domingo, 17 de janeiro de 2010

Ecovila Pau-Brasil - comida vegetariana

A "granja" fica em Pium, perto do Lago Azul. É um terreno de 2 hectares, grandinho até, vários tipos de árvores, um gato, um coelho e um restaurante de comida vega. A maioria dos ingredientes são cultivados lá mesmo. Uma das salas do restaurante, que dispõe as mesas em uma varanda agradabilíssima, é uma biblioteca miúda, com obras interessantes. A música ambiente é tão deliciosa quanto a comida. O almoço de domingo, como me explicou Pedro (proprietário simpatissíssimo), é supresa. Mas de quarta à sábado o menu é fixo: quarta é dia de yakissoba, quinta, de shitake com polenta, sexta não me lembro e sábado, claro, é dia de feijoada (vegetariana!).
O menu do fim de semana oferece uma entrada, o prato principal, sobremesa, café e chá. A vontade! Hoje, nossa primeira vez, comemos um pouco de tudo. O pão era de cenoura, com opção de patê de cenoura também, chutney de manga e vinagrete sem vinagre (interessante). A sopa era de abóbora com alguma coisa, como aveia ou knoa. Rúcula, alface e tomatinho cereja de verdura, salada de grão-de-bico e outra de quiabo. Cuscuz paulista, arroz integral, feijão tropeiro e nhoque de batata-doce. Tudo finamente temperado. Uma delícia. Tomei suco de mangaba com capim-limão. De sobremesa tinha pudim de tamarindo, um doce de manga com castanha de caju e um bolo de grãos e fruntas secas coberto com chocolate ao leite.
Depois de comer e papear com o anfitrião, fomos dar uma volta pelo terreno. Tem banheiro seco, uma piscina de captação de água da chuva, e a intenção de reutilizar toda água da propriedade. Muitas árvores frutíferas, cana-de-açúcar, raízes, verduras, tudo plantado naquele chão de areia. Tem um camping com barracas interessantes, ligadas por túneis. Entrando num lugar com mata nativa, encontram-se as denominadas "salas verdes". São duas. Cadeiras, bancos e uma rede, para quem quiser se deitar e curtir o canto dos pássaros, ver os bichos transitando, ouvir o barulho do vento brincando com as folhas das árvores. Um lugar muito legal para se conhecer.
Para os interessados, acessem o site: http://www.ecovilapaubrasil.com.br/, liguem pra lá, que eles darão todas as coordenadas e responderão possíveis perguntas.
Vale a pena conferir! Eu adorei!

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

São Paulo é uma loucura


Cinco anos depois... Chego em São Paulo às seis horas da tarde. Que beleza! Voltar pro lugar onde nasci. Estava na curiosidade de campo, e pouco interessada em encontrar pessoas. É meio estranho, eu sei. Nem eu consigo explicar. Desculpa os amigos que não contactei, e àqueles que contactei e não consegui encontrar.
Em Guarulhos, pegamos o ônibus até a praça da República. 30 reais por pessoa. Do primeiro banco do carro, vimos a silhueta de prédios desenhada no horizonte. Chegando do nordeste em pleno verão, fiquei impressionada com a verdura do lugar. Árvores e arbustos crescem em qualquer parte, até mesmo nas bordas do Tietê. Ô terra boa! E cinza.
Ficamos na casa de uma amiga de infância da minha mãe, a Maru. Ela mora na Liberdade, morram de inveja! Eu morri... Descemos no na parada de mêtro São Joaquim e arrastamos a mala ladeira abaixo até o cruzamento com a rua da Glória. Chegamos esfomiadas, no avião é só bolachinha (6) e suco. Sem almoçar, fomos matar a fome num restaurante chinês. As garçonetes nem falam português. Por mímica e muita força de vontade, conseguimos encomendar um manjar dos deuses.
Andamos pelo centro até chegar no mercado municipal no outro dia. Era nossa ceia de Natal que estava na lista de compras. Fugindo daquela coisa "família", compramos só delícias que o paladar já desacostumara. Funggi, presunto cru, queijos, azeitona temperada, quiche, frutas, Chianti, etc. De tanto andar, comemos e dormimos. No outro dia, a Maru levou a gente para o Ibirapuera. Continua lindo. Andamos e andamos. Muito papo e lembranças da infância. Eu só ouvindo.
Passamos pela praça da Sé: vimos gente correndo pra pegar o mêtro, pulando por cima daqueles que dormem de baixo das árvores; um cheiro de xixi no ar. Ônibus e carros transitam loucamente. A gente cruza a rua. Massa de gente escorrendo pelas ruas cheias de lojas que oferecem tudo que se pode imaginar. O cheiro de comida paira no ar. É churrasco grego (kebab), lanches, japonês, chinês, pastel. Chegando no Municipal, é aquela fartura: produtos importados da melhor qualidade. Preços altos. Do lado de fora, gente pedindo esmola. Junto aos arranha-céus coloridos, temos parques e árvores espetaculares. Muita gente passeando com cachorrinhos enfeitados. A Av. Paulista estava toda enfeitada para o Natal. Com luzes, papais-noéis, árvores enfeitadas e um coral. Foi lindo. Sabe aquele projeto do Bradesco, para crianças carentes? Os filhos dos funcionários também participam. Cantaram músicas natalinas lindas. A calçada estava cheia de gente para escutar. Fiquei impressionada com o tamanho dos prédios de bancos. Estava uma disputa visual pela melhor apresentação de Natal. Nos regalamos. Visitamos o parque Trianon. Fomos atraídas pelas árvores "argentées". Iluminadas em cor de prata. O lugar é a única reserva remanescente de mata atlânitca da região. Fica em frente ao MASP.
O dia começa ao som de Cazuza e Marisa Monte e cigarro. Não que fumemos. A Maru que fuma a essa hora. Fomo ver Avatar. Só que não em 3D. Bem que queríamos, mas a sessão estava lotada. Vimos normal. História previsível, imagens estonteantes. Em 3D deve ser bárbaro.
Quando a Maru voltou a trabalhar, acho que dia 27, ficamos por nossa conta. Fui tirar a segunda via do RG num Poupa Tempo, que devo dizer que na Sé, é um Perde Tempo. Depois de tirar, o papelzinho e pagar a taxa, me dei conta da dimensão de São Paulo. Tinha, apenas, 2 mil pessoas na minha frente! Isso em horas é igual a 4. Pra dar entrada no documento! Joguei pro alto, fui tentar tirar na Luz. Lotado também, porque já era tarde. Fui curar a derrota na ladeira Porto Geral. Fomos à forra. Prefiro não entrar em detalhes. Só posso dizer que voltamos eufóricas e, um tanto quanto culpadas, para casa.
Finalemente fui para o Museu da Língua Portuguesa! Já infernizei tantas pessoas para saber desse museu, e finalmente pude ver com meus próprios olhos... e ouvidos. Adorei! Não deu pra ver tudo nos mínimos detalher como gostaria, mas deu pra ver no geral e posso dizer que vale muito a pena conhecer para quem se interessa pela língua e literatura brasileira. E não precisa ser expert: é básico e muito bem apresentado. A exposição temporária era da Cora Coralina. Tinha um corredor de telões falando da cultura brasileira, da presença e importância da palavra nela. Gostei muito!
Depois do Museu, na Luz, andamos até a Praça da República. Demos uma volta na praça atrás do Galettos. Achamos O Gato que Ri. Subimos ladeira até a Sé e tornamos à Liberdade exaustas. Capotamos antes da Maru chegar.
No dia seguinte, fui direto pro Poupa Tempo da Luz, dei entrada no RG em 30 minutos e achei rápido. Fiquei feliz. Pra onde fomos? Não lembro.
No dia 31 saímos pra comprar as últimas coisas, comida para o réveillon e uma caixa de bonbons pra Maru. Ficamos morgando de tarde. Assistimos o filme "Se beber, não case". Gostei. A Maru convidou uns amigos, fez tender e depois de comer e beber a especialidade da casa: caipirosca de abacaxi, fomos para a Av. Paulista, nos misturar com outros 2 milhões e quinhentas mil pessoas. Ficamos nos telões. Primeiro teve Maria Rita. E Chuva. Dupla sertaneja que não conheço e chuva. Demos a volta na fronteira de ferro. A chuva parou. Contagem regressiva, FELIZ ANO NOVO!!! e a chuva foi voltando lentamente até se tornar forte. Martinho da Vila entrou no palco. Ótima escolha para começar o ano. Dançamos duas música; a chuva estava impiedosa. Na terceira, viramos de costas, em direção à casa. Caminhamos um bocado. Senti frio! Em casa, todos sentamos em volta da mesa, copo de vinho na mão, tender no joelho, muitas risadas e um VIVA para o ano que entra! Um ótimo ano à todos! Bateria recarregada...

sábado, 19 de dezembro de 2009

Le chien à Toto

Il était une fois un chien de rue, qui n'avait jamais connu la joie d'être aimé. Il était si moche que personne n'osait même pas le caresser. Pauvre chien, il a grandi dans un sentiment de haine et incomprehension inimaginable.
Un beau jour, Toto se promenait dans la vie, et il a remarqué ce pauvre chien maigre et ignoble. Il s'est dit: "Je vais prendre ce chien pour lui apprendre à être comme moi-même ". Avec beaucoup de soin, il a appris à ce chien l'art de l'ignorance, se montrant le meilleur ami. Mais toujours avec quelque souci, car le chien mordait de temps en temps. On ne peut comprendre ce qu'elle a soubi cette pauvre bête fétide avant rencontrer son maître.
Toto lui a tout appris, de A à Z: "je suis le meilleur, je suis parfait". Le chien, qui ne comprenait pas les effets d'un mirroir, a été surpris de penser la même chose: Je suis parfait! aboyait-il tous les matins.
Tous les jours, il allait travailler avec Toto, pour se venger des temps passés dans la rue, oublié. Il mordait quelques jambes, pissait quelque poteaux, histoire de laisser sa marque.
Il dérangeait tout le monde, mais personne n'avait le courage de lui dire combien il était incohérant. Jusqu'au jour qu'il s'est ramassé un pied au cul, que lui a fait partir en boitant, de douleur et de honte.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Desça aí dessa nuvem!

Fico bem quieta na minha nuvem particular.
E dela vejo o mundo meio fora de foco.
Meio sensação de sonho.
O maior barato.
Não consigo enxergar a feiura humana.
A natureza sim, que é grandiosa, enorme, linda!
Mas os seres humanos, pequenos e mesquinhos, não.
Exterior é máscara. Interior é escuro.
Precisamos de uma lanterna e muita coragem...


segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Minha querida

Me lembro desde pequena esse seu jeitão,
de fazer tudo dar certo,
mesmo quando, as vezes, era preciso sair na porrada.
Muito decidida, resolveu parar, e parou.
Muito objetiva, sempre teve fé.
Briguenta quando necessário.
Amorosa demais com os filhos e crianças.
Uma profissional de estima.
Um grande coração de mãe.
Filha amada pra vó.
Mulher e amor pro tio.
Mãezona pros meninos.
Irmã da minha mãe.
Tia querida.
Sua presença física já faz falta,
mesmo depois de tanto sofrimento.
Acho que sabemos, ou tentamos nos conformar,
que esse foi o melhor caminho, a sua escolha.
A saudade é imensa.
Quem vai me abrir os olhos aqui por perto?
Quem vai ter razão pra tudo?
Tinha você aqui do lado.
Tenho você no coração sempre.
O que apazigua a dor, é saber que a sua energia boa paira no ar.
Que você encontrou os nossos.
E está em paz.
Obrigada por tudo.
Um beijo!



sábado, 24 de outubro de 2009

Jojo - Jacques Brel

Jojo é o apelido do amigo ciclista (profissional) francês do cantor belga J. Brel. A conselho de um amigo escolhi essa música de homenagem para trabalhar com minhas turmas de francês língua estrangeira. Podem me chamar de louca. No rápido momento que ouvi a chanson achei linda. Ajeitei a letra, pedi pro pessoal da coordenação imprimir e passei pra meus alunos essa semana. São turmas de níveis diferentes. É necessário dizer que cada aluno é um mundo, mas parece que cada turma tem um eu coletivo. Cada qual reagiu de forma diferente.
O nível mais avançado reagiu de forma acolhedora. Estavam mais preocupados em entender as palavras, do que sentir a música. Foram os primeiros. Nem me toquei da grávidade da escolha. A turma intermediária, me acusou de fúnebre. A de nível básico me disse que se fosse o primeiro contato com a língua, teria desistido na hora. Me senti inconsequente. Mesmo assim consegui trabalhar diferentes aspectos da música.
É uma letra insana, de um cara que canta no cimitério a amizade pelo amigo que se foi. É profundo. Mas quem ainda não passou do presente do indicativo e não entende patavinas da língua, fica complicado.
Foi uma experiência interessante. Cobaias? E quem não é cobaia das vicississitudes da vida?
Acho que gostei da letra pois ela está totalmente ligada à minha própria vida. Tenho passado por uma fase difícil da existencia familiar. Uma pessoa muito querida e muito doente. Sabe quando a coisa já fugiu do controle e não sabemos mais o que fazer além de rezar? Pois bem, me perguntaram se eu era daquelas que ri nos funerais. Não sei. A última vez que velei um corpo, tinha uns 10 anos. Hoje com 28 não pisei mais em cimitério ou vi um morto de perto. Pode ser que seja mesmo aquela que tente trazer o riso pra onde só há lugar para o choro. Sou do contra. E afinal, quando não há nada mais que se possa fazer: é rir ou chorar. E se for pra guardar as aparências, a do bufão é aquela que me agrada mais.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

La vie

A velhice tem sido um assunto bem presente na minha vida. Chegando na casa dos trinta, percebo certas mudanças, nem sempre boas, mas que me asseguram que uma boa formação pessoal e maturidade são necessárias. Pelo menos se quiser encarar com equilíbrio o vai-e-vem da vida.
Vivo com a senhora minha vó, pessoinha muito enérgica. Com seus 86, quase 87 anos, cheia de vida, ela sempre ajuda quem precisa. Todos os dias, religiosamente, prepara uma refeição de fazer inveja aos grandes chefes. Comidinha caseira, das melhores que já comi, típica do interior de São Paulo. Lê a Veja, critica a política, acompanha os noticiarios da manhã e da noite, em diferentes canais. Assiste a TV Senado! Acreditem. É uma antenada! Cheia de vida. Se cuida, toma os remedinhos, às vezes toma um vinhozinho, usa cremes e pó de arroz. Uma graça.
Eu não assisto jornal, não tenho tempo nem paciência. Pois ela vem todos os dias, em diferentes horários, com os Flash-infos, que eu costumo chamar de "Vovó News". Ela me mantém informada das coisas do mundo.
Um grande amigo me perguntou semana passada o que eu achava da velhice. Bem, no geral acho que a velhice é viver pela segunda vez a vida de antes. Lógico que os idosos continuam vivendo plenamente, uns vão aos bailes, outros jogam cartas, ainda tem aqueles que fazem ginástica, yoga, pintura, entre outras atividades. Mas a parte da memória que toca as lembranças é muito presente nessa fase da vida. Minha vó se lembra de coisas da infância dela! Da mãe, dos aprontos, dos bailes, de como era diferente de hoje, de como era melhor, de como foi feliz e triste em certas fases. E muito importante: não se arrepende de nada. Pelo contrário, se orgulha daquilo que fez ou deixou de fazer.
Sigo assim a minha rota, mesmo que ele pareça bizarro para uns, maluco para outros; dou um passo depois do outro seguindo meu instinto criador, fazendo aquilo que me dá prazer, ou que parece o mais acertado para mim, e não para os outros. Porque eu quero chegar no fim da estrada orgulhosa daquilo que pude construir, realizar. Ficar orgulhosa dos paus da barraca que chutei com gosto. Das contrariedades superardas. Acho que a vida tem que ser vista com simplicidade. Pra que complicar? Complicamos assim mesmo.
Quando Shakespeare disse: "O mundo todo é um palco / Homens e mulheres simples atores / Que nele entram e saem / Cada um a seu tempo". Quem é que vai querer ficar na platéia? A platéia talvez nem exista. Aí aquela sensação do trem passando e eu ficando do lado de fora... não quero nunca mais. Acho que todas as experiências são válidas, quando influenciadas pelo coração. Sem prejudicar o outro, claro.

"Mas você marcha José,
José, para onde?" Drummond

E aí, qual a próxima encruzilhada? Qual lado escolher? E pra onde leva? Não sei. Ninguém sabe. E da boca do povo ouvimos: "Só Deus sabe!". Então, bora!