sábado, 19 de dezembro de 2009

Le chien à Toto

Il était une fois un chien de rue, qui n'avait jamais connu la joie d'être aimé. Il était si moche que personne n'osait même pas le caresser. Pauvre chien, il a grandi dans un sentiment de haine et incomprehension inimaginable.
Un beau jour, Toto se promenait dans la vie, et il a remarqué ce pauvre chien maigre et ignoble. Il s'est dit: "Je vais prendre ce chien pour lui apprendre à être comme moi-même ". Avec beaucoup de soin, il a appris à ce chien l'art de l'ignorance, se montrant le meilleur ami. Mais toujours avec quelque souci, car le chien mordait de temps en temps. On ne peut comprendre ce qu'elle a soubi cette pauvre bête fétide avant rencontrer son maître.
Toto lui a tout appris, de A à Z: "je suis le meilleur, je suis parfait". Le chien, qui ne comprenait pas les effets d'un mirroir, a été surpris de penser la même chose: Je suis parfait! aboyait-il tous les matins.
Tous les jours, il allait travailler avec Toto, pour se venger des temps passés dans la rue, oublié. Il mordait quelques jambes, pissait quelque poteaux, histoire de laisser sa marque.
Il dérangeait tout le monde, mais personne n'avait le courage de lui dire combien il était incohérant. Jusqu'au jour qu'il s'est ramassé un pied au cul, que lui a fait partir en boitant, de douleur et de honte.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Desça aí dessa nuvem!

Fico bem quieta na minha nuvem particular.
E dela vejo o mundo meio fora de foco.
Meio sensação de sonho.
O maior barato.
Não consigo enxergar a feiura humana.
A natureza sim, que é grandiosa, enorme, linda!
Mas os seres humanos, pequenos e mesquinhos, não.
Exterior é máscara. Interior é escuro.
Precisamos de uma lanterna e muita coragem...


segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Minha querida

Me lembro desde pequena esse seu jeitão,
de fazer tudo dar certo,
mesmo quando, as vezes, era preciso sair na porrada.
Muito decidida, resolveu parar, e parou.
Muito objetiva, sempre teve fé.
Briguenta quando necessário.
Amorosa demais com os filhos e crianças.
Uma profissional de estima.
Um grande coração de mãe.
Filha amada pra vó.
Mulher e amor pro tio.
Mãezona pros meninos.
Irmã da minha mãe.
Tia querida.
Sua presença física já faz falta,
mesmo depois de tanto sofrimento.
Acho que sabemos, ou tentamos nos conformar,
que esse foi o melhor caminho, a sua escolha.
A saudade é imensa.
Quem vai me abrir os olhos aqui por perto?
Quem vai ter razão pra tudo?
Tinha você aqui do lado.
Tenho você no coração sempre.
O que apazigua a dor, é saber que a sua energia boa paira no ar.
Que você encontrou os nossos.
E está em paz.
Obrigada por tudo.
Um beijo!



sábado, 24 de outubro de 2009

Jojo - Jacques Brel

Jojo é o apelido do amigo ciclista (profissional) francês do cantor belga J. Brel. A conselho de um amigo escolhi essa música de homenagem para trabalhar com minhas turmas de francês língua estrangeira. Podem me chamar de louca. No rápido momento que ouvi a chanson achei linda. Ajeitei a letra, pedi pro pessoal da coordenação imprimir e passei pra meus alunos essa semana. São turmas de níveis diferentes. É necessário dizer que cada aluno é um mundo, mas parece que cada turma tem um eu coletivo. Cada qual reagiu de forma diferente.
O nível mais avançado reagiu de forma acolhedora. Estavam mais preocupados em entender as palavras, do que sentir a música. Foram os primeiros. Nem me toquei da grávidade da escolha. A turma intermediária, me acusou de fúnebre. A de nível básico me disse que se fosse o primeiro contato com a língua, teria desistido na hora. Me senti inconsequente. Mesmo assim consegui trabalhar diferentes aspectos da música.
É uma letra insana, de um cara que canta no cimitério a amizade pelo amigo que se foi. É profundo. Mas quem ainda não passou do presente do indicativo e não entende patavinas da língua, fica complicado.
Foi uma experiência interessante. Cobaias? E quem não é cobaia das vicississitudes da vida?
Acho que gostei da letra pois ela está totalmente ligada à minha própria vida. Tenho passado por uma fase difícil da existencia familiar. Uma pessoa muito querida e muito doente. Sabe quando a coisa já fugiu do controle e não sabemos mais o que fazer além de rezar? Pois bem, me perguntaram se eu era daquelas que ri nos funerais. Não sei. A última vez que velei um corpo, tinha uns 10 anos. Hoje com 28 não pisei mais em cimitério ou vi um morto de perto. Pode ser que seja mesmo aquela que tente trazer o riso pra onde só há lugar para o choro. Sou do contra. E afinal, quando não há nada mais que se possa fazer: é rir ou chorar. E se for pra guardar as aparências, a do bufão é aquela que me agrada mais.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

La vie

A velhice tem sido um assunto bem presente na minha vida. Chegando na casa dos trinta, percebo certas mudanças, nem sempre boas, mas que me asseguram que uma boa formação pessoal e maturidade são necessárias. Pelo menos se quiser encarar com equilíbrio o vai-e-vem da vida.
Vivo com a senhora minha vó, pessoinha muito enérgica. Com seus 86, quase 87 anos, cheia de vida, ela sempre ajuda quem precisa. Todos os dias, religiosamente, prepara uma refeição de fazer inveja aos grandes chefes. Comidinha caseira, das melhores que já comi, típica do interior de São Paulo. Lê a Veja, critica a política, acompanha os noticiarios da manhã e da noite, em diferentes canais. Assiste a TV Senado! Acreditem. É uma antenada! Cheia de vida. Se cuida, toma os remedinhos, às vezes toma um vinhozinho, usa cremes e pó de arroz. Uma graça.
Eu não assisto jornal, não tenho tempo nem paciência. Pois ela vem todos os dias, em diferentes horários, com os Flash-infos, que eu costumo chamar de "Vovó News". Ela me mantém informada das coisas do mundo.
Um grande amigo me perguntou semana passada o que eu achava da velhice. Bem, no geral acho que a velhice é viver pela segunda vez a vida de antes. Lógico que os idosos continuam vivendo plenamente, uns vão aos bailes, outros jogam cartas, ainda tem aqueles que fazem ginástica, yoga, pintura, entre outras atividades. Mas a parte da memória que toca as lembranças é muito presente nessa fase da vida. Minha vó se lembra de coisas da infância dela! Da mãe, dos aprontos, dos bailes, de como era diferente de hoje, de como era melhor, de como foi feliz e triste em certas fases. E muito importante: não se arrepende de nada. Pelo contrário, se orgulha daquilo que fez ou deixou de fazer.
Sigo assim a minha rota, mesmo que ele pareça bizarro para uns, maluco para outros; dou um passo depois do outro seguindo meu instinto criador, fazendo aquilo que me dá prazer, ou que parece o mais acertado para mim, e não para os outros. Porque eu quero chegar no fim da estrada orgulhosa daquilo que pude construir, realizar. Ficar orgulhosa dos paus da barraca que chutei com gosto. Das contrariedades superardas. Acho que a vida tem que ser vista com simplicidade. Pra que complicar? Complicamos assim mesmo.
Quando Shakespeare disse: "O mundo todo é um palco / Homens e mulheres simples atores / Que nele entram e saem / Cada um a seu tempo". Quem é que vai querer ficar na platéia? A platéia talvez nem exista. Aí aquela sensação do trem passando e eu ficando do lado de fora... não quero nunca mais. Acho que todas as experiências são válidas, quando influenciadas pelo coração. Sem prejudicar o outro, claro.

"Mas você marcha José,
José, para onde?" Drummond

E aí, qual a próxima encruzilhada? Qual lado escolher? E pra onde leva? Não sei. Ninguém sabe. E da boca do povo ouvimos: "Só Deus sabe!". Então, bora!


sábado, 26 de setembro de 2009

Do lado de cá da mesa

Sofia não gosta(va) nada da idéia de dar aula. A imagem dela ser a tirana daquele quadrado assusta. Claustrofobia. O que a preocupa mais são os alunos. Os rebeldes e os preguiçosos. Talvez por ela ter sido um deles. Nas salas da faculdade entendeu que a coisa poderia ser tranquila, mais relaxada. Depois que saiu do ensino médio se sente mais livre. O que vou fazer da vida? Tantas opções se apresentam. Precisava experimentar algumas possibilidades.
Dar aula, nunca passou pela sua cabeça. Sempre se achou pouco para transferir algum saber. Qualquer um. Fez bicos às pencas. Mas nunca foi aquilo que ela realmente quisesse. Não tinha rolado o tal do plim! Ao passo de pouco tempo enjoava de tudo. Ainda enjoa. A rotina lhe mata.
Descobre-se agora professora. Ai que medo. Será que é isso? Ser professor nunca lhe pareceu tarefa fácil. Incentivar a turma, passar conhecimento, responder perguntas. Tarefas assaz complicadas. Cada qual demanda estudo profundo. Um constante aprender. Não tem dia que não se pense nelas.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Assédio Sexual - Parte 1


- Nas duas primeiras semanas de trabalho, que começou no dia 5 de agosto de 2008, aprendi a conviver com o meu chefe, elogiando minha roupa, meu cabelo. Até que um dia me perguntou a cor da minha calcinha. Eu disse que estava passando dos limites.

- Foi para Mossoró fazer uma campanha política. Pelo telefone fazia insinuações, sempre insistindo na cor da minha calcinha. Eu pedia pra ele parar, queria tratar dos assuntos profissionais, mas ele sempre insistia e dizia que no fundo sabia que eu gostava, “um pouquinho não é”. Não!

- Depois vieram as conversas no msn (as duas últimas estão no processo). A primeira resulta de uma visita que ele fez a Natal e a esposa, durante a campanha, que durou um dia. Passou pela empresa, e gostou da minha blusa. Nesta altura eu estava irritada com a situação, não falava mais com ele, só o essencial do trabalho. Ele percebeu, mas não se conteve e me mandou um sms, dizendo “ADOREI sua blusa hoje... hehehe... Bjus, se cuida!”. Deixei pra lá. No outro dia entrou no msn e falou de novo da blusa, insistente. Ela não tem nada de mais além de ser discreta e elegante. Depois, na última conversa pelo msn, não agüentei e briguei com ele. Logo em seguida me ligou dizendo que eu tinha que entender o jeito dele, que ele era assim, mas que tomaria mais cuidado comigo para não me ofender.

- depois disso não tivemos mais problemas, até ele voltar de Mossoró e voltar a trabalhar na empresa como editor. Foi no dia 5 de outubro.

- Logo de cara fez questão de me deixar desconfortável com sua presença. Me barrava a passagem quando eu queria sair da minha sala, ficava na porta olhando pra minha cara, com olhar insinuante. As vezes, eu ia na sala de edição mostrar algum orçamento mais complicado de fazer, pra pedir auxilio, e ele me dizia que o que eu estava merecendo eram umas boas palmadas. Isso ele já dizia ao telefone, quando estava em Mossoró. Outra vez que fui tirar duvida sobre um roteiro, e qual seria o áudio que pegaríamos, ele me disse tudo e quando já estava no corredor pra voltar pra minha sala, ele fez “Psiu”, eu já olhei meio sem vontade. Ele fez uma cara de tarado e dobrou o braço com o punho em riste como quem diz: “to de pau duro”. Saí enojada.

- Até que umas duas semanas antes de eu sair, a situação piorou drasticamente. Ele começou a passar o dia todo na empresa, e quando se cansava de trabalhar, vinha na minha sala, sentava na mesa em frente e ficava falando da vida intima dele a da esposa, do tempo que eles não transavam, do sexo oral que havia rolado entre eles e mais nada por causa do enjôo da mulher que estava pra dar a luz, que ele estava necessitado, precisava gozar, “não há nada melhor do que gozar, do que o sexo!”. E disse que era a favor do sexo pelo sexo, que naquele momento precisava de uma amiga que transasse com ele sem se apaixonar, só pelo prazer da transa, porque garantiu que ele era muito bom de cama, que sua maior preocupação era o prazer da mulher. Não agüentaria olhar pro rosto da mulher insatisfeita na cama.

- Neste mesmo período, veio por trás, pegou meu cabelo num maço, e puxou como quem está cavalgando um fogoso “cavalo”. Você gosta disso? Perguntou com aquele sorriso insinuante. Gritei e mandei ele soltar, não me encosta! Ele disse pra eu ficar quieta!

- Pela primeira vez cheirou meu cangote, sai daqui! eu disse, e ele respondeu que não estava fazendo nada de mais, que eu estava exagerando. E ainda me perguntou qual a marca do perfume pra disfarçar.

- Na quinta-feira, 6 de novembro, foi a última vez que ele me encostou. Era de tardinha, eu estava de pé, falando no telefone do fax, perto da parede, virada para a janela, negociando um orçamento com a TP Publicidade, tentando entender melhor como era o VT que eles queriam fazer. Ele chegou sorrateiro, de um jeito que eu não percebi, até que me encostou por trás e deu uma longa fungada no meu cangote. Ele estava tão perto e inebriado, que consegui acertar uma cotovelada nele e disse pra ele sair de perto de mim e me deixar trabalhar. Ele saiu rindo. Ainda fiquei até o final do expediente, para receber o salário do mês, que já estava atrasado. Mas eles não pagaram ninguém!

- Na sexta eu não fui trabalhar, não queria mais trabalhar, estava com nojo. Só queria receber e nunca mais ouvir falar nele, nem na empresa.

- Segunda-feira fui buscar o dinheiro. Ele não estava na empresa, também não atendeu o telefone pra me dar alguma explicação. O celular estava desligado, assim como o da esposa e o telefone da residência chamou e ninguém atendeu. Liguei pro pseudo-sócio, que disse que isso era com o chefe e não com ele, mas que poderia tirar da conta dele e me dar na hora do almoço. Infelizmente não peguei esse dinheiro. Peguei minha bolsa e fui embora. Umas 11h o chefe me ligou como quem não quer nada. Falei muito do que pensava sobre o funcionamento da empresa e das atitudes dele e do “sócio”. Estava muito nervosa, mas no final da conversa estávamos numa boa. Até me convenceu de trabalhar no outro dia pra deixar as coisas em ordem para a próxima pessoa que fosse ficar no meu lugar. Eu aceitei com a condição que ele deixasse meu dinheiro na gaveta do escritório, era a minha garantia.

- Cheguei na terça as 8h no escritório pra fazer tudo logo e poder dar um fim naquela história. Só que ele não deixou o dinheiro, meu salário, aí foi o fim. Além de agüentar as investidas sexuais dele, ainda era enganada. Liguei pra ele na hora, perguntei pelo meu pagamento e ele me xingou, disse que não era criança e me mandou sair da empresa e esperar ele na rua, que ele já estava chegando. O Paulo chegou em 15 minutos. Contei a real, disse porque estava saindo pra ele, por causa do assédio sexual do colega empresário. Ele me disse que não era nem a primeira nem a ultima vez que ele fazia isso, que era compulsivo... E eu com isso? Logo ele foi embora.

- depois de 2 horas de espera na rua, no sol, o outro editor me chamou, disse que era pra eu subir e assinar um recibo e ir buscar o dinheiro na Praça das Flores. Eu já estava aos prantos, muito nervosa, liguei e disse que não ia. Em 5 minutos ele chegou ameaçador, gritando e xingando, jogou os 500 reais na mesa como se estivesse me fazendo um favor. Aí eu disse a razão da minha partida na cara dele, na frente do outro, aos berros pra vizinhança toda ouvir. Quando eu disse que estava saindo por causa do assédio dele, ele me perguntou se eu não agüentava pressão. Desde quando assédio sexual é algum tipo de pressão admissível?

- Assinei o recibo e parti.