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sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Switzerland and happy familly


Prometi, mas não cumpri!
Que lastima.
Já voltei e ficou aqui um espaço em branco.
O que posso dizer, é que vi muita paisagem bonita,
e falei com pouca gente.
Não revi amigos.
Revi lugares.
Como sou espacial.
Adoro voltar aos lugares, e as pessoas?
Estranho, muito estranho.
Mas é assim. Tudo muda, menos a pedra.
Ela muda sim. Mas tão lentamente, que na nossa medida de tempo, é como se não mudasse.
Fui pra Zurique, claro. Cidade onde mora minha avó paterna. Foi um passeio rápido, de comida ruim e horas dentro do carro. Mas a vovó está ótima, cheia de vida nos seus quase 91 anos. Quanta disposição! Nem pude comer de novo aquela linguiça branca, tão famosa pela mostarda. Fomos à Berna, capital do país, ver os ursinhos e ursões. Atração da cidade. Ficam num barranco, ao lado do rio Aare. Lindo! Depois fomos pra uma montanha enorme, que se chama Pilatos. Subimos de tele-cabine e íamos descer a pé (2.130m), mas uma tempestade começou e acabou com nosso passeio e com nossa paisagem. Tudo virou bruma. Mas foi ótimo assim mesmo. Outro passeio interessante foi a volta no lago de Bienne de bicicleta. São uns 40km (mixaria, pra quem está acostumado). Mas pra nós foi pesada. Ficamos arrasados. Mas foi muito gostoso. Andar de bicicleta é genial. É muito melhor que a pé e que de moto. Está entre os dois: nem muito rápido, nem muito devagar. E a gente não precisa prestar a mesma atenção que a gente presta quando está na moto. Entretanto a sensação de liberdade é a mesma. Gostei tanto que cheguei aqui e comprei uma bicicleta. O último passeio foi pra uma cidade chamada Sion, no Valais. O local é famoso pelo vinho e pelas pistas de ski. Como era verão, ficamos só no vinho e visitamos dois castelinhos no alto da colina. Além dos passeios oficiais, fui várias vezes para Neuchêtel, cidade onde já vivi, tomei banho no lago, andei de bicicleta pra lá e pra cá, aproveitei as promoções enlouquecedoras de julho: cada escandalo por precinhos simbólicos. Comi tudo que tive vontade: fondue, raclette, iogurtes, tortas, bolos, chocolate, pães, queijos, frutas, geléias, etc, etc, etc. (ta aí outra razão da aquisição da bicicleta).
E o mais importante dessa viagem é que revi minha família completa: pai, mãe e irmão. Fazia muito tempo que não ficávamos os 4 juntos, e foi genial! Não desgrudamos. Divertidíssimo! Já estou morrendo de saudade.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Aí vou eu!

Desde agora começo a preparar a mala,
vou m'embora para o velho mundo.
Quem quiser ir na mala, essa é a hora.
Fica aqui o convite.
Escreverei do continente velho,
impressões pessoais:
um pouco de história e dos encontros casuais.
Saudades sempre, embora passageira,
ir pra estrangeira é bom demais.
vou sem eira nem beira,
pouca grana mas muita vontade de observar e contar,
o que por lá posso encontrar.
É sempre bom acabar com os estereótipos,
e ver as coisa na sua individualidade e pertinência.
Futebol é a época, mas além disso, museus continuam abertos,
festivais seletos, e muito, muito mais!
Quem quiser, aqui poderá ter minha impressão própria,
da visita que farei à dois países da Europa.
Até lá!

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

São Paulo é uma loucura


Cinco anos depois... Chego em São Paulo às seis horas da tarde. Que beleza! Voltar pro lugar onde nasci. Estava na curiosidade de campo, e pouco interessada em encontrar pessoas. É meio estranho, eu sei. Nem eu consigo explicar. Desculpa os amigos que não contactei, e àqueles que contactei e não consegui encontrar.
Em Guarulhos, pegamos o ônibus até a praça da República. 30 reais por pessoa. Do primeiro banco do carro, vimos a silhueta de prédios desenhada no horizonte. Chegando do nordeste em pleno verão, fiquei impressionada com a verdura do lugar. Árvores e arbustos crescem em qualquer parte, até mesmo nas bordas do Tietê. Ô terra boa! E cinza.
Ficamos na casa de uma amiga de infância da minha mãe, a Maru. Ela mora na Liberdade, morram de inveja! Eu morri... Descemos no na parada de mêtro São Joaquim e arrastamos a mala ladeira abaixo até o cruzamento com a rua da Glória. Chegamos esfomiadas, no avião é só bolachinha (6) e suco. Sem almoçar, fomos matar a fome num restaurante chinês. As garçonetes nem falam português. Por mímica e muita força de vontade, conseguimos encomendar um manjar dos deuses.
Andamos pelo centro até chegar no mercado municipal no outro dia. Era nossa ceia de Natal que estava na lista de compras. Fugindo daquela coisa "família", compramos só delícias que o paladar já desacostumara. Funggi, presunto cru, queijos, azeitona temperada, quiche, frutas, Chianti, etc. De tanto andar, comemos e dormimos. No outro dia, a Maru levou a gente para o Ibirapuera. Continua lindo. Andamos e andamos. Muito papo e lembranças da infância. Eu só ouvindo.
Passamos pela praça da Sé: vimos gente correndo pra pegar o mêtro, pulando por cima daqueles que dormem de baixo das árvores; um cheiro de xixi no ar. Ônibus e carros transitam loucamente. A gente cruza a rua. Massa de gente escorrendo pelas ruas cheias de lojas que oferecem tudo que se pode imaginar. O cheiro de comida paira no ar. É churrasco grego (kebab), lanches, japonês, chinês, pastel. Chegando no Municipal, é aquela fartura: produtos importados da melhor qualidade. Preços altos. Do lado de fora, gente pedindo esmola. Junto aos arranha-céus coloridos, temos parques e árvores espetaculares. Muita gente passeando com cachorrinhos enfeitados. A Av. Paulista estava toda enfeitada para o Natal. Com luzes, papais-noéis, árvores enfeitadas e um coral. Foi lindo. Sabe aquele projeto do Bradesco, para crianças carentes? Os filhos dos funcionários também participam. Cantaram músicas natalinas lindas. A calçada estava cheia de gente para escutar. Fiquei impressionada com o tamanho dos prédios de bancos. Estava uma disputa visual pela melhor apresentação de Natal. Nos regalamos. Visitamos o parque Trianon. Fomos atraídas pelas árvores "argentées". Iluminadas em cor de prata. O lugar é a única reserva remanescente de mata atlânitca da região. Fica em frente ao MASP.
O dia começa ao som de Cazuza e Marisa Monte e cigarro. Não que fumemos. A Maru que fuma a essa hora. Fomo ver Avatar. Só que não em 3D. Bem que queríamos, mas a sessão estava lotada. Vimos normal. História previsível, imagens estonteantes. Em 3D deve ser bárbaro.
Quando a Maru voltou a trabalhar, acho que dia 27, ficamos por nossa conta. Fui tirar a segunda via do RG num Poupa Tempo, que devo dizer que na Sé, é um Perde Tempo. Depois de tirar, o papelzinho e pagar a taxa, me dei conta da dimensão de São Paulo. Tinha, apenas, 2 mil pessoas na minha frente! Isso em horas é igual a 4. Pra dar entrada no documento! Joguei pro alto, fui tentar tirar na Luz. Lotado também, porque já era tarde. Fui curar a derrota na ladeira Porto Geral. Fomos à forra. Prefiro não entrar em detalhes. Só posso dizer que voltamos eufóricas e, um tanto quanto culpadas, para casa.
Finalemente fui para o Museu da Língua Portuguesa! Já infernizei tantas pessoas para saber desse museu, e finalmente pude ver com meus próprios olhos... e ouvidos. Adorei! Não deu pra ver tudo nos mínimos detalher como gostaria, mas deu pra ver no geral e posso dizer que vale muito a pena conhecer para quem se interessa pela língua e literatura brasileira. E não precisa ser expert: é básico e muito bem apresentado. A exposição temporária era da Cora Coralina. Tinha um corredor de telões falando da cultura brasileira, da presença e importância da palavra nela. Gostei muito!
Depois do Museu, na Luz, andamos até a Praça da República. Demos uma volta na praça atrás do Galettos. Achamos O Gato que Ri. Subimos ladeira até a Sé e tornamos à Liberdade exaustas. Capotamos antes da Maru chegar.
No dia seguinte, fui direto pro Poupa Tempo da Luz, dei entrada no RG em 30 minutos e achei rápido. Fiquei feliz. Pra onde fomos? Não lembro.
No dia 31 saímos pra comprar as últimas coisas, comida para o réveillon e uma caixa de bonbons pra Maru. Ficamos morgando de tarde. Assistimos o filme "Se beber, não case". Gostei. A Maru convidou uns amigos, fez tender e depois de comer e beber a especialidade da casa: caipirosca de abacaxi, fomos para a Av. Paulista, nos misturar com outros 2 milhões e quinhentas mil pessoas. Ficamos nos telões. Primeiro teve Maria Rita. E Chuva. Dupla sertaneja que não conheço e chuva. Demos a volta na fronteira de ferro. A chuva parou. Contagem regressiva, FELIZ ANO NOVO!!! e a chuva foi voltando lentamente até se tornar forte. Martinho da Vila entrou no palco. Ótima escolha para começar o ano. Dançamos duas música; a chuva estava impiedosa. Na terceira, viramos de costas, em direção à casa. Caminhamos um bocado. Senti frio! Em casa, todos sentamos em volta da mesa, copo de vinho na mão, tender no joelho, muitas risadas e um VIVA para o ano que entra! Um ótimo ano à todos! Bateria recarregada...

sábado, 19 de setembro de 2009

Capital do país


Gostei de Brasília. Mas não pra morar.
Lugar que você depende de um carro pra tudo. Tudo mesmo. E aquela idéia de setores? Achei o Ó. Não tive acesso aos bairros limitrofes (dizem que é mais normal), por estar sem carro. O dia que cheguei mais perto disso, foi numa noite de teatro, no Sesc Garagem. Pegamos carona com o taxi do Godo até a W3 e lá pegamos um busão. Entramos um pouco mais na cidade em si. Porque aquela avenida da Esplanada é só visão e imensidão. Tudo parece perto, mas é tão longe. Gastei sola de sapato debaixo de chuva e de sol. Descobrimos um ônibus gratuito no primeiro dia. Foi a glória. Meio longe do Mané, mas válido. Passava na frente de tudo o que era Nacional. E também por dentro da UnB. O motorista já familiarizado com a gente, nem reclamou quando comi um abacaxi no palito dentro do carro. O bom de lá são as frutas vendidas na frente dos Ministérios, aos pedaços. Não passei fome, comi muita bagana. E salada de frutas.
No primeiro dia corremos pelos Monumentos Nacionais: teatro, catedral, congresso, biblioteca. Chovendo. Que sorte a nossa. Dizem que o ar é muito seco e eu não senti isso. Graças! Segundo dia, foi sete de setembro. O povo todo na rua, aviões no céu e Lula no telão. Dia de festa. Chegamos no Congresso andando. A volta foi sofrida. No primeiro dia perdemos um puta espetáculo do grupo Armazém. No segundo compramos os igresso para os próximos dias. Olha só a nossa sorte: semana de Cena Contemporânea Internacional. Assistimos um espetáculo francês e outro de BH. No terceiro dia tentei ir no Congresso de professores de francês. Mas escolhi mal e saí de lá emputecida. Pegamos o bus grátis e fomos conhecer a universidade federal. Linda! Encontramos um garoto que nos apresentou os lugares mais interessantes. No quarto dia escolhi melhor. Fui à uma palestra do Marcos Bagno, fiz uma oficina de animação em sala de aula e de tarde foi o must: um palestra de escritores! Me esbaldei. Fiz uma pergunta fatal. Conheci o professor tal e voltei satisfeita com o Congresso. Mais nada superaria essa tarde. Foi perfeita. Acreditem. No último dia, saí com um pessoal de lá, pra ver a night da galera. Convenci todo mundo a não pirar, ficar num bar trocando idéia era o melhor que se tinha pra fazer. Mais um ponto positivo. Conhecer gente é bom.
A epopéia da volta foi estressante. Pegamos dois ônibus pra chegar no aéroporto. Um sufoco, com aquela mala desconfortável para aventuras deste tipo. Mas deu certo. Sempre dá.
A impressão que ficou? É Brasília lá e eu cá. Quando voltar vou direto pra Chapada. Achei tudo muito na cara. A pobreza encarada como natural, as drogas dominando a cabeça dos jovens, os políticos nadando em dinheiro. Monumentos históricos imponentes, gente suja dormindo nas calçadas. Muita pedra. Gostei da vegetação. Vi uma cotia. Nos olhamos quando o tempo parou numa beira de estrada. Foi mágico. Valeu pelo congresso, valeu pelos amigos encontrados, pela aventura e novidade, por não ter visto um só bicho abandonado (só gente... Infelizmente). Pelas risadas. Pelos sufocos. Pelo espírito de equipe. Pelo teatro ("pra curar a seca de Natal", segundo Elias). Viajar, sempre é válido. Foi bom também ter tirado a idéia maluca de querer morar lá. Só fico pensando em Nostradamus... Por que ele foi apontar bem aquele lugar na sua profecia? Que saco. Próxima parada: os Andes. Tem que ser um lugar alto gente!

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Arquipélago Fernando de Noronha




Ai, ai, realizei um grande sonho da minha adolescência, tempos de que me lembro escutar meus pais falarem deste paraíso natural. Um mar azul turquesa, com água límpida que dá para ver o fundo. Animais marinhos. Muito verde. Sempre me deslumbrei com as cores do mato e das águas. Quando me mudei para Natal, criei o hábito de pensar constantemente: estou vivendo no ponto mais próximo da ilha e ainda não fui lá! Um sentimento de desejo quase realizado.
Quando a Sarah me veio com idéias de viagens pelo Brasil, pensei logo em ir pra Noronha. Ela veio com a idéia de ir para Belém se enfiar no meio do mato. Ver bichos e índios. Pessoal de fora adora essas coisas, e eu que moro aqui, fazia tempo que não pensava neles. Sempre quis conhecer o Mercado do Ver-o-Peso, aquele cheio de coisas estranhas e diferentes, vindas de um mundo mais palpável que o meu. Gostei da idéia, mas a ilha brilhava na minha cabeça.
Fomos ver os preços. Belém, sem nada só avião e hotel, dava uns 1500 reais para 4 dias. Noronha deu 1200 com avião, hotel e um passeio de barco. Pareceu mais interessate a ilha. E também deu um medinho de ir pra Belém nessa época de muita chuva. Depois que conversamos em Pipa com uns estrangeiros que estão viajando pelo Brasil, chegamos à conclusão de que talvez a ilha de Fernando de Noronha fosse a melhor idéia mesmo, porque todo mundo pega o barco de Belém até Manaus e é aí que se sente a selva. Iamos voltar frustradas de não poder ir mais longe. Além disso, eu fiquei com medo, confesso aqui, das doenças e das histórias que ouvimos sobre lá. Essa vai ser nossa próxima viagem. Daqui 1 ou 2 anos. Daqui pra lá eu vou ganhando a coragem!
Chegamos de Noronha ontem a noite. 4 dias e 3 noites numa pousada muito boa, que a Tania conseguiu pra gente. O nome: Simpatida da Ilha. Na Vila dos Remédios, perto das praias: da Conceição, Central e do Cachorro.
A operadora que recebeu a gente era a Atalaia. A Sarah e eu programamos a nossa tarde. "Chegamos no aeroporto às 13h, até chegar na pausada meia hora estourando e tchau: biquini e praia!!!". Começamos a perceber o movimento da ilha nessa hora. Nos levaram para uma empresa de mergulho e passeios de barco. Passaram um vídeo sobre o arquipélago. Passaram mil e uma opções de passeios e pacotes. A Sarah e eu saímos da sala e esperamos os outros pra pegar o ônibus. 1h já tinha passado. E o pessoal comprando passeio. Temos que esperar todo mundo??? Sim, sim. Esperamos indignadas. Quase pegamos carona. Às 15h30 chegamos enfim na pousada. Mortas de fome, fomos em direção à praia, procurando um restaurante. Achamos um ideal, entre a Praia Central e a Praia da Conceição. Sentamos de frente para o Morro do Pico. Morro este que não se pode mais subir, para minha infelicidade. Para driblar os preços calientes dos pratos, montamos o nosso próprio menu: porção de arroz, de felijão, de farofa, uma salada sortida e bananas fritas (sem o empanado) deliciosas. Total: 38 reais. Depois de encher a pança, corremos pra praia da Conceição. Avistamos uma rede de volei. Oba, esporte! Andamos até onde deu, por causa da maré. Entramos no mar. Que maravilha! Transparente, límpido e fundo. Foi perfeito o sol mergulhando no mar. De noite comemos crepe e fomos dormir. Ainda estávamos cansadas de Pipa.
Cedinho o ônibus da operadora foi buscar a gente e outros turistas nas respectivas pousadas em direção ao porto. Nosso passeio de barco. Fomos de cabo a rabo do Mar de Dentro. Vimos do mar as praias tão famosas: Cacimba do Padre, Boldró, Baía do Sancho, Baía dos Golfinhos. Fizemos apnéia na Baía do Sancho, mas não nos deixaram ir para a beira da praia. Um dia depois eu descobri o porquê. O mar tava meio sujo, deu pra ver uma tartaruga e um polvo, fora os peixes de muitas formas e tamanho. Fom bom o passeio. Mas ainda não estava impressionada com a ilha. Será que é verdade que quando a gente espera muito uma coisa, a gente acaba se decepcionando? Por que superestima? Imagina demais? Fantasia muito?
De tarde, depois de comer num self-service à 32 reais o quilo, descemos na Praia do Cachorro. E lá conhecemos o Little Dog. De nome Jeferson, mas conhecido na cidade como cachorrinho (o pai que é o Cachorrão), foi simpático desde o primeiro minuto. Combinamos com ele de fazer um passeio pela ilha no outro dia, um ilha tour alternativo. Ele conseguiu um buggy por 80 reais. Enchemos o tanque com 40 reais. A gasolina lá custa 3,78 reais.
Começamos pela Praia do Leão, que fica no Mar de Fora. A visão é mais fria. A cor do mar é intensamente azul, pendendo pro Turquesa. Um vento forte do Oceano. Nosso guia apontou as pedras gigantes em frente: Viuvinha e do Leão. O nome vem de uma história de que encontraram um leão marinho morto nessa praia. E a pedra em frente tem o formato de um leão marinho. Vimos a praia de Sueste. Linda também. Desistimos da Atalaia. Queríamos ver o máximo, e lá íamos perder tempo esperando a vez de entrar. O lugar habita recifes e piscinas de um joelho de profundidade. Não se pode tocar em nada, tem que boiar. Fica pra próxima. Visitamos os arredores do porto, o museu do tubarão. De lá tem uma paisagem linda, quando se olha em direção ao Buraco da Raquel. Raquel era a filha do militar que comandava a ilha. Era para esse buraco que ela ia namorar com os soldados. Rebeldia adolescente. Terminamos a manhã passeando pela praia do Boldró, no Mar de Dentro, e nadamos na Praia dos Americanos. Por que americanos? Parece que foram os americanos que começaram a tomar banho pelados ali. A praia é pequenininha, aconchegante e deserta. O banho foi ótimo. Com ondas grandes e fortes quebrando no raso. Um cardume enorme de peixes nadava ao nosso lado. Sardinhas. A água é transparente. Isso me impressionou muito naquelas praias de Noronha. Não me lembro quando foi a última vez que consegui ver meus pés dentro do mar. A praia dos Americanos recebeu seis, e não cinco, estrelas da Sarah. Linda! Amanhã temos que voltar.
Almoço em outro por quilo, um pouco mais barato. A bateria da máquina acabou e fomos atrás de um carregador na Vila dos Remédios. Achamos, demos uma carga pequena e continuamos o passeio até a Cacimba do Padre e a Baía dos Porcos. Mergulhamos na última. O mar estava mais alto. Ondas fortes e algumas pedras. Vimos uma tartaruga, peixes. É louco quando coloco a cabeça dentro da água e olho um mundo novo. Normalmente só vejo o espelho refletindo o mundo daqui de cima, sem me dar conta que em baixo dele existe um mundo impressionante. Eu respeito.
O próximo destino foi o Mirante dos Golfinhos. Para chegar lá tivemos que percorrer uma trilha no mato. Já gostei. Assustamos três lagartões (não lembro o nome, seria Juá?). Vimos uns bichinhos que pareciam meio coelhos, meio esquilos (também não gravei o nome). Na entrada do Mirante uma pedra da minha altura, presa à ela uma placa homenageando o Sarney por ter aprovado o projeto de estudos do golfinho rotador. Quando a paisagem se abriu na nossa frente, ninguém falou. Eu fiquei extasiada com aquilo. Tinha barulho de lugar selvagem, intocado. Pássaros voavam calmamente pelo céu. Nem precisamos ver golfinhos. O horário era perfeito: 4h. O sol já estava baixando, a luminosidade muda nessa hora. Fica mais rosa e suave. Sentamos ali nos bancos de madeira protegidos por duas árvores centenárias. Meditamos. Eu mesma não consegui. Estava tão interessada em observar os movimentos da natureza que não consegui me concentrar. Foi o momento mais lindo da viagem para mim.
Passamos por mais uns três mirantes dando em cima das praias que vimos do barco um dia antes. E descemos pelo meio da pedra uma escada de incêndio, bem apertadinho. Depois se desce escadas talhadas na pedra e pronto: bem-vindo ao Jardim de Eden. Adão e Eva fariam loucuras por ali. A praia mais romântica. Ali me acendeu a vontade de ter alguém em quem pensar. De novo as máscaras e snorkeling. Ai! Entramos pelo lado direito da praia. Tinhámos que passar como por um corredor entre duas pedras: uma comprida pra cima e outra pro lado. A Sarah entrou sorrateira. Enquanto eu ainda criava coragem, ela já estava chegando no final do corredor. Falei pro guia que estava achando que o mar estava subindo. Ele me tranquilisou dizendo que se subisse a gente saía na hora. Quando o mar aumenta, se prepare para uma série de cinco ondas caprichadas. Eu entrei e consegui ir até o final do corredor. Mas era olhando pra baixo e pro lado a cada 30 segundos. Estava desconfiada do mar mudar de uma hora pra outra. Tava na cara. Queria vencer o medo. Dei umas duas braçadas para depois da pedra, olhei pro lado do horizonte e vi a formação da onda. Ai meus Deus! Cadê o Jefferson? Tava do meu lado. Menos mal. Quando a onda chegou em nós ele disse: busca areia! Hein? Lavagem de roupa. Quero sair agora pelo amor de Deus! Ele devia estar achando graça. Fomos mais pro fundo pra poder pegar a onda antes de quebrar. Ela quebra inteirona, com som de trovão. Depois que saí, olhei pro mar e não vi a Sarah. Tinha até esquecido. Lá estava ela, batendo perna tranquilamente com a cara enfiada na água. Só que ela não percebeu que estava no cume da onda. Quando vi, já era tarde para gritar. Levou um rola. Saiu bêbada de dentro da água, sorrindo.
Pegamos o caminho de volta. Já estávamos exaustos, mas queríamos ver o pôr-do-sol de um pico legal. Tentamos e não conseguimos chegar a tempo para ver o sol se por no Mirante do Padre. De noite fomos pro forró do Bar do Cachorro. Foi a primeira noite que saímos.
Último dia. O buggy ainda estava com a gente. Cada uma escolheu o seu lugar favorito e seguimos destino. Primeiro fomos para a praia dos Americanos. Tentamos tomar banho peladas, mas uma raia bastante grande rapidamente nos fez chispar da água. Tomamos sol, meditamos, tiramos fotos. Quando cansou, fomos para o Mirante dos Golfinhos. Tinha duas meninas do Ibama observando o movimento dos golfinhos. Um grupinho apareceu. Nos despedimos. Fomos para a pousada, arrumamos as coisas e fomos comer no restaurante do primeiro dia.
Cansadas, com vontade de ir embora, desgostosas com o tratamento das pessoas da ilha, nos alegramos de termos visto o que deu vontade. E só o que foi possível. Voltarei para ilha pela natureza, pelos lugares que não conheci, para o mergulho também. Mas o pessoal que trabalha na ilha precisa de algum tipo de instrução de como fazer com que as pessoas queiram voltar também por eles. Se a ilha virou ponto turístico, as pessoas precisam aprender a lidar, ajudar e entender o turista. Foi lindo! Valeu a pena. Sonho realizado! Estou pronta para uma nova aventura!

sábado, 11 de abril de 2009

Fim de semana na Paraíba


Tem um lugarzinho encantador no interior do Estado da Paraíba que se chama Bananeiras. O nome dado à cidade é por causa mesmo das bananas. Há grandes extensões de bananeiras. Fica a uns 400 metros acima do mar e é formado por vales repletos de frutos, plantas e árvores. Faz um friozinho agradável a noite, no entanto, durante o dia, o sol é tão forte e quente quanto nas praias daqui. Fomos para lá há três semanas fazer trilhas ecológicas. Você deve saber, mas vou esclarecer assim mesmo: é uma atividade do turismo que envolve caminhadas pelo meio de matas ou florestas, reconhecimento da flora e da fauna, alguns desafios no percurso e aventura. Existem muitos níveis dentro disso, basta escolher.

O nosso foi suave. Andamos no primeiro dia até a cachoeira do roncador. Uns 5km mais ou menos, de subidas e descidas no meio de alguma fazenda e mata. Nem pude a creditar quando vi que a cachoeira era de verdade. Aqui no nordeste fica difícil acreditar, muito seco, no verão os rios menores secam, os poços secam, não tem chuva. Aí ver uma cachoeira digna de nome, foi incrível! Tomamos banho rapidamente e partimos para o almoço, em uma cidade próxima chamada Areia. Foi ali que nos hospedamos, uma pousada aconchegante com vista pra um vale. Espetáculo. Almoçamos tarde e fomos direto para a UFPB, ver como é linda. Muitas árvores, plantas e canto da cigarra. Voltamos pra pousada, tomamos banho e já fomos comer pizza.

O grupo era de 30 pessoas. Todas as idades. Quase ninguém foi pro forró pé-de-serra, estávamos exaustos da viagem e da caminhada do dia. Devem ser uns 25o km até essa região, saindo de Natal.

No outro dia, todo mundo descançado, de barriga cheia de banana com melaço (especialidades da região), fomos para a a caminhada mais pesada. Uma trilha mais íngrime que da véspera, mais paisagens também. Saímos de Areia em direção a Lagoa Verde. O destino era o engenho que fabrica a cachaça Volúpia. Andamos por trilhas no meio de vales, sobe e desce, um menino se machucou, escorregou no cascalho e abriu o joelho. Pequena tensão, mas os primeiros socorros foram perfeitos e um motoqueiro levou o rapaz para o hospital. Ele levou 5 pontos. Foi puro azar, e alguma cerveja da noite passada.

Pelo caminho encontramos casebres de barro ou tijolo cru, pessoas magras nas janelas, vendo a comitiva passar. Vi também cada vaca gorda, uns burros habilidosos e cavalos majestosos. Depois de 1h30 andando pelo vale, chegamos à entrada da trilha que começa beirando um rio nada largo. Muitas pedras grandes, e escorregadias. Aqui começa o nível 3, afirmou o guia. Descemos correnteza abaixo, pulando, escalando e escorregando pedras. Deu um medinho, confesso, mas a emoção e companheirismo da galera equilibra. Chegamos a mais uma queda d'água. Nessa eu entrei de baixo literalmente, que bela massagem. Cada um ganhou um pedaço de rapadura pra chupar. Parece que dá energia, revitaliza, mas é tão doce. Continuamos descendo pelo leito do rio até chegar a uma barreira. Lá tinha um pessoal da terra, cozinhando feijão. Crianças brincavam nas pedras e pulavam na água com o auxílio de um cipó.

O ônibus nos levou direto pro engenho. Achei que a comida estaria pronta, mas não. En attendant, experimentamos as cachaças, especialidades da casa, de banana, abacaxi, cravo e canela, acerola, cajá, entre outras. Bateu no estômago e ban! Comi igual flagelado: galinha caipira, macaxeira, arroz, feijão verde, farofa e vinagrete. Hum. Estava delicioso.

Volta rápida à pousada, banho, juntamos as coisas e entramos no ônibus de volta pra casa, pra Natal. Amanhã já era segunda-feira, dia de branco, como diz Ana Luiza.