantes. Se um gato te escolhe como 'dono', pra sempre te será fiel. Gosta de você do jeito dele e não adianta querer que ele responda toda vez ao seu chamado, tem horas que ele realmente não está a fim. Mas naqueles dias em que você chega em casa chateado, triste ou choroso, ele fica por perto, roça na sua perna, te olha nos olhos, isso quando não sobe no seu colo e ronrona, mostrando o quanto você é importante e amado. Ele te dá carinho e amor à sua moda. São companheiros, e não grudentos. Gostam de estar perto, mantendo mesmo assim sua independência e individualidade.


Observam seus gestos, compreendem seu humor e as vezes te provocam pra provar que ainda está vivo. E depois, soneca. Como dormem! São lindos em seu sono, e quando seguros, se 'abandonam' sem medo. Tem uns que adoram cochilar em colos, em almofadas macias, camas cheirosas, ou encostados em alguém, por causa do quentinho, e pra ganhar cafuné, lógico. Que gato não gosta de cafuné? São verdadeiros em seu amor, e querem retribuição. Contudo, se alguém os maltrata, botam as garras pra fora, rosnam e mostram os dentes; se deu, prepare-se pra levar! Depois vão embora em busca de um outro lugar, sem olhar pra trás. Tem uns tímidos, outros mais atrevidos, mas são sempre doces e fiéis aos seus instintos. As vezes te trazem um bichinho que caçaram, como um presente, para retribuir à 'casa, comida e roupa lavada'. Enquanto vc pega aquele bicho com pena ou nojo, ele volta orgulhoso para a sua almofada, o retorno ao sono dos justos.



"A vida e amor ao lado do pior cão do mundo"

Ontem assisti o filme Marley e Eu, baseado no livro de mesmo nome. Logo de cara já sabia que seria um filme água com açúcar, sobre família e o amor aos animais domésticos. A história começa com um labrador cor champanhe correndo e logo atrás seu dono, desesperado. A narrativa volta 4 anos, quando ele, John Grogan se casou com Jenny, numa cidade fria dos Estados Unidos. Logo se mudam para a Flórida, em busca de calor e trabalho, ambos são jornalistas. Logo se adaptam àquela nova rotina e a esposa quer um filho. Ele, inseguro, resolve lhe dar um animalzinho de estimação, antes dessa empreitada mais difícil. Eles compram Marley em uma fazenda de adoção de bichos abandonados e ele, por ser elétrico, estava em promoção.
O desenrolar da história mostra a formação convencional de uma família. Desde o primeiro bichinho, o primeiro filho, o segundo, os sonhos deixados de lado pelos pais, por causa da nova situação, e Marley sempre presente, comendo tudo que podia. A muher deixa seu emprego bem sucedido em um grande jornal, para se tornar dona de casa e cuidar dos filhos. Não queria ser aquelas mães que só vêem os filhos 1h por noite. O marido, recebe aumento e se torna colunista de um jornal menor, e a vida segue naturalmente. Brigas, depressão pós-parto, reconsiliação, sacrifícios, mais uma filha. Se mudam pra outra cidade, onde ele conseguiu um emprego de repórter. Apesar disso sempre ter sido seu sonho, sente falta de suas colunas diárias, nas quais ele fala de sua vida, impressões e Marley.
A história conta a vida do cachorro. Desde pequeno, quando é adotado, até a morte. E posso dizer que nos últimos 15 minutos do filme, as lágrimas rolaram soltas. Quando o cachorro vai ficando fraco, as pernas endurecidas, paradão. Lembrei do Conan. Foi mais ou menos a mesma história...
Meus pais adotaram ele quando eu ainda era bebê. Cresci com ele, a Chiquita, depois veio a Iris e a Lola. Mas o Conan, sei lá, ele foi o queridão do meu pai. Foi treinado, sentava, dava a pata, fingia de morto e protegia a casa e a família e era muito carinhoso. Viveu uns 13 anos. Velhinho, as patas traseiras já não obedeciam mais e seu olhar sempre alegre, foi ficando triste e vazio. Como no filme, tivemos que sacrficá-lo. Foi triste. E chorei. Mas não chorei só, o cinema todo estava aos prantos, certas pessoas até soluçavam. Depois da sessão, estávamos todos de olhos inchados, e uma menina me disse: "esse filme não dá pra ver no cinema! Olha só o nosso estado...". Foi interessante e me lembrou a história da minha família, nos distantes anos de São Paulo. Senti saudade.

sábado, 30 de junho de 2012

"On ne trouve pas la solitude, on l'a fait" M.D.

O título desta postagem é uma frase que li nas pesquisas que tenho feito sobre Marguerite Duras. Escolhi três obras da escritora francesa para objeto de dissertação de mestrado. Ela diz que a gente não encontra a solidão, e sim, que a fazemos. Escolhemos estar só, assim entendo. E devo concordar. Ninguém fica sozinho por astúcia do destino. Estamos sós porque queremos estar sós. O professor de teorias críticas disse outra coisa bem óbvia, mas que me deixou com a pulga atrás do orelha: estudamos aquilo com o que nos identificamos. Na hora me surpreendi: por que escolhi Marguerite Duras entre tantos outros escritores, épocas, países que me agradam muito mais do que ela? Talvez porque ela não afague, mas rasgue. Eu gosto de estudar assuntos que me ultrapassam. Num estudo anterior comparei o trabalho de jornalistas em tempos de guerra. Assustador. Essa frase de efeito veio pra me acalentar, chacoalhando. Pensei nela, e entendi que eu quase sempre preferi estar só a estar mal acompanhada. Na maioria das vezes não porque as pessoas são más ou entediantes. Muito mais porque eu prefiro estar livre de qualquer amarra pra fazer as coisas que me agradam, que me fazem bem, com seres que façam bem também. Hoje quero ler, amanhã sair. Depois de amanhã estudar e ensinar e na semana seguinte dançar. Seguir meu caminho. Desde pouco entendi que cada pessoa trilha o seu e os relacionamentos são caminhos que se cruzam, andam lado a lado, algumas vezes por semanas, outras por anos e ainda para sempre. O triste é trilhar um caminho que não é seu, submisso à lei do mercado. Case agora ou fique só para sempre. De repente, o só para sempre não me assusta mais. É tão bom estar só tendo consciência que muitos caminhos vão cruzar o meu e eu vou assim seguindo em frente, veemente.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Querer a morte

Eu gosto tanto da vida, que quando escuto alguém dizer que quer morrer, começo a chorar descontroladamente. O pior é que hoje duas pessoas bem íntimas me disseram isso: Quero morrer! Que droga. Fico chateada, e depois de chorar lágrimas pequenas, parei pra pensar, pô, se essas pessoas querem morrer, que morram! Depois, horrizada com meu pensamento radical, tentei entender: são pessoas talvez com pouca maleabilidade, sem senso de adaptação, acredito que ambas devido a idade e educação. Eu já pensei em morrer, mas foi em tempos remotos, com o coração partido, era mais um final dramático de um romance de férias. Mas morrer para fugir da vida, dos problemas, das dificuldades não; não é isso que faz a vida mais rica, bonita e aguça nossa criatividade?
Pois bem, depois de aqui começar a colocar meus pensamentos, fiquei mais tranquila. Cada um que cuide de seus dragões. Eu faço o que posso pra ajudar, mas não me venham acanalhar o dia, que já começou meio nublado, mas que depois do balde de água fria, aí que eu tive mais vontade de viver, de acontecer, de lutar. Beijo e boa semana!

sábado, 3 de março de 2012

Bomba?!

Para uma amiga

Tempo de partida.
Pra longe, por amor.
Deixo tudo, menos meus livros, meus vestidos e minha dor.
De coração partido, parto, mas alegro-me em saber que lá me espera o amor.
Tenho medo.
Mas a coragem é maior e a vontade de estar com ele é imensa, intensa.
Ele me espera. Me quer perto dele, para sempre.
Para sempre...
Sempre é vago, nublado, escuro.
Quebrei um candelabro de vidro agora pouco.
Foi nervoso, que novidade maluca.
Bombástica, me disse.
Realmente.
Meus pés estão no chão, mais firmes do que nunca.
Não sei o que faria se tivesse que deixar meus bichos para trás.
Quero assumi-los até o fim. E os filhos?
Kalil Gibran diz que os filhos criamos para o mundo.
Entenderão eles minhas razões? Minha paixão? Meu fundo?
Julgamentos não faltaram nem faltarão.
Mas eu preciso ouví-los, saber o que os outros pensam, busco apoio, mas só recebo nãos!
E isso me dá força: quanto mais nãos eu ouvir, mais forte vou ficar.
Quero casar de verdade, de papel passado, com homem ajoelhado fazendo pedido romântico.
Poemas, palavras, gozo animal. Isso eu não posso aqui e tenha lá.
Vou embora. Adeus vida antiga. Mas eu volto, daqui um ano, com um pai pra minha filha.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Nem tudo que parece, é...

Estive pensando esses últimos meses em como costumo enganar-me. Enxergo aquilo que quero, pinto uma pessoa nas minhas cores favoritas e assim que ela mostra suas garras horrorosas, minha vontade é sair correndo, gritando de raiva, de medo. Raiva de mim e medo da pessoa. Por que prefiro me iludir a encarar a verdade? Porque a verdade dói, dirá um ditado popular. Mas não é melhor doer agora?
Pensei também nas aparências. As pessoas parecem ser tão fortes e seguras e certas de tudo que estão fazendo; por que eu sou este caos? Mas esse é apenas um pensamento desesperado, ninguém é tão perfeito assim. Diz outro ditado: não queira estar na pele de outra pessoa, você não sabe como é o seu dia. Todo mundo tem medo?
Desde agosto do ano passado tenho passado por experiências que me mostram que vale menos a embalagem do que o conteúdo. Parece óbvio, será? Me explico: as aparências seriam a embalagem das pessoas ou a cobertura das situações; seria interessante olhar para dentro delas, ou seja, abrir o embrulho, aceitar o presente ou ignorá-lo. As pessoas não mudam, a menos que esta seja a vontade delas. Consguimos sim mudar certas atitudes, certos vícios, mas a essência não muda, o nosso âmago será sempre este, indefinidamente. Ou aceita, ou muda de calçada.
Meu primeiro encontro com este tipo de pensamento se deu quando vi um casal apaixonado, de você ficar feliz só de ver aquelas pessoas se amando, sabe como é? Pois bem, este lindo amor foi interrompido pela distância e em seguida por um suicídio. Desencanei de tentar entender, me confortei com: nem sempre é o que parece...
Continuei vivendo minha própria paixão, com seus altos e baixos, até que um dia, uma esposa me conta que a ativida de lazer de seu marido é, nada mais nada menos do que matar animais. Pardon? Sim, ele viaja o mundo em busca de uma zebra, de um urso, de um veado, entre outros animais para matá-los, como esporte! Quando eles estão em Pipa e um timbu atravessa o quintal bang! Ela convive com isso porque o ama, mas horrorizada, tentando ver o lado bom disso: conhece muitos lugares bonitos e só tem que tapar os ouvidos na hora do tiro e esconder as peles no armário. E eu achando que o futebol de domingo era um problema.
Depois veio o ataque cardiaco do seu José. Na minha visão, ele era um velhinho direito, que comia bem, cuidava do corpo, da alma, do espírito. Sempre enxerguei ele como ser superior, pleno de conhecimento e atitude exemplar. Pensei que fosse vegetariano, que praticava caminhadas, que comia de maneira saudável; e não é que descobri hoje que ele come de tudo, que se salvou por pouco de veias entupidas e confessou-me no leito da enfermaria, diante da minha perplexidade, que eu enganara-me, que ele era como todos nós, humano.
Por um lado escondo meus defeitos e por outro coloco um tapaolho pra só enxergar nos outros o que me agrada, vivo um fantasia. Vai ver é por isso que a vida é tão complicada, relacionamentos não dão certo, pessoas estão cada vez mais estressadas. Aceitar o outro, e principalmente se aceitar, como é, nu e cru, é uma das coisas mais difíceis que existem. Talvez seja este o processo de desenvolviemento, o da aceita-ação.
E logo leio isso por acaso, em Memórias Póstumas de Brás Cubas:

"[...] advirta que a franqueza é a primeira virtude de um defunto. Na vida, o olhar da opinião, o contraste dos interesses, a luta das cobiças obrigam a gente a calar os trapos velhos, a disfarçar os rasgões e os remendos, a não estender ao mundo as revelações que faz à consciência; e o melhor da obrigação é quando, à força de embaçar os outros, embaça-se um homem a si mesmo, porque em tal caso poupa-se o vexame, que é uma sensação penosa, e a hipocrisia, que é um vício hediondo. Mas, na morte, que diferença! Que desabafo! Que liberdade! Como a gente pode sacudir fora a capa, deitar ao fosso lantejoulas, despregar-se, despintar-se, desafeitar-se, confessar lisamente o que foi e o que deixou de ser!" (Machado de Assis, 1881).

sábado, 3 de dezembro de 2011

Prisão/Liberdade

"Liberdade é pouco. O que desejo ainda não tem nome. - Sou pois um brinquedo a quem dão corda e que terminada esta não encontrará vida própria, mais profunda. Procurar tranquilamente admitir que talvez só a encontre se for buscá-la nas fontes pequenas. Ou senão morrerei de sede." Clarice Lispector.
Esse trecho foi retirado do livro Perto do coração selvagem, que estou lendo para escrever um artigo para uma disciplina da universidade. A primeira parte quase todo mundo conhece, pelo menos quem gosta de literatura. É quase reconfortante saber que não fomos os únicos, em nossos pensamentos obsessivos, a pensar que tipo de liberdade é essa que queremos em oposição a que vivemos. E quando Clarice diz que o que realmente deseja ainda não tem nome, nossa, é quase um gozo. Você também sente isso? A sequência do pensamento, que só tem acesso quem lê o livro, é quase explicativo. Somos brinquedos de dar corda, animais domesticados, funcionando através de metas e objetivos exteriores a nós. O exemplo mais gritante é eu estar lendo esse livro não porque quero, mas porque sou "obrigada" a ler, porque preciso a partir dele criar ligações com certas teorias do desejo e escrever um artigo que já está escrito pela metade. Bem, talvez esse blog seja o meu querer fazer por mim mesma. Pois escrevo pra vomitar o que me angustia. Seria isso uma fuga? Uma solução? Terapia?
Esse ano termina lindamente, até nas coisas que não me dediquei, eu passei, e a minha corda ainda está funcionando. Tic, tac, tic, tac. Sou uma caixinha de música, daquelas que a gente tem na infância (quem teve a sorte de ter uma?) e funciono. Passei em tudo que queria passar, realizei tudo que queria realizar, não ficou nenhuma frustração, nada mesmo, estou encerrando o trabalho lindamente, chave de ouro mesmo, com direito a culinária para os alunos (fico generosa nessa época do ano). Mas continuo me sentindo angustiada, apesar de ter dado tudo certo. O que é certo?
Meu maior desejo nesse momento é pegar minha bike e pedalar até Pipa. Mas não posso ir sozinha, não posso ir agora, não posso!? Entendo pois esse trecho de Clarice como uma revelação: podemos tudo, contanto que estejamos no compasso da canção.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Numa encruzilhada feliz.
Fazer o que dá na telha.
Com certa responsabilidade.
É sempre bom ter uma margem,
possibilidades.
Até quando?
Por que esta pergunta sempre?
Para sempre.
Tudo depende de mim.
Mas se o que me faz sentir bem também está nos outros?
Estou segura, sou segura de mim.
Mesmo se agora estou ligeiramente inebriada.
O quero da vida? Por que estou viva?
Essa pergunta roda minha mente.
Sou viva para quê?
Pra estudar literatura, dar aulas de francês, cuidar de gatos?
Qual o sentido disso, às vezes acho que o que fazemos é puro passa-tempo.
Distração.
Mas tem que ter um porquê.
A linha de pensamento que mais me dá sentido é o fato de estarmos aqui para evoluir.
De que forma?
Grande enigma.
Ups and downs.
A sociedade é montada para nós nos encaixarmos em algum buraco vazio.
Mas, e se eu não quero?
Não tem jeito.
Olha eu aqui aplicando prova.
Busca interior. Salto no astral. Sei lá.
Perdida, mas feliz.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Recicle!

Hoje em dia, quase tudo pode ser descartável. Se pensarmos na construção cívil, por exemplo, o material mudou, a qualidade caiu e um aparamento comprado novo hoje tem uma duração muito menor do que aquele que foi construído 10 anos atrás. Usou, venceu, jogue fora! Substitua! Essa é a regra.Plástico para todos os lados. Eletrodomésticos produzidos com prazo de válidade, pilhas, baterias, carros, etc., os fabricantes fazem de propósito, para que o mercado continue crescendo. Consumo, consumo e consumo. Somos influenciados por belas e bem elaboradas propagandas. Por que o mercado publicitário funciona tão bem? Porque funciona. Quem não se imgina numa Land Rover, aventurando-se pelos 4 cantos do globo? É achar que preciso daquele produto para ser feliz. Será?
Infelizmente, e de certa forma, esse tipo de pensamento também vem alimentando as relações humanas. As pessoas também estão descartáveis. Sentimentos são rapidamente atirados no lixo diante do primeiro contra-tempo. Estava lendo em Barthes que pode acontecer (e acontece com frequência, pare pra pensar!) de uma pessoa amar mais o amor do que a pessoa "amada". Esta última pode ser trocada; o importante é manter aceso esse sentimento que tenho em mim, o de que amo. Não quero aqui generalizar os relacionamentos. Mas vamos pensar no geral. Li uma reportagem no jornal Le Monde falando do Dating e dos sites de relacionamento. Você já ouviu falar? Na matéria, encontramos depoimentos de homens e mulheres que se filiam a agências ou sites de relacionamentos que a partir do seu perfil selecionam as pessoas mais adequadas para você! Nossa, como ficou fácil!?! Basta você seguir os passos bem direitinho, sem trocar as pernas nem se jogar loucamente no abismo, que no final, o casamento está garantido! Mas e o amor? O coup de foudre? O enroscar-se? O que não é ensaiado, mas sentido? Eu não me conformo. Que tipo de fenômeno social é esse que leva as pessoas a darem mais valor ao virtual que ao olho no olho? E a tradição permanece...

Como professora, observo os jovens vidrados em seus modernos telefones celulares, que quase falam, e ficam ali hipnotisados, entre uma página na internet, uma mensagems de texto, um telefonema, pastas de música etc., etc., etc. É uma loucura. Posso parecer retrô. Mas não sou. Gosto da tecnologia, de estar escrevendo num blog, de poder pesquisar, falar com amigos distantes, enviar uma "carta" e saber que ela vai chegar para alguém em um simples clique. Mas também sei que não é a mesma coisa que receber uma carta pelo correio (romantica?), ou sentar num bar e conversar pessoalmente com um amigo. Conhecer naturalemente uma pessoa sem ter sido um encontro programado, sem aquele peso do "tem que dar certo", porque os perfis combinam.
Quando digo Recicle! é para reavermos o sentido dos verbos querer, amar, adorar, dividir, entre tantos outros, que hoje estão associados a uma mercadoria descartável. "Mãe, quero isso!", "Amo chocolate", "Adooooooro!", "Gosto daquilo", "Vocês dividem em quantas vezes?", até um novo ataque da moda e da publicidade. O que você quer, ama, adora, divide nessa vida?

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Performance

As relações humanas são muito difíceis. Me sinto enormemente impotente. Existem pessoas que criam regras pra as outras seguirem, mas elas mesmas não as seguem. Outras, que só vêm o Ó do boragodó e te chamam de peste. Hoje estou triste. Acordei bem, mas trinta minutos depois já estava aos berros, discutindo a relação. Ai, que droga. Perdi toda a minha energia. Quero sair de casa, mas algo me prende. Quero viajar, mas algo me impede. Quero ir, mas fico. É tudo um circo. Ontem vi umas apresentações de projetos artísticos, onde as pessoas expõe o mais íntimo de si. Testam o corpo e os sentimentos ao extremo. Mas como serão suas vidas? Pensei numa performance: Uma caixa, onde duas pessoas cabem apertadas, numa praça movimentada ou numa feira. Na porta, uma placa "Eu quero dar. Quem quer comer? É gratis!" Eu, acolhendo as pessoas. Os voluntários, loucos para salvar-me do desespero, ao entrerem no quartinho, descobrem uma bandeja cheia de doces caseiros, e escolhem o que comer. Dava pra rir bastante. Esse tipo de performance é divertido. Mas e a performance da vida? Na artística, a gente embala as coisas e vai pra casa quando já não tá dando mais, ou o cansaço chegou; mas na vida, é mais difícil empacotar e sair fora. Quero gritar, mas a voz não sai. Apesar que quem vive de arte, não sai também, porque vida e arte se misturam. Mas isso não acontece com todo mundo? Somos todos atores? Hoje tenho muitas perguntas. E nenhuma resposta.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

o do meio

Num poema de Clarice que há pouco recebi, ela diz que entre duas coisas, há sempre outra. Por menor que seja o intervalo, sempre haverá algo nele.


Entre dois grãos de areia há um espaço.


Interstícios.


Se olhamos no microscópio uma célula, vemos que é composta por mínimos elementos; até que não vemos mais, mas sabemos que existem.


Mesmo o silêncio preenche a pausa do som.


É o preenchimento total de tudo o que temos conhecimento; de tudo que existe?


A meu modo, entendo nesse momento a importância daquilo que há entre meu anelar e meu indicador: elemento expressivo que auxilia nos momentos de cólera e desprezo, economizando-me belas palavras.

domingo, 27 de março de 2011

Puxa, quanto tempo não apareço. Escrever o que penso, abismo. Tempo absurdo. Tanta coisa aconteceu. Eu mudei certos conceitos. Tanta gente foi e veio. Me sinto no meio. A lua rodou três vezes e minha mãe voltou pra meu pai. Em casa, aguçada a cozinha. Passamos por acontecimentos bizarros. No trabalho... Sempre aparecem coisas estranhas no trabalho. Amo meus alunos. Adoro ensinar. Que profissão boa que foi parar na minha mão. Estou feliz com os fatos. Moro num lugar bom, tenho um bom trabalho, gosto do que faço.