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segunda-feira, 12 de março de 2012

Querer a morte

Eu gosto tanto da vida, que quando escuto alguém dizer que quer morrer, começo a chorar descontroladamente. O pior é que hoje duas pessoas bem íntimas me disseram isso: Quero morrer! Que droga. Fico chateada, e depois de chorar lágrimas pequenas, parei pra pensar, pô, se essas pessoas querem morrer, que morram! Depois, horrizada com meu pensamento radical, tentei entender: são pessoas talvez com pouca maleabilidade, sem senso de adaptação, acredito que ambas devido a idade e educação. Eu já pensei em morrer, mas foi em tempos remotos, com o coração partido, era mais um final dramático de um romance de férias. Mas morrer para fugir da vida, dos problemas, das dificuldades não; não é isso que faz a vida mais rica, bonita e aguça nossa criatividade?
Pois bem, depois de aqui começar a colocar meus pensamentos, fiquei mais tranquila. Cada um que cuide de seus dragões. Eu faço o que posso pra ajudar, mas não me venham acanalhar o dia, que já começou meio nublado, mas que depois do balde de água fria, aí que eu tive mais vontade de viver, de acontecer, de lutar. Beijo e boa semana!

sábado, 3 de março de 2012

Bomba?!

Para uma amiga

Tempo de partida.
Pra longe, por amor.
Deixo tudo, menos meus livros, meus vestidos e minha dor.
De coração partido, parto, mas alegro-me em saber que lá me espera o amor.
Tenho medo.
Mas a coragem é maior e a vontade de estar com ele é imensa, intensa.
Ele me espera. Me quer perto dele, para sempre.
Para sempre...
Sempre é vago, nublado, escuro.
Quebrei um candelabro de vidro agora pouco.
Foi nervoso, que novidade maluca.
Bombástica, me disse.
Realmente.
Meus pés estão no chão, mais firmes do que nunca.
Não sei o que faria se tivesse que deixar meus bichos para trás.
Quero assumi-los até o fim. E os filhos?
Kalil Gibran diz que os filhos criamos para o mundo.
Entenderão eles minhas razões? Minha paixão? Meu fundo?
Julgamentos não faltaram nem faltarão.
Mas eu preciso ouví-los, saber o que os outros pensam, busco apoio, mas só recebo nãos!
E isso me dá força: quanto mais nãos eu ouvir, mais forte vou ficar.
Quero casar de verdade, de papel passado, com homem ajoelhado fazendo pedido romântico.
Poemas, palavras, gozo animal. Isso eu não posso aqui e tenha lá.
Vou embora. Adeus vida antiga. Mas eu volto, daqui um ano, com um pai pra minha filha.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Recicle!

Hoje em dia, quase tudo pode ser descartável. Se pensarmos na construção cívil, por exemplo, o material mudou, a qualidade caiu e um aparamento comprado novo hoje tem uma duração muito menor do que aquele que foi construído 10 anos atrás. Usou, venceu, jogue fora! Substitua! Essa é a regra.Plástico para todos os lados. Eletrodomésticos produzidos com prazo de válidade, pilhas, baterias, carros, etc., os fabricantes fazem de propósito, para que o mercado continue crescendo. Consumo, consumo e consumo. Somos influenciados por belas e bem elaboradas propagandas. Por que o mercado publicitário funciona tão bem? Porque funciona. Quem não se imgina numa Land Rover, aventurando-se pelos 4 cantos do globo? É achar que preciso daquele produto para ser feliz. Será?
Infelizmente, e de certa forma, esse tipo de pensamento também vem alimentando as relações humanas. As pessoas também estão descartáveis. Sentimentos são rapidamente atirados no lixo diante do primeiro contra-tempo. Estava lendo em Barthes que pode acontecer (e acontece com frequência, pare pra pensar!) de uma pessoa amar mais o amor do que a pessoa "amada". Esta última pode ser trocada; o importante é manter aceso esse sentimento que tenho em mim, o de que amo. Não quero aqui generalizar os relacionamentos. Mas vamos pensar no geral. Li uma reportagem no jornal Le Monde falando do Dating e dos sites de relacionamento. Você já ouviu falar? Na matéria, encontramos depoimentos de homens e mulheres que se filiam a agências ou sites de relacionamentos que a partir do seu perfil selecionam as pessoas mais adequadas para você! Nossa, como ficou fácil!?! Basta você seguir os passos bem direitinho, sem trocar as pernas nem se jogar loucamente no abismo, que no final, o casamento está garantido! Mas e o amor? O coup de foudre? O enroscar-se? O que não é ensaiado, mas sentido? Eu não me conformo. Que tipo de fenômeno social é esse que leva as pessoas a darem mais valor ao virtual que ao olho no olho? E a tradição permanece...

Como professora, observo os jovens vidrados em seus modernos telefones celulares, que quase falam, e ficam ali hipnotisados, entre uma página na internet, uma mensagems de texto, um telefonema, pastas de música etc., etc., etc. É uma loucura. Posso parecer retrô. Mas não sou. Gosto da tecnologia, de estar escrevendo num blog, de poder pesquisar, falar com amigos distantes, enviar uma "carta" e saber que ela vai chegar para alguém em um simples clique. Mas também sei que não é a mesma coisa que receber uma carta pelo correio (romantica?), ou sentar num bar e conversar pessoalmente com um amigo. Conhecer naturalemente uma pessoa sem ter sido um encontro programado, sem aquele peso do "tem que dar certo", porque os perfis combinam.
Quando digo Recicle! é para reavermos o sentido dos verbos querer, amar, adorar, dividir, entre tantos outros, que hoje estão associados a uma mercadoria descartável. "Mãe, quero isso!", "Amo chocolate", "Adooooooro!", "Gosto daquilo", "Vocês dividem em quantas vezes?", até um novo ataque da moda e da publicidade. O que você quer, ama, adora, divide nessa vida?

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Performance

As relações humanas são muito difíceis. Me sinto enormemente impotente. Existem pessoas que criam regras pra as outras seguirem, mas elas mesmas não as seguem. Outras, que só vêm o Ó do boragodó e te chamam de peste. Hoje estou triste. Acordei bem, mas trinta minutos depois já estava aos berros, discutindo a relação. Ai, que droga. Perdi toda a minha energia. Quero sair de casa, mas algo me prende. Quero viajar, mas algo me impede. Quero ir, mas fico. É tudo um circo. Ontem vi umas apresentações de projetos artísticos, onde as pessoas expõe o mais íntimo de si. Testam o corpo e os sentimentos ao extremo. Mas como serão suas vidas? Pensei numa performance: Uma caixa, onde duas pessoas cabem apertadas, numa praça movimentada ou numa feira. Na porta, uma placa "Eu quero dar. Quem quer comer? É gratis!" Eu, acolhendo as pessoas. Os voluntários, loucos para salvar-me do desespero, ao entrerem no quartinho, descobrem uma bandeja cheia de doces caseiros, e escolhem o que comer. Dava pra rir bastante. Esse tipo de performance é divertido. Mas e a performance da vida? Na artística, a gente embala as coisas e vai pra casa quando já não tá dando mais, ou o cansaço chegou; mas na vida, é mais difícil empacotar e sair fora. Quero gritar, mas a voz não sai. Apesar que quem vive de arte, não sai também, porque vida e arte se misturam. Mas isso não acontece com todo mundo? Somos todos atores? Hoje tenho muitas perguntas. E nenhuma resposta.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Anti-política, por Filipe Moreno


não dá
pra ficar só
Quem tem aversão a si mesmo.
Quem, para não ficar só
Cria uma versão de si mesmo.
e associa-se, avesso que seja
A quem quer que seja
Só para sonhar
ser o que não é.

Salve a solidão sincera
e bem acompanhada!

Salve a associação sadia
e desinteressada!

Salve a ciência de se estar só
e ainda assim, saciar-se só de si.

Pois só quem sabe ser Sol
pode brilhar
por si
só.


Filipe Moreno 10/10/10

domingo, 3 de outubro de 2010

Boemia

Começou com um jogo do Fluminense contra algum outro time. Domingo, 4h da tarde. Encontro marcado num "pé sujo" do bairro. O jogo acontecendo e nós na verdade muito mais interessadas na conversa jogada fora e nos goles de cerveja. O dono do bar, já depois de muito o jogo ter terminado, veio dizer que a cerveja acabara. Não acredito! Atravessamos a rua para a saideira no bar da frente.
Olha como na vida coisas incríveis acontecem. Já instaladas e de copo na mão para brindar a vitória do Fluminense e outras coisas mais, escuto o som de um violão. Prestei atenção na melodia, e acreditem se quiserem, era João Bosco que estava sendo tocado. Duas de nós se levantaram para ver quem era o tocador. Descobrimos uma mesa cheia de coroas, fazendo a mesma coisa que nós, apenas com um detalhe grandioso que era a música. Toca mais! pedimos exitadas. Ele tocou mais duas com o nosso acompanhamento, e achamos melhor deixar a mesa dos senhores pra não incomodar mais. E não é que segundos depois todos eles se mudaram para a nossa mesa, empolgadíssimos com a nossa alegria ao ouví-los, e foi uma seresta boa. Cantamos até o dono do bar mandar a gente parar por causa dos vizinhos. Ah, mas já?
A sintonia foi tão boa, com uma alegria de viver o momento presente, que no sábado seguinte, fizemos o mesmo programa, e encontramos os mesmo senhores, nas mesmas condições. Só que o dono do bar nem esperou a gente começar a cantoria, censurou o nosso projeto de cara. Vamos tocar onde? Sugeri um bar espanhol perto de casa, que tem um jardim e pode fazer barulho até às 0h. Todo mundo topou e lá fomos nós. Estava tudo tão perfeito, como poderia melhorar? E melhorou, porque lá encontramos um argentino de voz surpreendente que nos presenteou com boleros e tangos, até as 2h da manhã. Foi lindo! A madrugada, momento dos boêmios, é um bom lugar de ser vizitado de vez em quando.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Gente, acabei de falar com o presidente!

Acreditem, o presidente Lula acabou de ligar pra mim! Perdi o chão.
O telefone tocou. Quem será?
Alô?!
A Wilma. Meu Deus.
Me ofereceu os serviços de senadora.
E logo em seguida o Lula-lá falou.
Bem convincente o papo.
Mas a única coisa que me veio à cabeça: como foi que conseguiram meu número de telefone???
Assédio. Pensar que devem ligar pra trilhões de casas.
Achei agressivo. Ligar pra casa da pessoa com uma mensagem gravada, que loucura.
Estão apelando.
Não sei se sou do contra, mas esse tipo de atitude me faz olhar pros lados e pensar em que eu vou votar. Em outro, não neles. Se fazem isso, já não concordo. Não concordem!
Nos empurram campanha pela guela.
Evito assistir o horário eleitoral. Assisti uma vez só. Achei patético.
Santa ignorância.
E mais essa.
Já fico pasma quando descubro que o Itaucard descobriu meu novo endereço.
Ou a Credicard, o meu número.
Agora essa.
Como é que pode essa invasão de privacidade?

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Uma questão de energia


Essa semana meu carrinho resolveu dar problema... Tem mês que sou eu, tem mês que são os gatos, e tem outros que é o carro. Nunca estamos livres disso, sempre vai ter alguma pedrinha dentro do sapato. E é mensal. Uma maravilha! A massoterapeuta disso que problemas sempre teremos, o lance é saber lidar com eles: ou arrancamos os cabelos a cada contra-tempo, ou encaramos com tranquilidade (racionalidade, disse ela) e sorriso irônico. Eu confesso que oscilo entre uma e outra, mas quando acumalam-se os imprevistos, eu puxo a cordinha do f...-se e jogo pro universo. E é aí que vejo ou escuto as coisas mais interessantes.
Lá fui eu cedinho levar o carro, pro menino ver se tinha saído toda a ferrugem do bloco do motor (a água do radiador estava amarela). Fora isso, tive um vazamento na caixa de marcha, problema rapidamente resolvido (e pago)! O ácido que eles colocaram terminou de furar a mangueira que já tinha sido levemente comida pela correia do ar-condicionado. Resolveram colocar o ácido come-ferrugem de novo. Ai, Henrique, esse troço vai comer todo o meu carro. Que nada, ele só come ferrugem, fica tranquila.
Enquanto o mecânico terminava de ajustar o carro e esperava o ventilador acionar, o Henrique, dono da oficina, comeceu a falar enfaticamente sobre os prédios que cresciam ao redor de sua oficina. Do problema da água que aquilo causara. A poluição do lençol fréatico de Capim Macio. Da falta de consciência dos ricos. Do governo colocando a culpa nos pobres. Falou em Dubai e suas construções homéricas. "Sabe por que eles estão torrando toda a grana do petróleo? Por que esse tipo de energia está acabando, é uma porcaria! Pagamos muito caro para perfurar, extrair, etc. Os carros são mais caros por causa das substânicias necessárias para neutralizar a fumaça. Aqui no Brasil a gente podia estar investindo na energia solar e eólica. Os carros seriam mais baratos e leves, e vocês mesma poderia recarregar seu carro numa grande bateria (energia solar). Outra coisa é pedir pra gente que é pobre a ter mais consciência. Não gastar tanta água. Pode? Eu passo o dia todo aqui trabalhando, aí chego em casa e tenho que tomar um banho de menos de 10 minutos? Enquanto isso a madame liga um dia antes de chegar no hotel e pede pra eles esvaziarem a piscina com cloro e encher de novo só com água, porque o cloro estraga o cabelo dela... Ou então a indústria de ferro que gasta água que só a bixiga pra esfriar o ferro, e estocam esse ferro, porque nem tá tendo saída. Imagina pedir pra eles pararem de produzir, pra produzir só o que o mercado demanda? Nunca. Aí nós é que temos que tomar banho rápido? Eu não, trabalho pra isso, pago minha água, tomo um banhão de 20 minutos. Sabe, a gente tá alimentando um bando de gulosos, circulando com esses caminhões podres que nem carburador têm, soltando fumaça e poluindo o ar. O trem, por exemplo, é o melhor para transporte de cargas. Mas não, quem ganha dinheiro com isso não quer abrir mão. E esses prédios (apontando para o prédio em frente)? sabe que os traficantes se enfiam todos aí nesses prédios. Você já viu a polícia fazendo batida em prédio assim? O traficante compra um pra ele, no nome dele, claro, e outro, onde ele põe as coisas que não prestam, no nome de um laranja. Aí, nunca que alguém pega ele! Fora isso, pra que esses prédios tão altos? Antes, quando cheguei aqui, uns 20 anos atrás, só podia construir prédio baixinho..." Aí eu perguntei pra ele como é que a cidade fazia pra crescer, se não fosse pra cima. Ele se exaltou e disse: " Crescer? Tem que crescer pros lados, tá cheio de lugar aí pra se crescer. Por que esse povo não vai pra Japecanga??? Não, as pessoas gostam é de morar tumultuadas, aglomeradas, feito pombos!"
Depois dessa, o ventilador começou a rodar e eu fui embora. Deu vontade de dividir com vocês um resumo das teorias do mecânico. Ele falou muito, mas a memória não ajuda... Acho que esse cara entende muito dos problemas do mundo, melhor do que um monte de pessoas reunidas, em volta de uma mesa, criando teorias; porque ele vive o dia-a-dia, e não supõe as dificuldades, vive dentro delas.

sábado, 19 de dezembro de 2009

Le chien à Toto

Il était une fois un chien de rue, qui n'avait jamais connu la joie d'être aimé. Il était si moche que personne n'osait même pas le caresser. Pauvre chien, il a grandi dans un sentiment de haine et incomprehension inimaginable.
Un beau jour, Toto se promenait dans la vie, et il a remarqué ce pauvre chien maigre et ignoble. Il s'est dit: "Je vais prendre ce chien pour lui apprendre à être comme moi-même ". Avec beaucoup de soin, il a appris à ce chien l'art de l'ignorance, se montrant le meilleur ami. Mais toujours avec quelque souci, car le chien mordait de temps en temps. On ne peut comprendre ce qu'elle a soubi cette pauvre bête fétide avant rencontrer son maître.
Toto lui a tout appris, de A à Z: "je suis le meilleur, je suis parfait". Le chien, qui ne comprenait pas les effets d'un mirroir, a été surpris de penser la même chose: Je suis parfait! aboyait-il tous les matins.
Tous les jours, il allait travailler avec Toto, pour se venger des temps passés dans la rue, oublié. Il mordait quelques jambes, pissait quelque poteaux, histoire de laisser sa marque.
Il dérangeait tout le monde, mais personne n'avait le courage de lui dire combien il était incohérant. Jusqu'au jour qu'il s'est ramassé un pied au cul, que lui a fait partir en boitant, de douleur et de honte.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Assédio Sexual - Parte 1


- Nas duas primeiras semanas de trabalho, que começou no dia 5 de agosto de 2008, aprendi a conviver com o meu chefe, elogiando minha roupa, meu cabelo. Até que um dia me perguntou a cor da minha calcinha. Eu disse que estava passando dos limites.

- Foi para Mossoró fazer uma campanha política. Pelo telefone fazia insinuações, sempre insistindo na cor da minha calcinha. Eu pedia pra ele parar, queria tratar dos assuntos profissionais, mas ele sempre insistia e dizia que no fundo sabia que eu gostava, “um pouquinho não é”. Não!

- Depois vieram as conversas no msn (as duas últimas estão no processo). A primeira resulta de uma visita que ele fez a Natal e a esposa, durante a campanha, que durou um dia. Passou pela empresa, e gostou da minha blusa. Nesta altura eu estava irritada com a situação, não falava mais com ele, só o essencial do trabalho. Ele percebeu, mas não se conteve e me mandou um sms, dizendo “ADOREI sua blusa hoje... hehehe... Bjus, se cuida!”. Deixei pra lá. No outro dia entrou no msn e falou de novo da blusa, insistente. Ela não tem nada de mais além de ser discreta e elegante. Depois, na última conversa pelo msn, não agüentei e briguei com ele. Logo em seguida me ligou dizendo que eu tinha que entender o jeito dele, que ele era assim, mas que tomaria mais cuidado comigo para não me ofender.

- depois disso não tivemos mais problemas, até ele voltar de Mossoró e voltar a trabalhar na empresa como editor. Foi no dia 5 de outubro.

- Logo de cara fez questão de me deixar desconfortável com sua presença. Me barrava a passagem quando eu queria sair da minha sala, ficava na porta olhando pra minha cara, com olhar insinuante. As vezes, eu ia na sala de edição mostrar algum orçamento mais complicado de fazer, pra pedir auxilio, e ele me dizia que o que eu estava merecendo eram umas boas palmadas. Isso ele já dizia ao telefone, quando estava em Mossoró. Outra vez que fui tirar duvida sobre um roteiro, e qual seria o áudio que pegaríamos, ele me disse tudo e quando já estava no corredor pra voltar pra minha sala, ele fez “Psiu”, eu já olhei meio sem vontade. Ele fez uma cara de tarado e dobrou o braço com o punho em riste como quem diz: “to de pau duro”. Saí enojada.

- Até que umas duas semanas antes de eu sair, a situação piorou drasticamente. Ele começou a passar o dia todo na empresa, e quando se cansava de trabalhar, vinha na minha sala, sentava na mesa em frente e ficava falando da vida intima dele a da esposa, do tempo que eles não transavam, do sexo oral que havia rolado entre eles e mais nada por causa do enjôo da mulher que estava pra dar a luz, que ele estava necessitado, precisava gozar, “não há nada melhor do que gozar, do que o sexo!”. E disse que era a favor do sexo pelo sexo, que naquele momento precisava de uma amiga que transasse com ele sem se apaixonar, só pelo prazer da transa, porque garantiu que ele era muito bom de cama, que sua maior preocupação era o prazer da mulher. Não agüentaria olhar pro rosto da mulher insatisfeita na cama.

- Neste mesmo período, veio por trás, pegou meu cabelo num maço, e puxou como quem está cavalgando um fogoso “cavalo”. Você gosta disso? Perguntou com aquele sorriso insinuante. Gritei e mandei ele soltar, não me encosta! Ele disse pra eu ficar quieta!

- Pela primeira vez cheirou meu cangote, sai daqui! eu disse, e ele respondeu que não estava fazendo nada de mais, que eu estava exagerando. E ainda me perguntou qual a marca do perfume pra disfarçar.

- Na quinta-feira, 6 de novembro, foi a última vez que ele me encostou. Era de tardinha, eu estava de pé, falando no telefone do fax, perto da parede, virada para a janela, negociando um orçamento com a TP Publicidade, tentando entender melhor como era o VT que eles queriam fazer. Ele chegou sorrateiro, de um jeito que eu não percebi, até que me encostou por trás e deu uma longa fungada no meu cangote. Ele estava tão perto e inebriado, que consegui acertar uma cotovelada nele e disse pra ele sair de perto de mim e me deixar trabalhar. Ele saiu rindo. Ainda fiquei até o final do expediente, para receber o salário do mês, que já estava atrasado. Mas eles não pagaram ninguém!

- Na sexta eu não fui trabalhar, não queria mais trabalhar, estava com nojo. Só queria receber e nunca mais ouvir falar nele, nem na empresa.

- Segunda-feira fui buscar o dinheiro. Ele não estava na empresa, também não atendeu o telefone pra me dar alguma explicação. O celular estava desligado, assim como o da esposa e o telefone da residência chamou e ninguém atendeu. Liguei pro pseudo-sócio, que disse que isso era com o chefe e não com ele, mas que poderia tirar da conta dele e me dar na hora do almoço. Infelizmente não peguei esse dinheiro. Peguei minha bolsa e fui embora. Umas 11h o chefe me ligou como quem não quer nada. Falei muito do que pensava sobre o funcionamento da empresa e das atitudes dele e do “sócio”. Estava muito nervosa, mas no final da conversa estávamos numa boa. Até me convenceu de trabalhar no outro dia pra deixar as coisas em ordem para a próxima pessoa que fosse ficar no meu lugar. Eu aceitei com a condição que ele deixasse meu dinheiro na gaveta do escritório, era a minha garantia.

- Cheguei na terça as 8h no escritório pra fazer tudo logo e poder dar um fim naquela história. Só que ele não deixou o dinheiro, meu salário, aí foi o fim. Além de agüentar as investidas sexuais dele, ainda era enganada. Liguei pra ele na hora, perguntei pelo meu pagamento e ele me xingou, disse que não era criança e me mandou sair da empresa e esperar ele na rua, que ele já estava chegando. O Paulo chegou em 15 minutos. Contei a real, disse porque estava saindo pra ele, por causa do assédio sexual do colega empresário. Ele me disse que não era nem a primeira nem a ultima vez que ele fazia isso, que era compulsivo... E eu com isso? Logo ele foi embora.

- depois de 2 horas de espera na rua, no sol, o outro editor me chamou, disse que era pra eu subir e assinar um recibo e ir buscar o dinheiro na Praça das Flores. Eu já estava aos prantos, muito nervosa, liguei e disse que não ia. Em 5 minutos ele chegou ameaçador, gritando e xingando, jogou os 500 reais na mesa como se estivesse me fazendo um favor. Aí eu disse a razão da minha partida na cara dele, na frente do outro, aos berros pra vizinhança toda ouvir. Quando eu disse que estava saindo por causa do assédio dele, ele me perguntou se eu não agüentava pressão. Desde quando assédio sexual é algum tipo de pressão admissível?

- Assinei o recibo e parti.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Onde foram parar os xavequeiros???


Na noite quente de Natal encontro todo tipo de gente. Caretas, carecas, cacetes! E tem também os doidos, desvairados, desmiolados. Confesso que atraio mais gente da segunda que da primeira categoria. Até porque me enquadro melhor nesse grupo. Mas já não me sinto tão ligada assim à uma loucura irresponsável de fazer o que dá na telha. Meço melhor meus passos, para não pisar em falso e quebrar o pé. Torcê-lo já é suficiente pra eu acordar, hoje em dia. E como as coisas mudaram desde minha juventude inocente!

Verdade que nunca tive como foco da balada sair catando homens por aí. A primeira coisa que penso quando vou sair é que quero curtir o som e me divertir. Se rolar alguma coisa rolou. Vai saber onde e quando você vai encontrar a tampa da sua panela, né? Mas, estranho muito quando vejo que os papeis se inverteram na noite (e no dia também, as vezes), e que são as mulheres que escolhem e marcam - igual cachorro esguicha postes e arbustos - aqueles caras que já são delas, porque elas escolheram, viram primeiro, e tem vontade da pegar, mesmo que não seja nesta noite, mas numa futura. E as outras tem que dar o fora, fugir dele. Questão de respeito. Pessoalmente, acho isso muito falso e egoísta. Quem é que queremos enganar?

Pois bem, pegar, para aqueles que não sabem, significa, muitas vezes: agarrar, dar uns amassos, levar pra cama (nem sempre) e depois tchau! Acho triste.

Elas andam à sua volta perguntando se você vai pegar, ou não. E no final das contas, quando vêem que o cara tá afim mesmo da outra e não dela, para não dar o braço a torcer, chegam no ouvido e dizem: "Pode pegar! Já pegou? Depois me conta!". Um saco. Me pergunto sempre: o que será que eles acham disso? Será que percebem esse joguinho indecente? Viraram objetos de desejo e possessão. Centros de intrigas e fofocas. Homens! Elas espalham tudo por aí: tamanho, performance e qualidade. Inverteu, não inverteu? E os homens (não todos, eu espero!) estão mais frouxos, fracos ou sem coragem. Esqueceram como fazer. Já faz muito tempo que não levo uma cantada decente... O que eles conseguem fazer pra mostrar que estão afim de você, é colocar a mão na sua cintura, ou então no seu ombro, tentando te proteger de um perigo inexistente. Aí eles esperam um momento no qual você vira pra ele, pra comentar qualquer coisa sobre a festa, e bah!, tentam te lascar um beijo! É muita falta de artifícios. Eu não beijo, viro a cara mesmo! Qual é?

Onde é que foi parar o Homem com H maiúsculo? Um macho de respeito, que sabe tratar a mulher como mulher, e ser homem como o homem deve ser. Nascer homem, ou nascer mulher, na minha opinião, já é muita diferença, é como se fossem criaturas de dois planetas diferentes, e cada um tem seu jeito de ser. Então por que há essa inversão de atitudes? Pode ser que eu esteja andando com a turma errada. Ou que eu esteja equivocada quanto a tudo o que disse acima, que esse seja apenas um caso particular, não sei. Mas já faz tempo que eu não encontro um homem que possa me interessar, que me deixe com as pernas bambas e o coração acelerado. Faz muito tempo!

Tá certo que nós, mulheres, adquirimos independência, somos mais livres, podemos escolher o par que nos convém; trabalhamos, estudamos e assumimos cargos cada vez mais altos. Competimos, votamos, participamos da sociedade ativamente. Mas será que a mulher tinha também que assumir essa postura de macho?

Sempre achei que o homem gostasse de caçar, de ter desafios. Conquistar uma mulher deveria ser como subir uma montanha, árduo e desafiador, mas, quando se consegue atingir o topo, a sensação de prazer, felicidade e satisfação é enorme. Mágico! Lindo! Quem já subiu uma montanha de verdade, sabe do que eu estou falando. A conquista é importante, tem quem diga que é a melhor parte, o jogo do homem e da montanha, cedendo e tirando, até o fim. Muito romântica? Acho que não. Hoje em dia pula-se todas as etapas direto pra cama. E acho incrível depois não entender aquela sensação de vazio... Nada contra o sexo casual. Tô reclamando da falta de criatividade dos homens e mulheres, do espírito nada esportivo, sei lá. As pessoas estão conformadas: já que vamos terminar mesmo na cama, por que não irmos direto pra lá?! Porque não! Muito sem graça.

As mulheres (muitas, mas não todas) se tornaram caçadoras também, os homens estão meio perdidos e não sabem mais como fazer. Estão inseguros. Eu sinto isso. Aí, como eu não tenho nada de caçadora (acho que sou romântica mesmo), sou muito mais espreitadora, segundo o Castañeda, fico aguardando um homem de verdade cruzar meu caminho. Será que ele ainda existe? Ou estão todos sob a mira feroz das mulheres fogosas, de cios eternos? Espero que não.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Entrei pelo cano

Isso só não pode ser agradável!

Imagina vc literalmente escorrendo por um cano apertado, sujo, com teias de aranhas, fungos, espremido e sufocado até chegar do outro lado. Não é uma sensação boa. Mas se vc levar pro lado positivo, seguindo o passo-a-passo da autoajuda, pode ver algo de bom nisso. Nunca mais vai querer entrar pelo cano, e para isso, vai ficar mais esperto com os 'canos' que possam pintar na sua doce vida.

Mais uma vez me deixei iludir pela oportunidade 'na mão'. Topei um trampo maneiro, muitas horas, pouco dinheiro, mas o trabalho em si, parecia interessente. Aí pensei (como sempre), por que não?

Não tô fazendo nada de mais, tenho 'só' a monografia pra escrever, ler uns livrinhos pra faculdade, cobrir as horinhas da bolsa de extensão, participar de alguns eventos 'bobos' na universidade, e cuidar do meu lar doce lar. Acho que não vai ser muito puxado. E ainda ganho um extra. Vai ser ótimo!

Durou 3 meses.

Realmente não me atrapalhou muito na realização das tarefas citadas acima, só que eu ignorei um detalhe (que eu sempre ignoro): a convivência com as pessoas. Isso sim pode atrapalhar uma vida. Tem certos tipos de pessoas que não são boas para conviver. Uma energia pesada, mal-carateres. No começo levei as histórias na brincadeira, brincadeiras de mal gosto, mas tudo bem, o primeiro mês, de novidade, passou numa boa, conseguia até estudar durante o expediente. Veio o segundo e as brincadeiras foram perdendo a graça, ficaram mais pesadas, começaram a mexer em assuntos particulares, falar de sexo e a zoar com o dinheiro. A intimidade é uma droga! (quando não há respeito, claro)

O que eu achava errado, eles faziam na maior tranquilidade. Tapear os outros, mentir, falar de intimidades, usar a palavra como arma para a pilantragem, e pior ainda falar da vida sexual. Não confunda pilantra com malandro. Existe um fio tênue que proteje os malandros de acusações mais pesadas. No entanto eles também podem se confundir e ultrapassar essa linha, num tropeço. E sempre tropeçam, é muito dificil se manter por muito tempo de um lado apenas. As facilidades (perigosas) que a pilantragem oferece são tentadoras.

O assédio, muitas vezes disfarçado em silencios e olhares. Até que partiu para o toque. Nada muito pesado, mas uma puxada de cabelo, umas palavras susurradas ao ouvido, insinuações. Fui pegando nojo, tendo raiva, vontade de falar palavrões. Que angústia estava sentindo. Quando falava mais alto, me mandava calar. Chiuuuuu! Desgraçado!

O pior que nestes momentos eu não sabia o que fazer, as vezes ria, as vezes ignorava, as vezes brigava. Mas já estava ficando sem forças para toda hora estar dizendo: Ei, para com isso, sai daqui, me deixa em paz!

O dia fatídico veio numa quinta-feira de novembro. Cheirou meu cangote, depois seu funcionário fez o mesmo. Dei um chega pra lá no último, e uma cotovelada e um grito no primeiro. Que invasão. Babacas! Só piorou. O que tinha que efetuar o pagamento da galera chegou 10 minutos depois da hora do banco fechar, que azar... Atrasou o pagamento, isso já estava no segundo dia de atraso... Parece que isso é normal aqui no Brasil, pelo menos nos fazem pensar assim, mas não é! Isso é coisa de amadores e pilantras sem-vergonhas.

Saí do emprego, xinguei ele pelo telefone, mas logo começou a falar e me chavecar, pra eu ficar tranquila. Queria me convencer a continuar trabalhando. Não sei o que passa pela cabeça. Mas acabamos numa conversa tranquila. Não fiquei puta até o final. Nem falei pra ele nada sobre o assédio pra justificar a minha partida. Não sei, acho que sou tonta. Deixei passar, disse tudo, menos isso. Claro que não vou voltar a trabalhar pra ele. Mas, será que processo?

domingo, 19 de outubro de 2008

A liberdade

Li hoje:
"O mundo jamais o desencorajará de operar na configuração padrão, porque o mundo dos homens, do dinheiro e do poder segue sua marcha alimentado pelo medo, pelo desprezo e pela veneração que cada um faz de si mesmo. A nossa cultura consegue canalizar essas forças de modo a produzir riqueza, conforto e liberdade pessoal. Ela nos dá a liberdade de sermos senhores de minúsculos reinados individuais, do tamanho de nossas caveiras, onde reinamos sozinhos.
Esse tipo de liberdade tem méritos. Mas existem outros tipos de liberdade. sobre a liberdade mais preciosa, vocês pouco ouvirão no grande mundo adulto movido a sucesso e exibicionismo. A liberdade verdadeira envolve atenção, consciência, disciplina, esforço e capacidade de efetivamente se importar com os outros - no cotidiano, de forma trivial, talvez medíocre, e certamente pouco excitante. Essa é a liberdade real. A alternativa é a torturante sensação de ter tido e perdido alguma coisa infinita.
Pensem de tudo isso o que quiserem. Mas não descartem o que ouviram como um sermão cheio de certezas. Nada disso envolve moralidade, religião ou dogma. Nem questões grandiosas sobre a vida depois da morte. A verdade com V maiúsculo diz respeito à vida antes da morte. Diz respeito a chegar aos 30 anos, ou talvez aos 50, sem querer dar um tiro na cabeça. Diz respeito à consciência - consciência de que o real e o essencial estão escondidos na obviedade ao nosso redor - daquilo que devemos lembrar, repetindo sempre: 'isto é água, isto é água.'
É extremamente difícil lembrar disso, e permanecer consciente e vivo, um dia após o outro."
David Foster Wallace, escritor americano, em discurso de paraninfo para formandos do Kenyon College, há três anos. Suicidou-se no mês passado, aos 46 anos. Trecho retirado de Despedida, da revista Piauí_25 edição especial e pré-sal de segundo aniversário, outubro de 2008.
Me caiu como luva.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Vampiros

Me sugaram até a última gota, como vampiros que precisam de sangue para viver. Criaturas como estas sugam o invisível e precioso para o ser. Gostaria de conhecer um bloqueio, uma armadura, uma aura protetora a prova dos dentes invisíveis. Me extorquem, insaciáveis, de todos as maneiras possíveis, seja pela fala, ou pela presença. O mais comum e mais fácil de controlar é o que fala. Quem fala de mais, escuta pouco, e acaba se entregando facilmente; digo logo que vá catar coquinho, que me deixe em paz, ou dou uma de 'joão sem braço' e sumo. E o outro nem percebe e continua falando sozinho. Nunca entendi essa necessidade febril das pessoas falarem, e falar besteira (pra não usar outra palavra, por ser vulgar, mas que caberia muito bem). Não sei de quem ouvi quando criança, deve ter sido minha mãe, algo que ficou gravado pra sempre na minha memória, do tipo: se for falar besteira, é melhor ficar calado! Acho perfeito isso. Preservar-se de bobagens hoje em dia, é um caso hercúleo. Quem consegue? Basta ligar a televisão. Ou ouvir rádio, ou escutar papo de bar (não que papo de bar seja desinteressante, sempre nascem algumas pérolas). Mas francamente, me consumir o dia com balelas sem significados não dá. E as lamúrias? Isso sim consome. Sou vítima! Sou um pobre coitado! Deus esqueceu de mim! Tenha dó... Despeja-se o lixo e em troca ganha-se energia vital. É uma bela troca, mas quem fica com o lixo, normalmente os que escutam mais e falam menos, percebem gradativamente as artimanhas dos vampiros de energia, porque vítimas são vampiras de energia sim. Quem fala muita bobagem, pelo simples fato de não conseguir calar a boca, é vampira sim, precisa de alguém para escutar suas bobagens, senão qual seria a graça? De onde conseguiria energia pra continuar seu blábláblá? Enfim. Depois das que falam demais, vêm as que transtornam ambientes com sua presença. São pessoas alucinadas e desequilibradas, acho que todos temos algum desequilibrio, uns mais que os outros; mas essas não conseguem se controlar, vivem como se fossem um turbilhão, um tufão que vai levando consigo toda a energia do ambiente. Acho que tenho grave problema de identificação, porque nos dois casos, sempre saio arrasada. Deixo levarem tudo. E depois fico com raiva.

sábado, 4 de outubro de 2008

A festa das eleições


Você gosta de carnaval? munganga? palhaçada?
Se disse sim para uma das perguntas acima, então não está vendo problema algum nesse mês de passeatas políticas. Ou está?

Impossível não dar atenção aos trios elétricos cheios de gente, todos muito bem sonorizados, pessoas com microfone nas mãos, outras fantasiadas, aclamando seu candidato, festejando... sabe-se lá o que. Vi muita gente vestindo a camisa e segurando orgulhosamente a bandeira do partido, fazendo palhaçadas inacreditáveis. O candidato que aceita e apoia os cidadãos vestindo roupa e peruca de carnaval, pulando pelas ruas, gritando seu nome e cantando alegremente, com uma latinha de cerveja na mão, só pode estar desesperado, ou louco, não é mesmo?
Pra que toda essa festa minha gente? Gastam o dinheiro todo para chamar nossa atenção, e não sobra mais nada para os projetos mirabolantes que se propuseram realizar. Porque ali mesmo onde celebram a candidatura do indivíduo-deus, tem uma senhora de oitenta anos pedindo esmolas, um esgoto ao ar livre, o lixo acumulado de anos na mata do Parque das Dunas. Mas nisso não prestamos atenção, já virou rotina para nós essas aberrações. E a verdadeira aberração, tornou-se diversão.

Num domingo qualquer avistei uma fila imensa de carros parados na terceira faixa da Roberto Freire, por volta das 16h. A fila congestionou o transito das pessoas que voltavam do litoral sul da cidade. Estava uma zona. Oba! Tudo saiu como planejado. Cada vereador teve a oportunidade de tocar a sua musiquinha para esses carros, famílias inteiras, envolvidas a contra-gosto no comboio, entre raivosas e cansadas. Sem reação.

Num outro sábado, fiquei presa dentro de um comboio durante uns 40 minutos, porque eles ocuparam toda a rua paralela à Roberto Freire. Pode? Se pode, eu não sei. Pensava com todo minha inocência que esse tipo de manifestação alegre fosse proíbida. Se for, a polícia não só faz vista grossa, como colabora com os manifestantes. A história vai ficando interessante.

Como disse De Gaule, o Brasil não é um país sério. Mesmo possuindo riquezas naturais, petróleo, mão de obra capacitada, grandes intelectuais, o povo assiste e se ilude com os políticos. Votamos neles. Sempre tem um que se salva, mas e pra acertar? Chutamos e tentamos marcar o gol, votamos no mais simpático, no mais bonito, naquele que pratica a troca.
Eu mesma, até agora, há menos de 24h para a abertura das urnas, não sei em quem votar. Ninguém provou sua capacidade com essas campanhas pra tupiniquins (sem desmerecer os índios, por favor!). A única coisa que foi provada é que brasileiro gosta de confete, suor e cerveja. Fico pensando: por que esses candidatos não desenvolvem um projeto de verdade, em vez de gastar milhares de reais em campanhas ilusórias, de cantarem palavras ao vento, de fazerem comboios barulhentos, fechando ruas, atrapalhando o transito, incomodando o descanso das pessoas, fazendo a gente de bobo.
**É, agora é ver pra crer... Micarla ganhou. E eu votei nulo... que covardia! Preferi não assumir responsabilidades. Você que votou, colocaria a mão no fogo pelo seu candidato?

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

A vaca!

- Aquela vaca!!!

Foi o que me veio a cabeça quando soube que ligou pra dizer que o problema era a gente. Desacreditei. Que vaca! Falsa! Hipócrita! Que raiva!

Ainda bem que o ele ligou pra cá numa boa, sabendo já que a megera é uma chata de galocha e já imaginava o que havia acontecido. Mas disse que não era pra eu dizer as coisas como 'acho' que são, dizer apenas quando tiver certeza absoluta. E como vou ter certeza absoluta num negócio tão instável, que depende do homem mas também da máquina?

Entrei no msn puta, aquela vaca me paga! E não é que ela teve a pachorra, alguns minutos depois de fazer a acusação infundada, de falar comigo como se nada... "e aí, como vão as coisas?". Ai, ai, ai. Se controla Odara, só pensava nisso. Se controla!

Ele me disse, se vc não tem certeza, inventa desculpas, vai enrolando, senão ela não para. É pra eu mentir então?, perguntei.

- É, eu não queria dizer com essas palavras, mas você entendeu... Só assim pra ela sair do pé!

Como pode uma criatura dessas existir? O mercado esta impreganado delas, que nojo. Elas mentem, fazem falsas acusações, botam vc numa situação desagradável. Pra quê? Pra aliviar o estresse, encobrir seus erros, porque a verdade, que eu adoro, é que o atraso começou com ela, que não se garantiu na hora de entregar o material. E mentiu sobre isso também! O pior é que me obrigam a mentir também, pra me livrar delas, e, na pior das hipóteses, para conseguir conviver... O fim da picada!

Tive vontade de dizer:

- Sua vaca mentirosa, por que vc não resolve seus problemas comigo ao invés de ir encher o saco dos outros, dizendo que o problema está aqui? Fazendo falsas acusações? Não tem coragem? Qual é a sua? Tá achando que a gente tem um santo milagreiro?

Mas me contive, afinal, tenho que seguir, mesmo que contrariada, algumas regras do jogo. Fui objetiva e disse:

- Já mandei. É pra tá pronto quando?

- Pra 16h no máximo! :)

Ainda colocou uma carinha... que ódio!

- Acelera aí o processo pra mandar de volta!, eu disse.

O resto ficou subentendido.

Respirei fundo, expirei, já passou. Vaca!

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Malandragem

Macaco velho é macaco velho!
Tem um cara da minha entourage com quem aprendo muito todos os dias. Assim, como quem não quer nada, ele vai me ensinando as 'malandragens' da vida.
Um de seus ensinamentos veio como uma lição oriental. Ele segue muito os passos asiáticos. Veio ele com a teoria de que servir as pessoas enobrece o ser. Ele afirmou que não há nada melhor no mundo do que fazer o que uma pessoa gosta, por prazer. O prazer de servir. Disse que a gente acha que servir indica inferioridade, mas isso não é verdade!
- Por exemplo num namoro, você prefere o seu bem ou o bem do outro? me perguntou.
Eu não soube responder.
- Se você soubesse de um show de blues e que uma amiga sua gosta muito, você iria com ela, mesmo sem apreciar enormemente, não?
- É, acho que sim.
Deixei ele fazer rodeios, me fiz de desentendida, às vezes concordava com seus exemplos, às vezes não. Mas logo ele chegou ao que eu já esperava, ao xis da questão. Me olhou dentro dos olhos sério e disse:
- Ei, prepara um cafezinho pra gente?
- Pô, não é que ele pediu mesmo?, pensei rindo.
E, entre incrédula e divertida, fui preparar o nosso cafezinho.
- Duas colheres de açúcar viu?!

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Trabalho com prazer


Descobri o segredo para não enlouquecer trabalhando! Quer que eu conte? Pois eu vou contar, mas ainda não, deixa eu fazer a introdução primeiro, o mistério antes da revelação...

Acredito que todas as pessoas que têm uma rotina de trabalho, daquelas que incluem: acordar cedo, pegar trânsito, passar o dia inteiro fora de casa, dividir uma sala com outras pessoas, outros mundos, fazer a mesma coisa, em linhas gerais, todos os dias, voltar pra casa só depois que escurece, enfrentar o rush hour, chegar exausto, tomar um banho, jantar o que pintar e se jogar no sofá, tendo como último consolo a Favorita e os campeonatos de futebol. Isso durante o ano inteiro, tendo folga apenas no recesso do Natal e Ano Novo, isso quando tem! Já trabalhou com turismo ou hotelaria? Precisa ter uma válvula de escape! É desumano!

Pois bem, posso dizer que conheço muita gente que usa essa vida como desculpa para encher a cara, fumar, tomar drogas, fazer loucuras... Mas pergunto, nos sentimos mesmo bem? Depois de um fim de semana 'torrido', mesmo que a famosa ressaca moral não se apresente, apenas a ressaca física, o corpo exausto, pior do que na sexta a noite, antes de tomar um banho e cair na gandaia, será que nos sentimos realmente realizados, felizes? Então por que pensamos, plena segunda-feira, 10h da manhã: "espero que sexta chegue logo!"?

Você passa a semana trabalhando como um zumbi, chega o fim de semana, se torna vampiro, e isso num ciclo vicioso até descobrir pedras nos rins, uma cirrose, um cancer... Só aí você vai se perguntar, isso se o choque for grande e você retomar consciência de seu ser, o que foi que eu fiz com minha vida? Senão, vai continuar nessa, até o dia que o ciclo se encerre. Tudo na vida é escolha, cada um sabe do seu.

Essas loucuras que fazemos com nossas vidas e nossos corpos não tocam somente o campo do corpo físico, tocam o espírito, a alma e outros mundos mais, que estão além da minha compreensão. Isso que a sociedade consumista nos vende, é veneno. Não que eu seja contra o consumo, pelo contrário, aprecio o bom vinho, gosto de andar de carro e sou a primeira a comprar os úlitmos lançamentos em cosméticos. Mas a gente deve ter cuidado para não se limitar a esse ciclo: trabalho = consumo eterno, como se a verdade da vida fosse apenas isso.

O lance, o meu segredo, que acredito ser o que me tirou desse desespero, porque confesso, estava pirando aqui no trabalho, foi o esporte. Sim! Praticar esporte é maravilhoso! Cada um tem o seu, o que lhe dá mais prazer. Pode ser um esporte radical, uma caminhada na praia, uma volta de bike, jiujitsu, surf, etc. São tantas as opções! E seu corpo agradece.

Eu parei de fumar há alguns meses, e quando comecei a trabalhar a vontade de colocar um cigarro entre os lábios e tragar lentamente a fumaça 'tranquilizante' voltou. Aí comecei a ficar louca. Além da rotina, a vontade de fumar. Era a vontade física, psicológica tentando convencer minha razão de que umzinho não ia me fazer mal nenhum... até parece. Foi então que veio por acaso uma amiga aqui na empresa e me falou de um clube de remo. Foi como acender uma lâmpada, sabe aquelas de desenho animado? E pronto! Me decidi e fui atrás. Acreditem ou não, o clube de remo não só fica na mesma rua de onde trabalho, como fica em frente!

Uma coisa tenho percebido depois que comecei a prestar mais atenção nos sinais, nada acontece por acaso. As coisas são colocadas debaixo de nossos narizes, basta querer enxergar. Não se deixe alienar, abra os olhos e seja feliz!

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Se...

Foi minha mama que mandou esse texto lindo e verdadeiro.
O que entendi foi que o Klingip fez um rabisco da condição humana. Que independente dos problemas e desafios que encontramos na vida, o somos dotados do poder de superação. Cair e levantar. Acreditando nos sonhos, mas deixando espaço para o improviso. O homem é um ser imperfeito e ao mesmo tempo perfeito. Feliz e agradecido por estar vivo. Foi o que entendi. E vc?
"Si puedes mantener la cabeza sobre los hombroscuando otros la pierden y te cargan su culpa, si confías en ti mismo aún cuando todos de ti dudan, pero aún así tomas en cuenta sus dudas;
Si puedes esperar sin que te canse la espera, o soportar calumnias sin pagar con la misma moneda, o ser odiado sin dar cabida al odio, y ni ensalzas tu juicio ni ostentas tu bondad;
Si puedes soñar y no hacer de tus sueños tu guía;
Si puedes pensar sin hacer de tus pensamientos tu meta;
Si Triunfo y Derrota se cruzan en tu caminoy tratas de igual manera a ambos impostores;
Si puedes tolerar que los bribones, tergiversen la verdad que has expresadoy que sea trampa de necios en boca de malvados, o ver en ruinas la obra de tu vida, y agacharte a forjarla con útiles mellados;
Si puedes hacer un montón con todas tus victorias;
Si puedes arrojarlas al capricho del azar, y perder, y remontarte de nuevo a tus comienzossin que salga de tus labios una queja;
Si logras que tus nervios y el corazón sean tu fiel compañeroy resistir aunque tus fuerzas se vean menguadascon la única ayuda de la voluntad que dice: “¡Adelante!”
Si ante la multitud das a la virtud abrigo;
Si aún marchando con reyes guardas tu sencillez;
Si no pueden herirte ni amigos ni enemigos;
Si todos te reclaman y ninguno te precisa;
Si puedes rellenar un implacable minutocon sesenta segundos de combate bravío, tuya es la Tierra y sus codiciados frutos,
Y, lo que es más, ¡serás un Hombre, hijo mío!"

Rudyard Klingip

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Estrelas da minha vida


Não sei como acontece, só sei que acontece: atraio estrelas de todos os jeitos e em todos os setores da coletividade. O mais importante para elas é brilhar, brilhar tão intensamente, até o ponto de ofuscar aqueles que ousam admirá-las de muito perto.

Comigo sempre acontece no trabalho. Ou melhor, na maioria das vezes. Não me é impossível atrair uma estrela enquanto ando pela rua distraidamente, um tropeço. Mas no trabalho já é de praxe.

Como consigo distinguir uma estrela na multidão? Ora, é muito fácil! Elas andam como se estivessem pisando nas nuvens e sentem-se admiradas por todos ao seu redor. Parece que cabelos e tecidos flutuam harmoniosamente com o vento. Ao falar, têm tanta certeza daquilo que dizem, que acreditamos realmente ser a verdade absoluta. Isso quando somos inocentes e nos deixamos iludir pela máscara perfeita das estrelas. Porque já sabemos: ninguém é perfeito. Mas as estrelas acham que sim. Aí está o pecado delas, mania de perfeição. A estrela tenta de todas as formas nos esconder seus defeitos. E quer que o mundo diga: Sim você é perfeita Estrela!!!
Conheço uma Maria Estrela, um Zé Estrela, tantas estrelas já passaram pela minha vida. E parece que eu não aprendo. Sempre entro no jogo delas! Deixo que se exponham, que mostrem tudo que sabem fazer, brinco de ser estrela também. Só que não levo jeito nenhum. Gosto dos bastidores. De mistério. De respeito e justiça.
E estrela não sabe o que isso significa. Elas se colocam em um nível acima da grande massa, ignorante e feia. Não perguntam, porque já sabem de tudo. Não dividem, porque acham desperdício. O simples fato de uma estrela falar com você, já é uma maravilha, uma dádiva divina! Imagina então uma estrela querendo ser sua amiga? É a glória!

Quantas estrelas já não foram minhas amigas! Como tive sorte! Um bando de petulantes e assoberbados me ensinando que na vida, como já dizia uma grande amiga (que não é estrela!), o buraco é mais em baixo!