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quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Te amo, te odeio

Calo a boca, fico em silêncio.
Não consigo dizer o quanto te amo e te odeio, quase ao mesmo tempo.
Enroscada a você, a noite me penetra.
O dia contudo me traz a punhalada do desprezo.
Presente você é, quando presente.
Quando longe, deixa de existir, desaparece.
Não se importa, ocupado demais com seu umbigo.
Sempre pronto a ajudar quando requerido.
Se não pedem, não levanta um dedo.
Deixa a vida se encarregar de tudo, lentamente.
Nenhuma atitude. Sabe esperar e o devagar é quase sempre.
Ao contrário de você sou eu. O oposto atrai?
Senti um amargo estes dias, como vai, dormiu bem?
Dormi. Ponto final.
Nada.
É chocante, dá uma revolta. Parece desconsideração.
É seu jeito. Curto e grosso.
Mesmo assim não me conformo.
Então porque insistir no que não me faz bem?
No que você deixa o tempo levar eu quero controlar.
Quero presença, mesmo ausente.
Você é um vazio, inexistente.
Já senti saudade.
As vezes penso; cada vez menos.




quinta-feira, 28 de março de 2013

A lua


Li está frase hoje no livro Ravissement de Lol V. Stein de Marguerite Duras e como ela se encaixou bem a nossa belíssima noite de hoje: 

"l'étandard blanc des amants dans leur premier voyage flotte toujours sur la ville obscurcie."
(tradução literal: o estandarte branco dos amantes em sua primeira viagem continua a voar sobre a cidade escurecida) 
Por Raoni Kunkler

Alguém acompanhou a lua crescente estes últimos dias? Majestosa, flutuando no céu anuviado, da mesma forma como ela muda as marés, ela também me transforma. 

Lá vai ela, alta no céu agora, tive a sorte de dar com ela ainda perto do horizonte. Assisti seu movimento ascendente de dentro d'água, hipnotizada. Tenho duas opções: acreditar ou não na magia da lua, na sua influência, assim como a de outros planetas sobre minha pessoa e sobre o mundo. Prefiro acreditar e observar. 

Boiando, fiquei cara a cara com o universo. Contei estrelas. Vi nuvens passarem açoitadas pelo senhor vento. E ela, estandarte branco dos amantes, iluminou a minha noite. Boa noite. 

domingo, 15 de julho de 2012

O jeito gato de ser

Gatos são criaturas espetaculares, mistériosas e interessantes. Se um gato te escolhe como 'dono', pra sempre te será fiel. Gosta de você do jeito dele e não adianta querer que ele responda toda vez ao seu chamado, tem horas que ele realmente não está a fim. Mas naqueles dias em que você chega em casa chateado, triste ou choroso, ele fica por perto, roça na sua perna, te olha nos olhos, isso quando não sobe no seu colo e ronrona, mostrando o quanto você é importante e amado. Ele te dá carinho e amor à sua moda. São companheiros, e não grudentos. Gostam de estar perto, mantendo mesmo assim sua independência e individualidade.


Observam seus gestos, compreendem seu humor e as vezes te provocam pra provar que ainda está vivo. E depois, soneca. Como dormem! São lindos em seu sono, e quando seguros, se 'abandonam' sem medo. Tem uns que adoram cochilar em colos, em almofadas macias, camas cheirosas, ou encostados em alguém, por causa do quentinho, e pra ganhar cafuné, lógico. Que gato não gosta de cafuné? São verdadeiros em seu amor, e querem retribuição. Contudo, se alguém os maltrata, botam as garras pra fora, rosnam e mostram os dentes; se deu, prepare-se pra levar! Depois vão embora em busca de um outro lugar, sem olhar pra trás. Tem uns tímidos, outros mais atrevidos, mas são sempre doces e fiéis aos seus instintos. As vezes te trazem um bichinho que caçaram, como um presente, para retribuir à 'casa, comida e roupa lavada'. Enquanto vc pega aquele bicho com pena ou nojo, ele volta orgulhoso para a sua almofada, o retorno ao sono dos justos.



sábado, 3 de março de 2012

Bomba?!

Para uma amiga

Tempo de partida.
Pra longe, por amor.
Deixo tudo, menos meus livros, meus vestidos e minha dor.
De coração partido, parto, mas alegro-me em saber que lá me espera o amor.
Tenho medo.
Mas a coragem é maior e a vontade de estar com ele é imensa, intensa.
Ele me espera. Me quer perto dele, para sempre.
Para sempre...
Sempre é vago, nublado, escuro.
Quebrei um candelabro de vidro agora pouco.
Foi nervoso, que novidade maluca.
Bombástica, me disse.
Realmente.
Meus pés estão no chão, mais firmes do que nunca.
Não sei o que faria se tivesse que deixar meus bichos para trás.
Quero assumi-los até o fim. E os filhos?
Kalil Gibran diz que os filhos criamos para o mundo.
Entenderão eles minhas razões? Minha paixão? Meu fundo?
Julgamentos não faltaram nem faltarão.
Mas eu preciso ouví-los, saber o que os outros pensam, busco apoio, mas só recebo nãos!
E isso me dá força: quanto mais nãos eu ouvir, mais forte vou ficar.
Quero casar de verdade, de papel passado, com homem ajoelhado fazendo pedido romântico.
Poemas, palavras, gozo animal. Isso eu não posso aqui e tenha lá.
Vou embora. Adeus vida antiga. Mas eu volto, daqui um ano, com um pai pra minha filha.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Numa encruzilhada feliz.
Fazer o que dá na telha.
Com certa responsabilidade.
É sempre bom ter uma margem,
possibilidades.
Até quando?
Por que esta pergunta sempre?
Para sempre.
Tudo depende de mim.
Mas se o que me faz sentir bem também está nos outros?
Estou segura, sou segura de mim.
Mesmo se agora estou ligeiramente inebriada.
O quero da vida? Por que estou viva?
Essa pergunta roda minha mente.
Sou viva para quê?
Pra estudar literatura, dar aulas de francês, cuidar de gatos?
Qual o sentido disso, às vezes acho que o que fazemos é puro passa-tempo.
Distração.
Mas tem que ter um porquê.
A linha de pensamento que mais me dá sentido é o fato de estarmos aqui para evoluir.
De que forma?
Grande enigma.
Ups and downs.
A sociedade é montada para nós nos encaixarmos em algum buraco vazio.
Mas, e se eu não quero?
Não tem jeito.
Olha eu aqui aplicando prova.
Busca interior. Salto no astral. Sei lá.
Perdida, mas feliz.

domingo, 20 de junho de 2010

Você só sabe que aquele dedo é importante quando corta,
você só dá o devido valor ao ouvido quando ele dói e entope,
você só sente o coração quando ele acelera apaixonado ou assustado,
e a cabeça, quando ela pede arrego.

Vivemos sem prestar atenção em nosso próprio corpo, demasiado preocupados com nossos vizinhos, familiares e colegas. Olhar para o umbigo, só no isolamento do quarto e da vida, num momento de abstração total de outros seres que nos cercam.

Alienados em nós mesmos e vivemos uma vida paralela e imaginária.
Isso para não pensarmos no que realmente importa.
Quem já chegou a um nível de consciência, sente isso nos outros e nele mesmo, mas o simples fato de sentir, já faz dele um isolado. Vê os outros que nem percebem, já consumados pelo consumismo infame, gritam hurras para a partida de futebol, para a gostosa na esquina, brindando a última moda, martinis, cervejas, petiscos, carnaval...

Onde será que tudo isso vai chegar?

segunda-feira, 29 de março de 2010

Inferno zodiacal

Quero ficar quieta, lendo um livro.
Me esquecer naquelas páginas,
me ver na pele dos personagens de ficção que ali estão escancarados.
Conhecendo aqueles mundos estranhos e terríveis do fantástico,
aquelas psicóses inimagináveis, grandes saltos de humor, e visões impressionantes.
Vejo minhas angústias menores.
Mas e aí?
Acabaram-se os contos, e ao fechar o livro me espanto com a normalidade em volta.
As mesmas marteladas da construção, o mesmo barulho de carros que passam na rua, o mesmo calor implacável, o ventilador sempre ligado, as pessoas irresponsáveis e desleixadas, tudo sempre igual.
Nada muda ali fora; mas aqui dentro é turbilhão.

domingo, 14 de março de 2010

La recherche du bonheur

Uma gota d'água no oceano, um grão de areia no deserto. Meio lugar-comum, de fato. Mas é isso o que somos mesmo: quase nada. Mas desse nada, podemos tirar grande proveito. Vivemos intensamente a vida que escolhemos. Intenso, não sei, vai de cada um e do momento. Mas quando a intensidade se achega...

Não vou dizer aqui que é fácil aceitar, nem que ela é uma constante, mas é certo que por períodos algo forte acontece. E isso é muito bom. Saímos da mesmice dos dias. Basta estar atento e enxergar os sinais. Tatuagem na alma que não te deixa fugir do óbvio. Contudo, protelar sempre é possível, e provável, para pessoas assim como eu, que aprendemos com o tempo a ter mais paciência, parcimônia e discernimento. Sentir-se bem com suas escolhas é realidade. Aqueles que não conseguem ver além da névoa imposta, vivem um pouco menos, do que aqueles que querem sair da zona de conforto e afastar a cortina.

Seria isso felicidade? Essa busca incansável pelo conhecimento, pelas realizações, pelo amor que a vida nos proporciona. La recherche du bonheur é o que nos mantém atentos aos acontecimentos. Tenho pra mim que quem busca isso nunca pára no lugar. Seria uma busca incessante em diversos campos da existência? Sentir-se completo em todos setores da felicidade, nem que por um segundo, é o difícil do negócio. Mesmo assim, cuidado ao virar as páginas muito rapidamente. Pode passar batido alguma coisa importante. Calma, reflita. Quem sabe você está no caminho certo, visto que você se sente bem e feliz.

"Lembre-se sempre de si mesmo".




terça-feira, 9 de março de 2010

Convite ao desejo



Palavrinha pra lá de interessante, entusiasmada por sei lá o quê que vem das entranhas, as vezes em forma de frisson causada por aquele aperto. Outras vem da nossa cabecinha imaginativa. Hum... que desejo. É só a carne? Ou tem um quê de psiquê? Como é bom desejar. E ser desajada é melhor ainda. Vem cá meu bem. Quero você aqui e agora. Não sei. A razão pede pra esperar. Se controla meu!
Mas chega uma hora que não dá mais pra segurar aquela vontade louca de fumar um cigarro, de comer uma barra inteira de chocolate meio amargo, de se jogar de uma ponte dentro de águas claras, de se entregar inteiramente ao desejo de ser mais do que se é vivendo simplesmente.
Quero mais, sempre quero mais. Mas com o desejo vem o medo de se chegar à um lugar onde desejo já não exista mais. Medo. Medo de tudo, do nada, de viver intensamente. E o depois? Necessidade de saber o que vem depois. (In)Segurança.
Desejar e se deixar satisfazer é um passo além daquilo que se conhece por controle. Muitos defendem que não controlamos nada, absolutamente nada. Mas é difícil aceitar isso. A cabeça diz que sim, que controlamos. Mas corpo e alma às vezes mostram que não. Chega um momento crucial, no qual o controle escorre por entre nossos dedos, e seja o que Deus quiser. Uso Deus aqui como simples frase de impacto. Porque a verdade é: seja o que a gente quiser. Ou consequência daquela coisa contida que quer explodir há muito tempo, que já não consegue mais se segurar, como fogos de artifício num céu de réveillon. É meia noite e o céu se ilumina numa explosão de cores e alegria.
Desejo? Até certo ponto ele é estável, controlável. Muito mais intenso é quando essa fase passa, e entra-se naquela do vem aqui agora. Prazer momentâneo, e muitas vezes finito. Mas só experimentando para se chegar ao gozo de todos os sentidos. Vale a pena? Oui, je pense!

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Desça aí dessa nuvem!

Fico bem quieta na minha nuvem particular.
E dela vejo o mundo meio fora de foco.
Meio sensação de sonho.
O maior barato.
Não consigo enxergar a feiura humana.
A natureza sim, que é grandiosa, enorme, linda!
Mas os seres humanos, pequenos e mesquinhos, não.
Exterior é máscara. Interior é escuro.
Precisamos de uma lanterna e muita coragem...


segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Minha querida

Me lembro desde pequena esse seu jeitão,
de fazer tudo dar certo,
mesmo quando, as vezes, era preciso sair na porrada.
Muito decidida, resolveu parar, e parou.
Muito objetiva, sempre teve fé.
Briguenta quando necessário.
Amorosa demais com os filhos e crianças.
Uma profissional de estima.
Um grande coração de mãe.
Filha amada pra vó.
Mulher e amor pro tio.
Mãezona pros meninos.
Irmã da minha mãe.
Tia querida.
Sua presença física já faz falta,
mesmo depois de tanto sofrimento.
Acho que sabemos, ou tentamos nos conformar,
que esse foi o melhor caminho, a sua escolha.
A saudade é imensa.
Quem vai me abrir os olhos aqui por perto?
Quem vai ter razão pra tudo?
Tinha você aqui do lado.
Tenho você no coração sempre.
O que apazigua a dor, é saber que a sua energia boa paira no ar.
Que você encontrou os nossos.
E está em paz.
Obrigada por tudo.
Um beijo!



sexta-feira, 16 de outubro de 2009

La vie

A velhice tem sido um assunto bem presente na minha vida. Chegando na casa dos trinta, percebo certas mudanças, nem sempre boas, mas que me asseguram que uma boa formação pessoal e maturidade são necessárias. Pelo menos se quiser encarar com equilíbrio o vai-e-vem da vida.
Vivo com a senhora minha vó, pessoinha muito enérgica. Com seus 86, quase 87 anos, cheia de vida, ela sempre ajuda quem precisa. Todos os dias, religiosamente, prepara uma refeição de fazer inveja aos grandes chefes. Comidinha caseira, das melhores que já comi, típica do interior de São Paulo. Lê a Veja, critica a política, acompanha os noticiarios da manhã e da noite, em diferentes canais. Assiste a TV Senado! Acreditem. É uma antenada! Cheia de vida. Se cuida, toma os remedinhos, às vezes toma um vinhozinho, usa cremes e pó de arroz. Uma graça.
Eu não assisto jornal, não tenho tempo nem paciência. Pois ela vem todos os dias, em diferentes horários, com os Flash-infos, que eu costumo chamar de "Vovó News". Ela me mantém informada das coisas do mundo.
Um grande amigo me perguntou semana passada o que eu achava da velhice. Bem, no geral acho que a velhice é viver pela segunda vez a vida de antes. Lógico que os idosos continuam vivendo plenamente, uns vão aos bailes, outros jogam cartas, ainda tem aqueles que fazem ginástica, yoga, pintura, entre outras atividades. Mas a parte da memória que toca as lembranças é muito presente nessa fase da vida. Minha vó se lembra de coisas da infância dela! Da mãe, dos aprontos, dos bailes, de como era diferente de hoje, de como era melhor, de como foi feliz e triste em certas fases. E muito importante: não se arrepende de nada. Pelo contrário, se orgulha daquilo que fez ou deixou de fazer.
Sigo assim a minha rota, mesmo que ele pareça bizarro para uns, maluco para outros; dou um passo depois do outro seguindo meu instinto criador, fazendo aquilo que me dá prazer, ou que parece o mais acertado para mim, e não para os outros. Porque eu quero chegar no fim da estrada orgulhosa daquilo que pude construir, realizar. Ficar orgulhosa dos paus da barraca que chutei com gosto. Das contrariedades superardas. Acho que a vida tem que ser vista com simplicidade. Pra que complicar? Complicamos assim mesmo.
Quando Shakespeare disse: "O mundo todo é um palco / Homens e mulheres simples atores / Que nele entram e saem / Cada um a seu tempo". Quem é que vai querer ficar na platéia? A platéia talvez nem exista. Aí aquela sensação do trem passando e eu ficando do lado de fora... não quero nunca mais. Acho que todas as experiências são válidas, quando influenciadas pelo coração. Sem prejudicar o outro, claro.

"Mas você marcha José,
José, para onde?" Drummond

E aí, qual a próxima encruzilhada? Qual lado escolher? E pra onde leva? Não sei. Ninguém sabe. E da boca do povo ouvimos: "Só Deus sabe!". Então, bora!


quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Descontrole saudável


Aceitar a vida como ela é. Parece uma fórmula confortável. Mas quem é que aceita? Tem alguém aí que consegue ir levando numa boa? Me arranco os cabelos só de pensar que daqui dois dias, dois!!!, vou ter uma aula de 3h para dar. Suspiro angústiado. O que vou fazer? Como será que os alunos serão. Será que vão gostar de mim? Ou isso não importa. Terão que me suportar! Imagina se eu consigo pensar assim... O sorriso é garantido. As vezes amarelo, mas é.

A Lú me disse: "amiga, você sempre fica assim quando as coisas fogem do seu controle". Parei pra pensar e talvez seja bem verdade.

Ansiosa comecei a fuçar na internet e de vez em quando encontro a luz no final do túnel no blog da Nina Veiga (http://ninaveigacronicas.blogspot.com/). É engraçado. Hoje tinha lá o título: Qual é o número do futuro? E era exatamente o que eu estou sentindo: a ambição de controle. Ela também quer ter controle sobre tudo. Confessa que se pudesse, mudaria os nomes dos meses ao seu gosto. Logo em seguida, ela diz uma grande verdade : "O controle, na maioria das vezes, esconde um grande medo de viver". E conclui dizendo que "às vezes é mais saudável deixar a vida me levar de forma suave e superficial".

Vou me esforçar para por isso em prática! Dar aula, quero acreditar, vai ser uma ótima experiência para atenuar essa minha mania. Aprenderei a estar sempre preparada para o inesperado. Pois a vida é assim, uma sequência de inesperados. A única certeza? Que vamos morrer um dia.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Da euforia julhiana à melancolia de agosto


Foi um mês agitado, o de julho, com visita, amiga de infância, férias das obrigações naturais, viagem, praias, curtição noturna. Conhecemos muita gente. Amizades novas. Foi numa dessas conhecenças que me apaixonei. Pipa não é lugar pra conhecer ninguém! Afirmou meu primo. Ali só dá malucos e pilantras. Dei ouvido? Não, claro. Shame on me!
A amiga se foi, de volta ao velho mundo, de volta às suas obrigações. A paixão ficou. Mais alguns dias e também voltaria ao velho mundo. Como lidar com isso, eu não sabia. Já estava me sentindo aleijada de uma perna sem a amiga com quem dividi 3 semanas de pura emoção. Só curtimos e acrescentamos uma à outra. O amor de férias, ficou estranho. E como é mesmo que se pode apaixonar nas férias? Devia ser proibido. Sabe-se que ele vai embora e nunca mais, talvez, o encontre. Como é que um coração sensível deve lidar com isso? O meu ficou aos galopes esses últimos dias. Nem consegui ir dizer tchau. Não houve um último adeus. Ao contrário, briguei com ele. De quem foi a culpa eu não sei. Sei que a cada relação percebo mais o abismo que existe entre homens e mulheres. Não nos compreendemos. E como pensamos diferente.
A mulher esquece sua liberdade na hora mesmo em que se apaixona. Quer dividir tudo com o outro. Faz projetos, imagina o futuro, será que esse é o tal? O homem, ao contrário, reluta muito antes de se deixar apaixonar. Ele pisa em ovos, faz de tudo para não ter que dividir seus momentos pessoais, gosta de manter isso ao máximo. Demora para se apaixonar, mas quando isso acontece também, não há mais nada que possa salvá-lo do amor. Ama para sempre. A mulher apaixona e desapaixona com facilidade. Veio ao mundo para amar, ser mãe, amante, esposa, tem muito amor pra dar! É inato. Está no seu papel aqui na terra. Então vai pulando de galho em galho até encontrar o principe encantado, na melhor das hipóteses, ou então aquele que saiba aceitá-la do jeito que é.
Voltei ao ponto inicial. Amiga e homem foram embora. Acabou a euforia das férias forçadas. Des vacances chez moi. O que ficou? A descoberta de uma grande amizade que ainda dormia em nossos peitos. A descoberta de coisas em comum, mais do que se poderia imaginar, visto que fomos criadas longe, nos vimos tão pouco, e nos damos tão bem. E um coração magoado, mas compreensivo, esperançoso ainda de alguma notícia daquele ladrão de sorrisos bobos, dos carinhos gostosos, e daquele jeito apaixonadamente livre. Um olhar de bicho selvagem, que espreita a sua presa, e quando a toma é sem dó nem piedade. Me pegou?
Mesmo assim, meio capenga, penso: life must go on!
E hoje é sexta-feira. Vou sair pra aerar as idéias, dançar.
Alguém tá afim?

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Eu quero controlar tudo!


Dizem por aí que a vida é cheia de surpresas, inesperados e mudanças. E é isso mesmo. Contudo, dizer "é isso mesmo" não significa que eu saiba lidar muito bem com essas vicissitudes. Gosto de saber o que vai acontecer, medir as palavras, premeditar as ações, gosto de ter o controle nas mãos. Seria melhor utilizar o verbo no condicional: eu gostaria de ter o controle sobre tudo, mas é óbvio que euzinha não controlo nada!

Enquanto estou aqui em casa, ou com a minha família, ou, no limite, na faculdade, ainda dá pra ter um certo controle sobre os acontecimentos. Digo no limite na faculdade, porque, as vezes (tipo hoje), soltei uma "bomba" por lá, mas deixa pra lá. Piora quando começo a entrar em relacionamentos humanos propriamente ditos, é uma catástrofe! Não sei o que dizer. O que digo acho que é besteira. Certas ações criam em mim uma bola de pêlo na garganta. É uma angústia tão grande! Passo dias refletindo sobre o que outro falou, o que pensou ao falar aquilo e o porquê de o ter dito. A cabecinha trabalha!

E isso não vem de hoje não! Quando tinha uns 12 anos, cheguei pra um amigo meu da rua, que não havia jeito de eu decorar o nome (este é outro distúrbio que trago do berço) e perguntei o nome dele pela enésima vez. É Vando, entendi. Até hoje, não sei porque, eu falei brincando: Já pensou se fosse Vanderson??? rindo. No que ele respondeu: É isso mesmo... Ah, você tá me zoando! Não é isso mesmo, ele respondeu. Bom, já nessa idade queria ter uma habilidade da avestruz. O que pode ser melhor do que enfiar a cara no chão numa hora dessas?

Com o passar dos anos, fui me aculturando, mas o distúrbio não passou, só piorou, porque as gafes eram em círculos mais "intelectuais", sobre assuntos mais "importantes". Continuo trocando nomes, confundindo personalidades, e soltando batatadas fenomenais. Sabendo disso, meu inconsciente já se prepara na hora do "show" diante de uma rodinha de gente, uma pessoa inteligente, ou um cara interessante: Ai meu Deus! Preciso controlá-la! Oh linguinha rápida... Já foi.

Quando quero impressionar? Vocês já devem imaginar. Tentando controlar a situação, faço e falo mais bobagens do que se estivesse a vontade com esse meu distúrbio, se tirasse sarro de mim mesma. Mas não, tentando controlar me descontrolo, depois me envergonho profundamente, e passo dias com a cara enfiada no travesseiro, descascando abobrinhas.

Pelo menos agora eu começo a ter consciencia e a aceitar esse meu jeito trapalhão de querer agradar, mostrar serviço, ou, simplesmente, me expressar. Vocês estão de prova! Troco alhos por bugalhos, muitas vezes pior do que isso. Confundi Levi-Strauss com Eliphas Lévi. Tudo culpa do Levi! São séculos diferentes, persanalidades completamente divergentes. Mas, os dois são muito importantes para a história da humanidade. Oh lá! duas coisa em comum. Tô perdoada!

É isso aí gente, troco as bolas, falo besteira, faço coisas ridículas... não tem jeito: é biológico (valeu Chomsky!). Mas faço tudo pensando no melhor, no bem e na harmonia das causas e coisas do universo. Obrigada pela compreensão! :)


sábado, 17 de janeiro de 2009

A solidão enche o saco

Qulequefois tenho companhia pra morar, pra correr, pra andar de bike, pra remar, pra balada, pra viagem, pra filosofar, pra escrever, pra ler, enfim, tenho um companheiro pra cada uma dessas e outras atividades e vivências, e hoje, voltando do cooper, realizei o quanto é melhor fazer as coisas a dois do que sozinha.

Sei disso porque numa fase decidi levar uma vida solitária, fiz isso pra provar pra mim mesma que era bem resolvida, sabe aquele tipo "comigo ninguém pode"? E agora sei que posso fazer qualquer coisa sozinha, só que fui ficando meio triste, o isolamento mexe com a cabeça, e pra pirar é um-dois.

Outra coisa que aprendi é que não dá pra querer que uma só pessoas supra todas as minhas curiosidades, vontades, interesses, tesões. Coitados dos meus antigos namorados, acho que eu exigia demais. Não esperava um homem, mas sim um super-homem. Hellooooo, super-homem não existe. Será? No fundo, no fundo, ainda espero o principe encantado, mas enquanto ele não chega, vou tentando com os errados.

Pois bem, o tempo passou e agora volto a me envolver com as pessoas, foi difícil, confesso, mas senti que era hora de abrir as portas de casa novamente, pra deixar o sol entrar. Como dizia Vinicius de Morais em uma de suas músicas (e uma amiga fez questão de esfregar na minha cara): "é impossível ser feliz sozinho!"

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Pois é, acabou!


Pois é Naldinho, a monografia estava puxada mesmo. Acabou ontem, com a apresentação para uma banca examinadora. Foi muito bom!

Realizar esse trabalho de monografia sobre correspondentes de guerra foi de fato muito interessante. Consegui compreender muito da história do mundo nestes últimos 50 anos, principalmente no que diz respeito à notícia. E o melhor de tudo foi que consegui me superar. Escutando as pessoas que leram e avaliaram o meu trabalho de 1 ano, fiquei surpresa e feliz. Confesso que não esperava os elogios, mas tudo que é bom, é sempre bem vindo, não é mesmo? Com isso ganhei forças para o próximo, e o próximo e que venham muitos ensinamentos nessa minha vida, não só os acadêmicos, como todos os outros das mais diversas áreas do conhecimento exterior, assim como interior.

Agora, sinto um misto de alívio e vazio. Alívio, porque foi um longo trajeto de conquistas e derrotas, muita luta e abdicação. Vazio, porque até ontem só pensava nisso.

Aprendi nesse processo que os amigos são poucos. Mas que sempre surgem novas pessoas para dividir momentos como esse e depois vão embora, ou ficam, dependendo do destino. Fiquei muito feliz quando vi o Marcelo chegando para assistir minha defesa. Afinal, são poucas as pessoas que de fato se interessam em outra coisa além delas mesmas. De resto, entendi que as pessoas interessantes são aquelas que lutam por um ideal, seja ele qual for. Elas se preocupam com as suas conquistas, assim como as dos outros, querendo chegar sempre a um ideal coletivo, como conseqüência de muita dedicação e paixão.
Meu compromisso rendeu frutos e hoje sinto que posso exercer o papel de jornalista responsável, em prol da sociedade, e dar voz àqueles que mais precisam.

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Estranhos

No meio de coleguas e amigos, me sinto só e sem paciência. Palavras vazias, palavras vãs. São asssuntos que já não me interessam mais. Vou me cansando e bato em retirada. Quero ir pra casa! Tem sido mais fácil conversar com desconhecidos, os assuntos multiplicam-se, me alimento de impressões. Ontem, no banco da janela do 56, olhava pra fora, perdida em pensamentos. Algumas paradas depois subiu muita gente no ônibus e o burburinho aumentou, tirando-me do devaneio. Um senhor de quarenta e poucos anos sentou ao meu lado e instantanemente perguntou: você é daqui? Eu sou carioca! A princípio, desconfiada, não dei muita corda pro cidadão, mas a conversa foi ficando interessante, falamos de tudo, ele mais do que eu. A viagem passou tão rápido e o papo estava tão bom, que desci um ponto depois do de costume.


Desconfio de um jogo de interesse que rege nosso dia a dia, é um emaranhado perigoso. Estranhos, às vezes, são mais confiáveis. Dá o que se tem de melhor e receberá o melhor, e depois, talvez, nunca mais veja a criatura. Aí está. Duas pessoas trocam impressões, palavras, pensamentos, pelo simples prazer de se comunicar. Isso é muito bom! Talvez a situação esteja se transformando dessa forma porque já não nos sentimos tão seguros em meio a conhecidos, tudo que dissermos ou fizermos pode ser usado contra nós, é mentira? Por que, então, não falar com um desconhecido? Trocar idéias e dizer adeus, com a segurança de que só veremos de novo se a sorte se interessar.



terça-feira, 9 de setembro de 2008

Se você quer do seu jeito, faça você mesmo!


Que mania é essa que as pessoas têm de querer dizer o que eu devo fazer, como fazer, porque fazer. Credo! Parece que não sei... Tô passada com isso!

O fato de eu não me impor o tempo todo, porque acho muito desgastante, não quer dizer que não saiba fazer as coisas. Sei sim, e muito bem! Que cada um vá cuidar de sua vida!

Aquelas frases prontas, tipo, por que você não usa essa calça? Por que não namora com esse menino? Por que não vai morar na Europa? Por que não vai na casa do João resolver aquele problema hoje? Por quê? Por quê? Sabe por quê? Porque eu não quero!

Essa mania é coletiva. Não é só uma pessoa não, é geral. É tão fácil ficar dizendo aos outros o que fazer, ao invés de olhar pra si e pensar, nossa o que eu poderia fazer hoje? Cada um que controle o seu tempo, seu humor, seu coração! Quanta chateação!

O pior de tudo é que se você não faz do jeito que as pessoas querem, hummmm... prepare-se para o bico, para o grito, para o choro.

Num passado bem recente eu costumava me sentir culpada, pois guardava em mim toda a culpa do mundo. Só agora percebo que as pessoas são todas desequilibradas e querem descontar em mim ou em qualquer pessoa que estiver por perto o seu trauma, a sua angústia, os seus defeitos e preconceitos. Pois quero que todos vão à merda!

Quantas horas de sono perdi, quanto tempo desperdicei, quantas vezes chorei por causa de chiliques mirabolantes de pessoas loucas, que queriam que eu fizesse as coisas à sua maneira! Ah alma querida, desculpa por esse tempo de escuridão. Já não acontecerá mais.

Se você quer do seu jeito, faça você mesmo! E tenho dito!

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Cada vez mais pra dentro

Sinto que cada vez mais estou fechada em mim mesma, faço as coisas pelo avesso, tropeço, e acabo me sentindo mal, me magoando. O que acontece na verdade é que as pessoas são muito diferentes umas das outras. Eu falo tudo, não aguento segurar, não penso nas consequencias, nem no impacto de minhas palavras e ações. A verdade é não sei viver em sociedade, nem ter raiva. Queria ficar na minha, mais ainda. É bom sair, ver gente, mas não sei lidar com isso. Sempre extrapolo, quase me sinto mal por chamar a atenção, piso na bola. Uma parte de mim é má e quer só sacanear os outros, será? Talvez eu tenha realmente esse lado mau, e uso ele quando perco controle, e essa maldade cresce em mim, e faço coisas pra testar o limite das pessoas. Em outros momentos sou tão boba e ingênua... É como se fosse Raquel e Ruth, daquela novela da Globo, as gêmeas diferentes. Mas será que sou realmente má? Assim como as pessoas querem me pintar? Ou será que sou normal, e todo mundo é assim? Não sei, só sei que levo a vida muito a sério, isto é desgastante, e certas coisas me deixam muito mal, pq costumo sempre colocar a culpa em mim. Sei lá. Não quero encheção de saco. Quanta sarna pra me coçar.