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domingo, 25 de maio de 2014

Qual cheiro tem o seu céu?



Sabe aquelas noites que você não espera nada? 
Só queria sair, dar uma volta. Pintou um convite. Legal. Foi sozinha pro bairro onde funcionam diversas casas de shows e boates. Combinou chegar as vinte horas e chegou. Os amigos chegaram uma hora depois. Não se importou. Ficou lá, do lado de fora do samba, conversando com o cara que lhe vendera a cerveja e o cigarro. Conversa vai, conversa vem. Ele pediu pra ela cuidar do carrinho dele. Ficou sentada num banquinho improvisado pastorando a cerveja do moço. Quando ele voltou, um pessoal foi se achegando e um maroto perguntou: "Quantas você já vendeu?". "Por enquanto, estou só comprando.", foi sua resposta. "Não seja por isso, o que você quer beber, eu compro de você".
Tomaram uma cerveja do lado de fora esperando ainda seus amigos. Pelo r carregado soube logo que era carioca, daqueles da gema. Ele ficou com ela até os amigos dela chegarem, entrou com eles, encontrou seus amigos já lá dentro e colocou todo mundo junto em volta de uma mesa. Agrupou o pessoal. Quando menos espera, o tal a tira pra dançar, samba a dois! Como assim? E quando deu por si, já estava rodopiando pelo salão. Como dançou naquela noite sem promessas! Além de dançar, ria. Não cabia em si. Há quanto tempo não dançava. Que delícia! Dançar é, definitivamente, uma porta para a felicidade. Para coroar a noite, ele pergunta assim de supetão: "Qual cheiro tem seu céu?". E aquilo soou tão Marguerite Duras que ficou sem palavras. Como pode?

O céu dele tem cheiro de corrida na praia de manhã cedo. De mergulho com arpão pra caçar o peixe que vai assar na fogueira. De cochilar de tarde na rede e fazer amor vendo o sol se por. 

Até agora, não sabe o cheiro do seu céu... Se Duras brinca com nossos sentidos, principalmente no cinema, querendo que ouçamos as imagens e vejamos os sons, lhe parece muito peculiar essa ideia do céu ter um cheiro, cheiro seu, particular. 

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Meu céu tem cheiro de liberdade, de horizonte à vista, de mar azul e clima quente. Meu céu tem cheiro de gato e chamego, de amor, de família, de horta e terra molhada. Tem cheiro de mato e caminhada na trilha. Meu céu tem cheiro de trabalho feito com paixão, criatividade e responsabilidade. Meu céu é um cavalo a galope com cheiro selvagem e forte. O cheiro que quero é de boas lembranças e de coisas novas, gostosas e felizes. Meu céu tem cheiro de água e vento,  de lenha queimando e panela fervendo. Gosto de cheiro de biblioteca, daquelas que ocupam todas as paredes com uma espreguiçadeira no meio e uma luminária bem elegante e eficiente. Meu céu tem cheiro de risada e música boa. No meu céu tem silêncio.

domingo, 30 de setembro de 2012

Novo mundo colorido

Ela sentia-se, naquela manhã de quinta, estranhamente atraída pelo ator. O mundo artístico sempre a encantou, nunca sentiu-se inteiramente parte dele, mas sempre gostou de ali estar de alguma forma. Não sabia muito bem o que era, misto de curiosidade e engano. Obssessiva, pensa nele, para não pensar no fim do mundo.

A vida coloriu-se com esse novo mundo que se apresentou diante dela; já faz um ano que se cruzam nos corredores da biblioteca, mas foi depois de começarem a fazer um trabalho juntos que ela o percebeu. Um mundo alegre, risonho, estressado e falante que chegou chegando, sem saber que mexeria com a imaginação dela. Quem poderia imaginar: ela sempre na dela, séria e calada. Pensou-se até que era antipática, grosseira. A cada encontro, foram se aproximando. A vontade de tocá-lo a surpreendeu. Apenas roçar-lhe o braço, tocar suas costas num gesto de amizade, olhar nos seus olhos, rir de suas piadas. Nos dias que não se vêem, imagina o que ele faz. Será que pensa nela? O tempo corre e não pensamos em nada além de nossas vidas miudas. São tantos afazeres e nos envolvemos sempre mais.

Olharam-se, caminhavam lado a lado num corredor ilumidado pelo sol da tarde, tentou beijá-la. Ela afastou-se, encabulada. Que ousado! riu seu pensamento. Gosta do jogo da sedução, gosta de flertar, é uma brincadeira saudável. A paquera a alimenta de forma tal que se sente criança. Seu problema é quando a relação se estabiliza: ela enjoa. Num enfado monumental, quer fugir a qualquer preço e busca loucamente uma falha de carater ou de atitude para pular fora. Nem sempre consegue simplesmente sair da relação porque não quer mais. Sofre um pouco e deplora o tempo perdido. A fase da conquista é a melhor para ela. Se ao menos alguém conseguisse manter nela essa energia sempre acesa, não cansaria nunca. O grande problema está na entrega. Quando o faz, sente-se automaticamente atrelada ao sujeito como se fosse para sempre. Acorrenta-se. É uma auto-prisão. E então, queda livre; tédio e angústia até mandar tudo pelos ares. 

Teria ela algum problema psicológico? As vezes pensa em ter relacionamentos leves e livres, sem cobranças, com vários caras. Ir experimentando como certas amigas fazem. Pura diversão e prazer. Porém, quando encontra alguém por quem se interesse, aposta todas as fichas acreditando que dessa vez achou o tal, e algum tempo depois, vê que se enganou (como não?) Frustra-se. Busca, incansável, uma forma de melhorar essa dualidade que a mantém só durante a maior parte de sua vida.

Passou uma noite tranquila. Almoçou italiano e tomou quase uma garrafa de chardonnay californiano. Pensou nele. Estava tudo delicioso. Entorpecida e alegre, fumou um cigarrinho pra encerrar a refeição copiosa. Divagações passaram pela sua cabeça. Correu para a frente do computador e entrou na página de relações para olhar a vida alheia. É para isso que servem essas páginas, não? Sente uma vontade louca de  dançar. Liga o rádio e coloca um sambinha animado. Pisoteia o chão de sua sala, gira em torno de seu eixo, ri sozinha. Amanhã quero sair. Sente que a vida voltou depois de uma semana de baixo astral.
Uma nova história a anima: acaba de sair de um relacionamento longo. Passou pelo menos dois meses para conseguir realmente desfazer as amarras e agora se sente leve e com vontade de embarcar em novas histórias, conhecer pessoas, dançar. Alegrias e aventuras é o que quer. Amor, desejo, tesão: tudo num prato só.

De tarde foi para a aula de cinema. O professor a encanta pela sua calma, timidez e modo pausado de falar. Ela o deseja. Pena que o vê somente uma vez por semana. As conversas que têm são sempre boas e deixam aquela sensação de que ainda há muito mais a dizer. Quando ele se despede, sai tão rápido que mal dá pra responder o até logo. Ela não entende: ele parece interessado, mas tem horas que ela realmente não sabe: ele é distante, e não fica perto dela nos intervalos. Pode ser discrição... Sorri pensando na tarde com o professor.

Voltando para casa viu a lua nascer atrás das dunas verdejantes. Linda! O céu cor de rosa e o verde da mata contrastando. Entusiasmou-se: Vou sair, ver gente, conversar e rir. Ainda tentou se segurar, ficar em casa seria mais prudente. Mas que nada. Fez uma ligação, passou a mão na bolsa e saiu. Foi no aniversário de um boêmio. Tomou copos de cerveja e fumou cigarros. A conversa estava boa. Atenta, escuta o pessoal mais experiente do que ela. Tocou uma música de anos atrás que adora. Ela se levantou para dançar: viva a juventude! gritou o aniversariante. A festa acabou cedo. Dispensou a carona, preferiu voltar a pé. Andando pra casa, alegre, meio arrependida dos cigarros (vício maldito que nunca sairá de mim?), conversa com a lua, que já vai alta no céu marinho.

sábado, 26 de setembro de 2009

Do lado de cá da mesa

Sofia não gosta(va) nada da idéia de dar aula. A imagem dela ser a tirana daquele quadrado assusta. Claustrofobia. O que a preocupa mais são os alunos. Os rebeldes e os preguiçosos. Talvez por ela ter sido um deles. Nas salas da faculdade entendeu que a coisa poderia ser tranquila, mais relaxada. Depois que saiu do ensino médio se sente mais livre. O que vou fazer da vida? Tantas opções se apresentam. Precisava experimentar algumas possibilidades.
Dar aula, nunca passou pela sua cabeça. Sempre se achou pouco para transferir algum saber. Qualquer um. Fez bicos às pencas. Mas nunca foi aquilo que ela realmente quisesse. Não tinha rolado o tal do plim! Ao passo de pouco tempo enjoava de tudo. Ainda enjoa. A rotina lhe mata.
Descobre-se agora professora. Ai que medo. Será que é isso? Ser professor nunca lhe pareceu tarefa fácil. Incentivar a turma, passar conhecimento, responder perguntas. Tarefas assaz complicadas. Cada qual demanda estudo profundo. Um constante aprender. Não tem dia que não se pense nelas.

domingo, 16 de agosto de 2009

Sofia e a incerteza do amanhã (como todos os mortais)

Numa manhã de domingo, Sofia se contenta em acordar às 5h da manhã para dar comida pros gatos. Não que ela não tenha ficado puta da vida com o gato preto miando na porta e pulando repetidamente no quarto ao lado para abrir. Só que a habitante deste quarto é mais esperta, trancou a porta à chave, para ele não realizar seu ato por inteiro: abrir a porta num pulo, invadir o quarto seguido de outros gatos gulosos, subir na cama e olhar pra cara do indivíduo como quem diz: "Ei, vamo acordar!?".
A porta está trancada, mas ele é persistente, vai ver por ser brasileiro, não desiste nunca. Pulou, pulou e pulou, fazendo o maior estardalhaço. Até que Sofia levantou, meio cambaleante, ainda sob os efeitos da noite de sexta. Que loucura! Pensou. Foram tantas emoções. Sempre com Rebecca as coisas andam depressa. Aventura certa. Foram bater em Pipa, pra ver o sol nascer. Da praia do amor, com dois enamorados. Pareceu romântico. São românticas nas horas vagas, e daí?
Sofia se lembra do italiano. Mentira! Só lembrou dele quando chegou em casa. Não consegue esquecer o cara. Impressionante. Sai pra lá aventureiro! Que encosto. Nada. Tudo que faz, lembra ele. Como é que foi que o cara se fez tão presente? Foram poucos dias de convivência e a presença dele não saiu ainda da casa. Tomou um vinho chileno, lembrou dele. Falou de educação, ele de novo. Isso pra citar apenas dois exemplos. Entrou na carne, feito punhal. Se tirar o sangue jorra. Já faz parte dela.
Não tem gente que vemos num dia e já são importantíssimas para nossas vidas? Esse cara chegou pra ficar na vida de Sofia. Um aventureiro interessante, seguro de si, quase um brasileiro.
Sofia toma amarula e lembra dele. Há quanto tempo não se apaixonara? Desde os tempos do onça. Quando ainda acreditava no romantismo. É uma romantica mesmo. Achou que tinha se curado da doença. Há mais de 5 anos que nada se passava naquele coração. Faltou encontrar alguém que mexesse com suas emoções. Apareceu o tal, e já foi embora. Uma pena. Pelo menos ela pensa, pensa muito. O que foi que aconteceu? Será que volta e bate na minha porta? Ou será que foi daqueles encontros fugazes que a vida faz acontecer?
Ela não sabe. Aguarda notícias de Outre Mer.
Enquanto isso, ela se diverte, afim de curar essa dúvida que trás dentro de si.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Rebecca & Sofia by night


Sofia, enrolada na toalha, se olha no espelho e vê as olheiras aparentes. Verifica as horas no relógio da cozinha: “são quase nove, estou exausta”, pensa consigo. Mas até aí sua vontade de sair não mudou, “a noite promete!”. Passa uma base no rosto para disfarçar o cansaço, e não é que funciona? A imagem refletida a anima, “já estou me sentindo melhor...”. Vai pro quarto, abre as quatro portas do guarda-roupa, vê aquele monte de saias, calças, blusinhas e blusões, suspira , “que roupa eu vou vestir hoje?”. O desânimo e a indecisão a dominam. Deita na cama ainda enrolada na toalha, olha pro teto e espera que o modelito fantástico lhe caia na cara. Adormece.
Acorda com o telefone, quanto tempo teria passado? Pula da cama e atende:
- Alô...
- Amigaaaaaaaaa! Tô chegando. Já tá pronta?, é Rebecca que pergunta, alegre e cheia de energia.
- Hum, mais ou menos, sobe aí que ainda vou escolher uma roupa...
Sofia não sabe o quanto dormiu, ainda está zonza de sono, estava sonhando com o que mesmo? Tem que escolher logo uma roupa boa, aquelas que levantam qualquer astral. Sabia que Rebecca chegaria como um furacão, escolheria o primeiro par de jeans e a arrastaria de casa sem lhe dar chance de pentear os cabelos: “Vamos pra farraaaaaa!”, imagina Sofia as palavras mágicas da amiga animada. Sorri.
Em 20 minutos já estavam na rua, em busca de aventuras. Param no posto BR para comprar a primeira cerveja da noite: Antártica Cristal. Já era de praxe quando saíam, abrir a noite com ela, estupidamente gelada.
- Pra onde vamos?, pergunta Sofia no volante.
- Bora pra Ribeira, que é mais jogo!
Cigarrinho na mão, cada uma na sua mais bela pose, ainda sóbrias, desfilam pelas ruas escuras e sujas da Ribeira.
- Parece que não vai rolar nada hoje aqui... Que merda! Lembra daquele sarau em Ponta Negra? Depois dele vai rolar um reggae. Vamos nessa? Que desse mato aqui não sai coelho, como já dizia o falecido! Afirmou Rebecca dando meia-volta, em direção ao carro.
Sofia dá uma última baforada, atira a bituca do cigarro no chão, olha pros lados, não vê ninguém interessante, olha no relógio, são 22h.
- Vamos sim, antes que acabem as declamações. Adoro poesia!!!
Quando chegam na Vila de Ponta Negra, encontram o antigo restaurante, por trás da Igreja. O local onde acontece o sarau é bem decorado, tem três andares e foi Daniel quem as convidou, e como bom anfitrião, mostrou todo o lugar.
Para decepção de Sofia, o sarau já tinha acabado, fazia 1h... o povo só estava lá bebericando uma sangria horrível, de vinho de quinta e jogando conversa fora. As duas descem as escadas e vão pra rua em busca da salvação: Cerveja!
Atrás delas descem Daniel e Gomes, um amigo seu, que já conhecia Rebecca. Dividem uma garrafa de cerveja, sentados na calçada. Poxa, que decadência.
Mas como a noite é uma criança, muitas surpresas ainda aguardam a dupla dinâmica. Conversa vai, conversa vem, os dois rapazes fazem uma proposta, quase indecente. Sabendo que Rebecca e Sofia iam para o reggae, perguntam se elas não querem passar na casa de uns amigos ali perto, antes, pois ainda ia demorar pro show começar. A idéia era fumar um e ir embora.
Os amigos são três homens, com seus 25 anos, bonitos, arrumados e interessantes. Conversam sobre tudo. A casa está cheia de revistas sobre viagens, moda e informações gerais, e uma mandala na parede. Pelo que contam, fazia pouco tempo que moravam no lugar. Cada um apertou um beque, enquanto isso chega uma amiga deles, pra compartilhar do momento. Todos falam muito, as duas, que não conhecem ninguém direito, ficam meio assustadas com a afinidade de todos. Se separam e tentam travar conversa com os outros enquanto os cigarrinhos rolam de mão em mão.
O fumo era forte, o que altera um pouco a percepção de Sofia. Ela começa a conversar com todos, “como é bom ficar numa boa”, pensa. Quem mais conversou com ela foi a moça que chegou depois. Disse entre outras cositas, que era massagista. Sofia exclama, inocente, que está precisando de uma massagem!
De repente, cai um toró. A chuva se intensifica e a casa onde todos estão começa a encher d’água. São vários pontos do telhado com buracos e as goteiras vão aumentando. Até fazer uma piscina na sala. Um móvel de vime não pode molhar, mas a chuva não para e as goteiras só aumentam. Sofia, vendo perplexa a falta de atitude daquele bando de machos, arregaça as mangas, chama um dos caras e carrega a estante de vime para o outro quarto, a salvo das goteiras.
Enquanto isso, Rebecca, protege as revistas e observa a situação com um cigarro na boca. Olha pra Sofia e faz o sinal de retirada. Vamos nessa!
A chuva vai parando, ainda dá tempo de mais um cigarro e tchau. Todos se despedem amavelmente. A moça dá um longo abraço e canta uma música de despedida pra Sofia. Rebecca, já com a mão na boca, pula dentro do carro, evitando a chuva rala que ainda cai. Fecha a porta do passageiro, espera Sofia dar partida e sair da frente da casa, e dá, enfim, uma puta gargalhada!
- Amiga, amiga, você sacou??? Aqueles caras são todos viados e a mina tava afim de você!!! Tá podendo, hein?!
- Puta que pariu! Aqueles caras deixando uma lady carregar a estante, só pode ser suspeito, e a mina, eu percebi só agora no abraço. Você acredita que eu disse que tava precisando de uma massagem???
- Hahahahahahah! Você é muito lesa, amiga! Ei, será que os caras que trouxeram a gente pra cá também são bi? Eles são meio estranhos... Aquele que tá com Daniel é namorado da Perola.
- Sei lá, só sei que eles estão vindo atrás da gente. Bora logo pra esse reggae.
Chegando no reggae, morgação total. Sofia, muito supersticiosa, já viu nisso augúrio de que, aquela noite não era nem pra ela ter colocado os pés fora de casa. Rebecca ainda tinha esperanças e tenta levantar o astral da amiga. Só que quando vê o preço da entrada fica puta, muito caro! Os rapazes, Daniel e Gomes já chegam junto. “E aí, vão entrar?”.
- Acho que não. Tá muito caro e não tem ninguém, disse Rebecca.
- Então, vocês gostam de vinho? Perguntou Daniel, como quem não quer nada.
- Odeio!,respondeu Rebecca automaticamente, meu negócio é cerveja!
- Não, é porque a gente podia ir lá pra minha “cober”, comprar vinho e umas cervas e ficar conversando. O que vocês acham?
- Na sua o quê???, pergunta Sofia.
- Na minha cobertura, é que meus pais estão viajando, aí a gente pode ficar lá, bem a vontade...
Unbelivable! As duas ficaram sem reação e perplexas. Como assim bem a vontade? Na “cober”? Hein? Rebecca se aproxima de Sofia e fala no ouvido: “eu não vou nem a pau, se você quiser ir vai, eu não vou!”, no que Sofia retruca: “Você tá ficando louca? Vamos fugir! Vamos dar um perdido neles!”.
Elas disseram pra eles que queriam movimento, ver gente e não se enfiar num apê.
- Ah, então vamos pra rua do Salsa enquanto aqui não começa, propuseram, insistentes.
- Tá bom! A gente se vê lá... Responderam as duas em uníssono.
Cada um dos rapazes em seu carro dá partida, acende o farol e espera. As duas, esperançosas dos caras irem embora, ficam desesperadas.
- Meu, eles vão ficar esperando a gente!!! Temos que dar KO. Não é possível, que caras de pau! Liga pra eles! Fala qualquer coisa! Eles tão pensando o quê?, já irritada, Sofia.
Então, Rebecca liga pra Daniel e diz que vão voltar pra casa por causa da chuva. “Deixa pra próxima, falô!”.
E vão pro bar da Esquina dos Ventos, se afogar em cerveja, fumar muitos cigarros, e rir dos acontecimentos e da audácia dos homens, divertidas.
E a noite miou!